A a D - DIRIGÍVEL ZEPPELIN - O desastre do Hindenburg
Orgulho da Alemanha em plena era da ascensão do nazismo e símbolo da expansão comercial da Alemanha do pós-Primeira Guerra, o LZ-129 (Luftschiff Zeppelin 129, Nave Aérea Zeppelin nº 129, mas que na verdade era o 118º dirigível alemão a voar) entrou em serviço em março de 1936, fazendo vôos transatlânticos entre Frankfurt, Nova Iorque e Rio de Janeiro.
Batizado de Hindenburg em homenagem ao antigo presidente alemão Paul von Hindenburg, era a maior nave aérea já construída pelo homem, poucos metros menor que o R.M.S. Titanic. Luxuoso, confortável, silencioso e bem mais rápido do que os navios, o Hindenburg transportou mais de 1200 passageiros por sobre o oceano Atlântico em seu primeiro ano, o que lhe rendeu inúmeros elogios de jornais de todo o mundo. O Dr. Hugo Eckener, diretor da Companhia Zeppelin e antinazista confesso (ele detestava ter que manter a suástica nas aletas do dirigível de sua emprêsa), via nele a sua grande obra-prima, resultado de décadas de trabalho e de uma vida inteiramente dedicada aos balões dirigíveis (www.ozlopesjr.multiply.com).
No dia 06 de março de 1937 a aeronave zepelim denominada Hindenburg avançava para a torre de amarração na base naval de Lakehurst, em Nova Jersey, Estados Unidos. Com 252 metros de comprimento e 38 de altura, ela transportava em seu interior, sob 2.128 metros cúbicos de hidrogênio altamente inflamável, cerca de 35 passageiros confortavelmente instalados. Até então conhecido como a maior e mais segura aeronave já construída, o dirigível Hindenburg, orgulho da Alemanha de Hitler, cumpria regularmente suas rotas de vôo nos céus do oceano Atlântico, convencendo o mundo de que apesar dos desastres ocorridos com aparelhos semelhantes, tanto britânicos como norte-americanos, as viagens que realizava não ofereciam o menor risco a quem delas participasse.
Seu comandante era o capitão Max Pruss, que fazia cumprir fielmente as severas regras de segurança de vôo a que todos estavam sujeitos. Dos passageiros confiscavam-se, na hora do embarque, todos os artigos de fumantes, enquanto os tripulantes usavam botas de feltro e trajes apropriados, desprovidos de botões metálicos. Além disso, a pressão do ar nos camarotes era suficiente para contornar qualquer problema de escapamento do hidrogênio.
Por volta das quatro horas da tarde o dirigível se aproximou pela primeira vez da torre de Lakehurst, mas como Pruss não gostou do aspecto de nuvens próximas que prenunciavam tormenta, obedeceu à determinação de não fazer o zepelim correr riscos desnecessários e decidiu cancelar a atracação. Duas horas depois, ao perceber que as nuvens negras se haviam dissipado, ele reiniciou o procedimento de chegada, comunicando ao Graf Zeppelin, nave irmã do Hindenburg, que a aterrissagem se havia completado sem incidentes. Foi quando aconteceu o desastre.
Primeiro houve uma explosão, logo seguida por uma língua de fogo na parte de trás da aeronave. Em seguida uma cortina incandescente se estendeu de imediato ao longo de toda a sua estrutura, com as chamas se erguendo a 150 metros de altura. Da cabine começaram a cair figuras de tamanho diminuído pela distância, e poucos segundos mais tarde o Hindenburg era apenas uma massa de escombros incandescentes. No desastre morreram vinte tripulantes, quinze passageiros e um membro do pessoal de terra, enquanto uma dúzia de pessoas ficou seriamente ferida.
A maior parte dos investigadores oficiais sugeriu que o incêndio havia sido motivado por uma descarga elétrica da atmosfera, mas 35 anos depois, o escritor Michael Mac Donald Mooney afirmou em seu livro intitulado Hindenburg, que o desastre tinha sido provocado por um membro da tripulação, o jovem mecânico Eric Spehl, que instigado por sua amante, uma militante anti-nazista, colocara uma bomba no interior da aeronave e a regulara para explodir após o pouso em Lakehurst, quando todos os passageiros já houvessem desembarcado do zepelim e ele estivesse vazio. Infelizmente, porém, Spehl não tivera como prever a demora na aterrissagem, provocada pelas dificuldades que as condições do tempo apresentava.
No Brasil, só ocorreu um acidente durante o período que os dirigíveis operaram na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Isso aconteceu quando um dos homens que seguravam as cordas não as soltou após ser dada a ordem para que as mesmas fossem liberadas. Por isso ele subiu com o dirigível, até que alguém avisou à tripulação, que resolveu retornar. Felizmente, o referido homem quebrou algumas telhas e machucou as pernas.
O Hindenburg tinha 245 m de comprimento, 41,5 m de diâmetro, voava a 135 km/h com autonomia de 14 mil quilômetros e tinha capacidade para conduzir 50 passageiros e 45 tripulantes. Já sua nave-irmã, o Graf Zeppelin, tinha 213 m de comprimento, 5 motores, transportava 35 passageiros e 45 tripulantes.





