A a D - DINHEIRO BRASILEIRO - A poda dos zeros
A moeda brasileira sofreu diversas desvalorizações e trocas de nome ao longo dos últimos sessenta anos, tanto que é muito difícil encontrar-se hoje alguém que consiga enumerar todas essas alterações processadas pelos diferentes governos que controlaram os destinos da nação durante o transcorrer desse período.
Para que se torne possível acompanhar corretamente as oito modificações introduzidas no sistema monetário nacional ao longo desse tempo, é preciso saber-se, primeiramente, que réis era o plural de real, moeda que vigorou até quase a metade do século passado em nosso país (dois mil réis, dez mil réis, cem mil réis, etc.).
Para um milhão de réis o termo usado era conto (um conto de réis, cinco contos de réis, cem contos de réis, etc.), e na identificação das frações os brasileiros da época usavam o tostão, moeda de níquel correspondente à décima parte de cem réis (um tostão, cinco tostões, dez tostões).
01 - No dia 5 de outubro de 1942 o presidente Getúlio Dorneles Vargas criou o cruzeiro, cortando três zeros da moeda e fazendo com que cada um mil réis passasse a valer um cruzeiro. Ou seja, quem tinha cinqüenta mil réis passou a dizer que tinha cinqüenta cruzeiros.
02 - Em 13 de fevereiro de 1967, época em que a inflação já tinha colocado as mangas de fora, o cruzeiro ganhou um apêndice e passou a ser cruzeiro novo, mas para isso lá se foram embora mais três zeros.
03 - Passados três anos, em 15 de maio de 1970, nosso dinheiro perdeu o apelido de novo e voltou a ser simplesmente cruzeiro, mas dessa vez teve a sorte de não perder nenhum zero.
04 - Depois, em 1986, no governo do presidente José Sarney, as autoridades resolveram alterar mais uma vez o nome da moeda, e aproveitando a oportunidade mandaram para escanteio outros três zeros. Foi assim que em 28 de fevereiro daquele ano nasceu o cruzado.
05 - Mas decorridos três anos, em 16 de janeiro de 1989, tempos dourados em que a inflação era uma gostosura para os especuladores, novo nome: cruzado novo e mais três zeros no embornal.
06 - Decorridos pouco mais de doze meses, em 16 de março de 1990, o presidente Fernando Collor de Mello optou por retornar ao cruzeiro, para diferenciá-lo do dinheiro que havia sido bloqueado por ele, mas para felicidade geral da nação, não podou nenhum zero.
07 - Em 1996, quando o presidente era Itamar Franco, nasceu o cruzeiro real, e aí, para que ninguém pudesse perder o velho costume, mais três zeros da moeda foram para o espaço.
08 - Foi então que, consumidos onze meses em sua gestação, surgiu diante do mundo a nossa moeda atual, numa troca em que 2.750 cruzeiros reais passavam a valer somente um real. Ou seja, nesse sobe e desce, tira e põe, nosso dinheiro perdeu 15 zeros nos últimos 58 anos, e como se isso não bastasse, ainda foi dividido por 2.750. Dá para entender?





