Agosto - FOLCLORE, DIA DO - 22 DE AGOSTO

Folclore é o conjunto de todas as tradições, lendas e crenças de um país, expressas em provérbios, narrativas, histórias, contos e canções, e pode ser percebido tanto na alimentação como na linguagem, artesanato, religiosidade e vestimentas de cada povo. A data foi criada no Brasil em 1965, através de decreto federal cujo texto diz o seguinte:

 

(1) - O Congresso Brasileiro de Folclore reconhece o estudo do Folclore como integrante das ciências antropológicas e culturais, condena o preconceito de só considerar folclórico o fato espiritual e aconselha o estudo da vida popular em toda a sua plenitude, quer no aspecto material, quer no aspecto espiritual.

 

(2) Constituem o fato folclórico as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradição popular e pela imitação, e que não sejam diretamente influenciadas pelos círculos eruditos e instituições que se dedicam ou à renovação e conservação do patrimônio científico e artístico humano ou à fixação de uma orientação religiosa e filosófica.

 

(3) São também reconhecidas como idôneas as observações levadas a efeito sobre a realidade folclórica, sem o fundamento tradicional, bastando que sejam respeitadas as características de fato de aceitação coletiva, anônima ou não, e essencialmente popular.

 

O termo folclore foi usado pela primeira vez em 22 de agosto de 1846, pelo arqueólogo inglês William John Thoms (1803-1885), originando-se de folk, povo, e lore, ciência. Em um artigo intitulado Folk-lore, ele designava com o mesmo nome as tradições, costumes e superstições existentes entre as classes menos cultas das nações civilizadas, mas como o tempo se encarregou de estender o emprego do vocábulo a muitas outras atividades praticadas nos aglomerados humanos, ele passou a ser definido como a  história não escrita de um povo.

 

No Brasil, após a reforma ortográfica realizada em 1934, a palavra perdeu o “k” e o hífen, transformando-se, então, em folclore. Desse modo, o folclore representa o modo que um povo tem para compreender o mundo em que vive. Conhecendo o folclore de um país, podemos compreender o seu povo,  e assim conhecermos, ao mesmo tempo, parte de sua história. Mas, segundo os estudiosos, para que um certo costume seja realmente considerado folclore é preciso que este seja praticado por um grande número de pessoas, e que também tenha origem anônima.

 

Embora o termo tenha sido criado há relativamente pouco tempo, o estudo sistemático e científico do folclore foi iniciado verdadeiramente pelos irmãos Jacob e Guilherme Grimm, filólogos, que entre 1812/1835 publicaram estudos importantes sobre superstições, contos populares, lendas, poesias, etc.. Autores de inúmeros trabalhos literários, eles apresentaram em Crianças e Contos da Carochinha (que os consagrou na literatura infantil universal), um estudo de Guilherme sobre a origem das histórias incluídas nessas duas obras, sendo por isso considerado por alguns como o fundador do folclore moderno. O folclore brasileiro é um dos mais ricos do mundo. Formado ao longo dos anos por influência de índios, brancos e negros, ele apresenta uma variedade imensa de contos populares, canções, danças, receitas de medicina popular, superstições, mitos, lendas e receitas alimentares características de cada uma das diferentes regiões geográficas, o que tem sido motivo do interesse cada vez maior de pesquisadores interessados em desvendar a origem das crenças e comemorações que permanecem vivas na memória do povo.

 

Quem no Brasil nunca ouviu falar do lobisomem, da mula-sem-cabeça, do saci-pererê ou do curupira? "Se você quebrar um espelho terá sete anos de azar", diz um provérbio, "a não ser que consiga encontrar todos os cacos e os jogue em água corrente". Isto é folclore!  E entre as tantas manifestações folclóricas conhecidas no Brasil, um bom exemplo é o do Bumba-meu-boi (ilustração acima), nascida no início do século 18 em engenhos e fazendas de gado do nordeste brasileiro, sendo sempre realizada na época das festas juninas. Trata-se de um auto popular com danças, cantos e declamações que falam da vida, morte e ressurreição de um boi. Este é representado por um boi de madeira ou metal recoberto de panos coloridos. É chamado tanto de boi-bumbá, como de boi-calemba, boi-de-reis, boi-pintadinho. No festival folclórico da cidade de Parintins (a cerca de 300 km de Manaus) no Amazonas, o bumba-meu-boi tornou-se uma festa muito popular, a tal ponto que consegue reunir perto de 40 mil pessoas para ver e participar da disputa dos dois bois representados pelo vermelho, o "Garantido", e o azul, o "Caprichoso".

 

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