E a H - ESPORTES - O último é o lanterna

A história do lanterna começou exatamente na primeira corrida de bicicletas conhecida como Volta da França (Tour de France), uma competição que é realizada anualmente naquele país, durante o mês de julho, e que obriga os ciclistas que dela participam a percorrer em três semanas uma distância média de 3.300 quilômetros, porque sua quilometragem é diferente a cada ano.

 

Essa prova inaugural aconteceu no ano de 1903, e as pessoas que a assistiam começaram a chamar de lanterne rouge (lanterna vermelha, em francês), os competidores que ocupavam as piores colocações, certamente inspirados nas luzes da mesma cor colocadas na traseira do último vagão dos comboios de trens, um meio de transporte muito popular naquela época. Com o passar dos anos, e o crescimento verificado na fama internacional da Volta da França, a expressão também passou a ser usada em outros países, inclusive a Inglaterra e Portugal.

 

Duas curiosidades podem ser lembradas a respeito da Tour de France, prova que costuma reunir centenas de competidores e é acompanhada de perto por mais de dois milhões de assistentes: o maior número de vitórias (cinco) foi conquistado por quatro ciclistas diferentes: o francês Jacques Anquetil, que ganhou as provas de 1957 e de 1961 a 1964; o belga Eddy Marckx, vencedor nos anos de 1969 a 1972, e em 1974; o francês Bernard Hinault, em 1978/1979, 1981/1982 e 1985; e o espanhol Miguel Induráin, que chegou em primeiro lugar nos anos de 1991 a 1995.

 

Por outro lado, o final mais disputado da corrida aconteceu em 1989, quando o americano Greg LeMond completou o percurso em 87h38m35s, derrotando o francês Laurent Fignon por uma diferença de oito segundos, apenas, depois de percorrerem em vinte e três dias (de 1º a 23 de julho), a distância de 3.267 quilômetros.

 

A expressão lanterna vermelha foi adotada em Portugal, mas no Brasil a preferência popular reduziu-a para lanterna, ou lanterninha, que ficou sendo assim a forma pela qual os torcedores nacionais passaram a chamar primeiramente os atletas individuais, e depois também as equipes de esportes coletivos que ocupam o último lugar nas competições que disputam.

 

As atividades esportivas têm sido objeto de classificações que procuram mostrar e destacar diferentes aspectos de sua estrutura ou dinâmica. Esse sistema foi desenvolvido tomando como base quatro critérios que caracterizam as exigências impostas por diferentes grupos ou categorias de modalidades aos participantes das mesmas. Na verdade, ele reúne um conjunto de categorias identificadas em alguns dos trabalhos mencionados, porém combinadas de forma diferenciada no que respeita às relações que podem ser estabelecidas entre elas.

 

Tais atividades podem, então, ser  divididas em quatro grandes agrupamentos a  partir da combinação de outras duas distribuições, o que permite construir uma matriz de análise que mesmo não incluindo todos os esportes, envolve uma parte importante do universo das modalidades. Resumidamente, pode-se dizer que esses critérios são:

 

a) se existe ou não relação com companheiros;

b) se existe ou não interação direta com o adversário.

 

Assim, e com base nesses princípios, é possível classificar as modalidades em individuais ou coletivas. Combinando-as teremos as seguintes categorias:

 

- Esportes individuais em que não há interação com o oponente - são atividades motoras em que a atuação do sujeito não é condicionada diretamente pela necessidade de colaboração do colega nem pela ação direta do oponente (atletismo, ginástica olímpica, natação, etc.).

 

- Esportes coletivos em que não há interação com o oponente - são atividades que requerem a colaboração de dois ou mais atletas, mas que não implicam a interferência do adversário na atuação motora (ginástica rítmica, nado sincronizado, remo, etc.).


- Esportes individuais em que há interação com o oponente - são aqueles em que os sujeitos se enfrentam diretamente, tentando em cada ato alcançar os objetivos do jogo evitando concomitantemente que o adversário o faça, porém sem a colaboração de um companheiro (judô, peteca, tênis, etc.).

 

- Esportes coletivos em que há interação com o oponente - são atividades nas quais os sujeitos, colaborando com seus companheiros de equipe de forma combinada, se enfrentam diretamente com a equipe adversária, tentando em cada ato atingir os objetivos do jogo, evitando, ao mesmo tempo, que os adversários o façam (basquetebol, futebol, voleibol, etc).

 

Com relação ao espaço físico em que a prática esportiva é realizada, o  que  é capaz de afetar a atuação dos praticantes, ele pode ser dividido no mínimo em duas categorias: uma reunindo as modalidades disputadas em ambientes que não sofrem modificações (como basquetebol, natação em piscina, judô, etc.), e a outra agrupando o conjunto de esportes em que o ambiente produz incertezas para o atleta (canoagem, iatismo, etc.).

 

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