A a D - CINTO DE CASTIDADE - Verdade ou mentira?

O cinto de castidade é uma espécie de faixa fechada à cadeado que os maridos mais zelosos usavam na Idade Média com a intenção de guardar a castidade das suas mulheres. Para ser utilizado o objeto metálico era devidamente ajustado ao corpo da esposa e depois trancado à chave pelo marido desconfiado, permanecendo desse jeito até que ele retornasse ao lar. Sobre tal costume alguns historiadores duvidam de que seja verdadeiro, enquanto outros acreditam que a razão da existência desse tipo de cinto não tinha nenhuma relação com a preocupação dos maridos quanto a fidelidade das esposas, mas sim com a certeza de que os filhos gerados por elas eram realmente deles, para que a linhagem familiar continuasse mantendo o domínio das propriedades.

 

Alguns registros garantem que a utilização do cinto de castidade remonta ao ano de 1400, quando ele apareceu na Itália mas depressa se espalhou por toda a Europa. Sobre a presunção de seu uso, alguns historiadores asseveram que como aquela época era a dos descobrimentos, e em razão disso os maridos se mantinham ausentes de casa durante muito tempo, a peça seria uma forma de prevenção contra o risco de violação de suas esposas. Alguns, inclusive, presenteavam suas mulheres com cintos de castidade feitos com materiais nobres (como prata, por exemplo), para encorajá-las a se manterem fiéis durante o tempo de duração das viagens que faziam.

 

Mas uma outra corrente de estudiosos defende a tese de que os cintos de castidade, na verdade, teriam surgido no decorrer do século 19, durante a chamada época vitoriana, um período marcado por forte puritanismo, mas contrariando essa opinião o poeta grego Homero, que viveu entre os séculos 11 e 7 antes de Cristo, diz em sua Odisséia que Hefesto, deus do fogo e da fundição, forjou um cinturão de bronze para que sua amada Afrodite permanecesse fiel a ele, enquanto outras obras da Idade Média também fazem referência a essa estranha peça imaginada para impedir o prazer de muita gente. Para completar, há pouco tempo foi divulgada a notícia de que arqueólogos haviam descoberto o esqueleto de uma mulher que viveu entre fins do século 16 e princípio do século 17, no qual eles encontraram uma faixa de metal protegendo a região genital.

 

Para complicar ainda mais a situação, o Museu de Cluny, na França, e o Museu Britânico, na Inglaterra, descobriram em 1966 que os cintos de castidade pertencentes a seus acervos e considerados como medievais, eram falsificações do século 19, e por isso eles foram retirados das vitrines. Mas apesar da existência de dúvidas e interrogações sobre essas incômodas peças íntimas do vestuário feminino, aparentemente elas estão ressurgindo em casas especializadas no comércio erótico. E por incrível que pareça, os jornais noticiaram, em fevereiro de 2004, que uma britânica de 40 anos ativou o alarme do detector de metais no aeroporto de Atenas, porque estava usando um cinto de castidade. Segundo um jornal da capital grega, ela explicou aos policiais que seu marido a obrigara a usar o cinto para assegurar-se de que ela não o enganaria durante sua breve estada naquele país.

 

Os trabalhos escritos que tratam da fidelidade conjugal abordam o assunto de diferentes maneiras, mas quase todos defendem a idéia de que monogamia do ser humano, ou seja, a forma de união em que o homem desposa uma única mulher, ou uma mulher um só marido, é tão antiga quanto polêmica.

 

Um desses trabalhos diz que “para alguns estudiosos do comportamento, essa crença estaria a serviço das convenções sociais e religiosas, camuflando os verdadeiros impulsos do homem. Pelo sim, pelo não, Igreja e Estado, em diferentes épocas, muniram-se de verdadeiros aparatos repressores para garantir a fidelidade dos casais que oficializaram suas uniões através do casamento. Dessa forma, nos velhos tempos, caçadas aos adúlteros eram autorizadas e até estimuladas”.

 

Outro revela que “nos textos bíblicos, Mateus autoriza um marido traído a expressar seu repúdio à esposa como bem entendesse. No século XI, adúlteras eram assassinadas em praça pública por seus maridos, com o consentimento da Igreja e do Estado. Ainda hoje, países islâmicos mantêm práticas semelhantes. Em nome da honra de seus algozes, as infiéis são apedrejadas ou, na melhor das hipóteses, trancafiadas em suas próprias casas”.

 

Pelo sim, pelo não, os que não gostam nem de pensar em infidelidade talvez se tranqüilizem com a informação de que atualmente, final de 2006, os cintos de castidade masculinos e femininos podem ser encontrados com facilidade em lojas especializadas na venda de artigos eróticos. O feminino, de couro legítimo, com dois cadeados e criativos detalhes em correntes e rebites cromados, regulagem na cintura, tamanhos do P ao G, são oferecidos ao preço unitário de R$ 53,50. Já os masculinos, também de couro, dois cadeados, detalhes e rebites, e tamanhos P a G, custam R$ 85,80, cada um. Quem se habilita?

 

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