Maio - MÃES, DIA DAS - 2º DOMINGO DE MAIO
Na mitologia grega, Réa era a deusa-mãe, cujo culto estava associado a rituais simbolizando a fertilidade. Filha de Urano e de Geia, e esposa de seu irmão Cronos, foi ela quem gerou Zeus, deus supremo dos helenos, ao qual os latinos deram o nome de Júpiter. O culto a Réa, ou Cibele para os romanos, atingia seu ponto máximo na primavera, quando os gregos antigos honravam nos templos a deusa símbolo de todas as mães, iniciando já naquela época os festejos comemorativos à figura materna.
No início do século 17 foi a vez dos ingleses demonstrarem seu carinho pelas mães quando concederam folga às operárias britânicas no quarto domingo da Quaresma, para que elas pudessem ficar em casa com suas respectivas mamães. Era o Mothering Day, que deu origem ao mothering cake, um bolo especial para o dia festivo. Mais adiante, em 1872, nos Estados Unidos, a escritora Julie Ward Howe, autora do Hino da Batalha da República e esposa de um líder abolicionista, apresentou as primeiras sugestões no sentido de que se criasse uma festa dedicada às mães, mas somente em 1907 foi que Ann Marie Reeves Jarvis, natural da Virgínia, EUA, ao perder a sua, entrou em depressão e por isso retomou o caminho antes trilhado por Julie, talvez procurando minimizar a saudade que sentia.
Penalizadas, as amigas decidiram ajudá-la a reverenciar a memória da falecida mandando rezar uma missa na igreja de Grafton, durante a qual cerca de quinhentos cravos brancos, enviados por Anna, foram distribuídos aos que participavam da cerimônia religiosa, sendo que às mães foram dadas duas flores, porque para Anna, a brancura do cravo simbolizava pureza, fidelidade, amor, caridade e beleza. Durante os anos seguintes, e sempre com propósito idêntico, Anna Jarvis enviou para a mesma igreja mais de 10 mil cravos, mas ela ainda se mostrava insatisfeita, e por isso continuou trabalhando para realizar seu propósito de estender a homenagem a todas as mães. E seu esforço finalmente deu resultado, porque em 26 de abril de 1910 o governador Willian E. Glasscock, do estado onde ela nascera, autorizou a incorporação da celebração ao calendário de datas comemorativas do estado, e depois, em 1914, foi a vez do presidente americano Tomas Woodrow Wilson (1856-1924) decretar que o dia da festa seria unificado em todo o país, passando a ser comemorado no segundo domingo do mês de maio.
Assim sendo, após quase duas décadas de dedicado e perseverante esforço, Anne Marie Reeves Jarvis conseguiu transformar o seu sonho em realidade, mas estranhamente o sucesso lhe chegou com gosto extremamente amargo, pois tendo a popularidade do feriado se tornado expressiva, isso despertou o interesse dos comerciantes, e estes imediatamente o transformaram em um dia altamente lucrativo para eles, principalmente os vendedores de cravos brancos, flores transformadas em símbolo da maternidade. Entrevistada, em 1923, pelo repórter de um jornal americano, ela declarou, nervosa e inconformada, que não havia criado o dia das mães para vê-lo transformado em fonte de lucro para quem quer que fosse, e por isso, neste mesmo ano, deu entrada em um processo judicial pleiteando o cancelamento do Dia das Mães, mas sem conseguir sucesso.
No Brasil, o primeiro Dia das Mães foi festejado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 12 de maio de 1918, por iniciativa da Associação Cristã de Moços. Em 05 de maio de 1932 o presidente Getúlio Vargas assinou o decreto 21.366, instituindo o segundo domingo do mês de maio como data oficial para a celebração da data em todo o território nacional, e em 1947 o Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara, determinou que ela também fizesse parte do calendário da igreja católica.
Anne Marie Reeves Jarvis morreu em 1948, aos 84 anos de idade. Após a consagração do Dias das Mães como data festiva em todo o mundo, ela passou a receber, por anos seguidos, cartões comemorativos vindos de todos os cantos da terra, enviados por mães de raças, idades e culturas diferentes, agradecidas e reconhecidas pelo esforço que ela desenvolvera em prol da criação de um dia em que a maternidade fosse comemorada com o júbilo e o respeito que merece. Infelizmente, porém, Anne Marie jamais pode sentir a emoção de ser mãe.
Como bem diz o poeta J.B. de Araújo Jorge, “Dia das Mães! É o dia da bondade / maior que todo o mal da humanidade / purificada num amor fecundo. / Por mais que o homem seja um mesquinho, / enquanto a Mãe cantar junto a um bercinho / cantará a esperança para o mundo!”.





