A a D - CAVALARIA - Passado glorioso

A definição militar de cavalaria é a de que se trata de um conjunto de soldados adestrados na arte de montaria, constituindo regimentos preparados para a ação de caráter militar.  Historicamente se avalia a cavalaria como um exército de combatentes notabilizados pelos seus feitos durante os períodos mais remotos, definição confirmada pelos escritos antigos quando revelam que os povos orientais aproveitaram a força e a rapidez do cavalo utilizando-o como animal de guerra capaz de produzir excelentes resultados.

 

Assim fizeram os egípcios, os persas e os assírios, imitados depois pelos gregos, cujo primeiro corpo regular e tático de cavalaria foi organizado por Epaminondas em 377 antes de Cristo, mas Alexandre, o Grande, conseguiu vencê-lo com seu exército de cavaleiros superior em quantidade e qualidade. Só depois de algum tempo é que os romanos começaram a compreender a necessidade da cavalaria como elemento tático na realização de suas lutas e conquistas. A sua tropa montada era constituída pelos cidadãos abastados e ilustres, havendo, no entanto, uma cavalaria auxiliar formada pelos desertores ou por elementos dos países submetidos ao jugo romano.

 

Durante a época feudal a cavalaria exerceu um papel preponderante na história européia. De elemento acessório que representava na arte bélica, transformou-se em arma indispensável e necessária à constituição dos exércitos, mas o aparecimento das armas de fogo, no início da Idade Moderna, determinou sua decadência, forçando-a a ceder lugar à infantaria.  Contudo, durante as guerras napoleônicas, a cavalaria desempenhou uma missão importante e estratégica, destinando-se aos expedientes de exploração e reconhecimento.

 

Na Idade Média, a dignidade de cavaleiro só era alcançada depois de algumas provas e cumprimento de determinadas condições, estabelecidas pela instituição da cavalaria. Todo aquele que aspirava aos títulos desta honra precisava demonstrar sua ascendência nobre, pelo menos de três gerações de nobreza. Alcançada a idade de sete anos, a criança era enviada ao castelo para exercer as funções de pajem e escudeiro. O pajem equivalia a um criado que acompanhava o senhor e o servia à mesa. Os cuidados de sua educação estavam reservados às mulheres, que lhe ensinavam orações e rezas, adestrando-o, também, na arte de amar.

 

Chegado aos quatorze anos o jovem ingressava na classe de escudeiros, onde cultivava, sobretudo, o exercício das armas. Acompanhava o senhor durante as viagens e na guerra, assistindo-o por ocasião dos combates, protegendo-o contra os golpes adversários, encarregando-se de vigiar os prisioneiros. Sua educação consistia, especialmente, na prática de exercícios capazes de conferirem ao seu corpo toda a agilidade, preparando-o, desse modo, para os combates. Além disso, treinavam-no na arte amorosa e impunham a ele o dever da escolha de uma dama a quem devia dedicar os mais nobres sentimentos. Somente aos vinte anos é que o jovem passava à categoria de cavaleiro.

 

Antes de ingressar nesse mister cumpria-lhe confessar-se e comungar, bem como escolher os padrinhos que deveriam armá-lo cavaleiro. Vestia, então, uma túnica branca que simbolizava a pureza; passava a noite, completamente armado, em uma capela, chamando-se a isto, na linguagem da época, vela das armas. No dia imediato, depois de banhar-se, entrava na igreja, com a espada, apresentando-se ao sacerdote, diante do qual jurava não poupar sangue nem fortuna para a defesa da religião, do rei, da pátria, das mulheres e dos órfãos; não deveria faltar jamais à palavra empenhada, bem como precisaria observar os preceitos de cortesia e de disciplina, evitando, ainda, manchar os lábios com a peçonha do vitupério, da calúnia e da mentira.

 

No Brasil, segundo publicação do Exército, a cavalaria  “tem sua origem ligada à organização do Regimento de Dragões Auxiliares, em Pernambuco, ao término da guerra contra os holandeses, remunerada por homens abastados, como João Fernandes Vieira. Mais tarde, na época do governo do Marquês de Pombal, criou-se, no Rio de Janeiro, o Regimento de Dragões, que visava a garantir a autoridade e o cumprimento das leis, ficando ainda em condições de acorrer, em tempo de guerra, onde necessário fosse. No sul, durante as lutas em torno da Colônia do Sacramento, Silva Pais organizou o Regimento de Dragões do Rio Grande para guarnecer as fronteiras, em face do fracassado Tratado de Limites de 1750 (Madri). Durante o II Reinado, teve a Cavalaria ativa participação nos conflitos sulinos”.

 

“Em 1851/52, o 2º Regimento de Cavalaria, com Osorio à frente, integrou as tropas que invadiram o Uruguai, culminando com sua participação na Batalha de Monte Caseros, na qual o ditador Juán Manuel Rosas foi derrotado. Na Guerra da Tríplice Aliança, o Brasil empenhou seis divisões de Cavalaria, distinguindo-se, à frente delas, a figura lendária do marechal Osorio, o futuro Marquês do Herval”.

 

“Hoje, temos três regimentos de Cavalaria de Guarda (Porto Alegre, Rio de Janeiro e Brasília); brigadas de Cavalaria Mecanizada e Blindada; regimentos de Cavalaria Mecanizado nas divisões de exército e regimentos de carros de combate nas brigadas de Infantaria Blindada”.

 

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