I a M - MÁFIA - O que significa?
Existem algumas versões explicando o surgimento da organização conhecida como máfia. Uma registra que ela era constituída originalmente por pequenos grupos de malfeitores com alguma ou nenhuma organização, liderados por chefes locais, e seu aparecimento deveu-se às condições de vida que na época prevaleciam na ilha da Sicília, extremidade meridional da península italiana, tais como pobreza da população, estrutura feudal da sociedade, incapacidade dos poderes estatais de ministrar a justiça com alguma eqüidade, e outros mais.
Outra versão explica que ela derivou dos grupos armados organizados pelos senhores feudais no século 17, para proteger seus castelos contra ataques de outros senhores feudais, grupos esses que muitas vezes abandonavam sua finalidade defensiva para também roubar os bens alheios. E uma terceira hipótese estabelece que a sociedade nasceu no século 16, com a finalidade de resistir aos invasores que tentavam se apossar da ilha.
A palavra “mafia”, que não é uma sigla, pertence ao dialeto siciliano e foi inspirada em “mahyah”, expressão árabe cujo significado é o de insolência, audácia, ousadia e atrevimento, características que por sinal marcam a ação criminosa da sociedade que se fortaleceu graças a um sistema estrutural baseado em princípios hierárquicos rígidos, com núcleos familiares onde o “capo”, ou chefe maior, exerce poder absoluto sobre os demais membros. Existem, na Itália, quatro organizações que praticam atividades ilegais e violentas de toda ordem, dentro dessa mesma sistemática de funcionamento: A Cosa Nostra, na Sicília; a Camorra, em Nápoles: a N'drangheta, na Calábria e a Sacro Corona Unita, na Puglia.
Em meados dos anos 80 a Máfia atuava até mesmo na esfera pública italiana. Empresários, políticos de diversos cargos e achacadores compunham um sólido sistema criminoso, e qualquer um que resistisse a ele ficaria sujeito a muitos riscos. Mas a sociedade italiana não se deixou dominar por tanto tempo pelo crime organizado: tanto o Sistema Penal como o Judiciário foram devidamente modificados e dotados de instrumentos mais duros de combate ao crime organizado, e durante a Operação "Mãos Limpas", iniciada logo após essas providências, centenas de mafiosos foram presos, levados a julgamento e condenados, e até mesmo o primeiro-ministro Giulio Andreotti foi acusado de envolvimento com mafiosos.
A reação destes não demorou: cerca de 24 juízes e promotores foram assassinados enquanto a Máfia era investigada. Embora ela não desaparecesse por completo, perdeu muito poder, não obstante a sua aura ainda seja preservada em filmes e histórias que se contam a respeito. Seu declínio é uma comprovação irrefutável de que a teoria defendida por muitos, de que o crime organizado só é neutralizado mediante enérgicas ações do Estado e da sociedade, deveria ser transformada em ação rotineira das autoridades, algo muito diferente do que ocorre, por exemplo, com relação aos traficantes de drogas do Rio de Janeiro.
Durante anos o governo italiano lutou com dificuldade contra o poder paralelo criado pela máfia, cuja influência perniciosa chegou a se estender sobre a população de origem italiana residente nos Estados Unidos, mas a prisão de alguns dos seus líderes mais importantes, entre eles o mafioso Tommaso Buscetta, ocorrida no Brasil em 1984, proporcionou o recolhimento de informações valiosas que contribuíram decididamente para a captura de centenas de outros criminosos ligados a eles. Com isso o poder da organização criminosa finalmente recuou, embora não tenha sido totalmente aniquilado.
Talvez por causa de lendas criadas ao longo dos anos em que atuou impunemente, a máfia italiana tenha incentivado várias outras organizações semelhantes ao redor do mundo, como a japonesa e a alemã, por exemplo. Recentemente, a notícia publicada nos principais jornais brasileiros, de que “A Polícia Federal indiciou 31 parlamentares, entre antigos e reeleitos, por envolvimento com o esquema da máfia dos sanguessugas. A lista ainda é menos da metade dos parlamentares apontados no relatório final da CPI dos Sanguessugas, que acusou 67 deputados por alguma ligação com o esquema de superfaturamento de ambulâncias”, é uma prova de que o esquema mafioso é bem mais perigoso do que a princípio se possa supor.





