I a M - MARIONETES - Teatro de bonecos
As marionetes – também conhecidas como fantoches - são bonecos de pano ou de qualquer outro material, representando pessoas ou animais, movidos por meio de cordéis manipulados por pessoa oculta atrás de uma tela, em um palco em miniatura.
Instrumento de diversão, educação e propaganda, o teatrinho de marionetes representa para o palco o mesmo que o desenho animado para as telas cinematográficas. Dirigido, sobretudo, às platéias infantis, ele foi incorporado a programas de ensino, sendo utilizado, também, como eficaz meio psicoterapêutico, capaz de libertar as tensões das crianças e de canalizar suas capacidades expressivas.
A origem das marionetes parece ser italiana. Em Veneza, no século 10, realizava-se a festa das Marias, durante a qual doze jovens ricamente vestidas saíam em procissão pela cidade. Essas moças foram depois substituídas por estátuas de madeira, chamadas marione, que, reproduzidas em miniatura por fabricantes de brinquedos, receberam o nome de marionetta. No Brasil, por extensão, o termo afrancesado “marionetes” passou a designar bonecos, títeres e fantoches desenhados, em geral, por especialistas, confeccionados em madeira, pano ou papelão e movidos, através de fios, por pessoas treinadas.
A apresentação desses bonecos em teatro já fora feita pelos egípcios, hindus, gregos e romanos, entre outros povos. No Egito, um modelo de teatro de marionetes foi encontrado no túmulo de Kelmis, cantor de Osíris, deus e senhor dos mortos, enquanto na mitologia hindu conta-se que o deus Xiva, senhor da geração e destruição, apaixonou-se pela boneca móvel de sua esposa. Inúmeros autores da Grécia clássica, como Heródoto, Homero, Platão e Aristóteles, falam também de estátuas animadas e de exibições de marionetes, denominando-as agalmata neurospasta (imagens movidas por meio de nervos). Já os romanos chamavam-nas de puppae (bonecas), ou imaginunculae animatae (pequenas imagens animadas).
Após a queda do Império Romano as marionetes quase desapareceram como expressão teatral, mas reapareceram nas igrejas medievais, onde tiveram como objetivo tornar mais eficazes certas mensagens religiosas, entre as quais o presépio, que permaneceria por muitos séculos. Somente a partir do século 16 o espetáculo de marionetes tomou seu caráter preciso, e juntamente com a Commedia dell’Arte difundiu-se da Itália por toda a Europa, principalmente porque as personagens tornaram-se mais variadas e as técnicas de animação foram enriquecidas. No século 18, Polichinelo, uma das mais famosas marionetes de todos os tempos, passou das ruas de Paris para os requintados salões da cidade, como o de Voltaire.
Freqüentemente, em versões populares ou aristocráticas, as comédias animadas por marionetes eram adaptações de repertórios em moda nos grandes teatros. Testemunhos sobre esse curioso tipo de espetáculo são encontrados na obras de escritores famosos, como Goethe, Voltaire, Anatole France, Charles Dickens, Garcia Lorca e outros. No século 20, as marionetes passaram a ser empregadas também na televisão e no cinema.
Um dos países onde esse tipo de arte tomou maior impulso foi a Tchecoslováquia, em cuja capital foi organizada, em 1928, a União Internacional de Marionetes. Vinte anos depois, o espetáculo de marionetes foi integrado por lei ao sistema teatral do país, surgindo em seguida a Cooperativa Central dos Teatros de Marionetes. Na Academia de Teatro de Praga foi criado um curso de quatro anos para formar especialistas na técnica de marionetes, plasticidade cênica, dramaturgia e psicologia do espectador.
A confecção de uma marionete exige certos conhecimentos. Geralmente, no projeto de um boneco, os desenhistas recomendam a utilização de madeiras moles, como o pinho, ou qualquer tipo de plástico ou tecidos (recheados). Os desenhistas projetam também o vestuário e a exata localização dos vários fios que ligam a marionete aos dedos do operador, cuidados realmente necessários para assegurar a perfeita liberdade de movimentos.
A movimentação por meio de fios é característica das marionetes, que se distinguem por isso de outros bonecos usados nos teatros infantis, como os que recobrem a mão do operador (fantoche, títere de guante). Neste caso, o indicador é enfiado no pescoço e na cabeça do boneco, usando-se o polegar e o dedo médio para preencher os braços. Enquanto as marionetes são acionadas de cima do pequeno palco, esses outros bonecos são movimentados de baixo, da mesma forma que os títeres, que são apoiados em varetas e exigem um local para o operador, sob o palco. Nas marionetes o suporte é dado pelos fios que saem dos ombros; nos títeres, é dado pela vareta.
Existem também bonecos em que a movimentação é feita a um só tempo por fios, varetas e mãos do operador, como o bunraku, boneco japonês que possui quase 2/3 do tamanho de um adulto. Ele é acionado por três pessoas: uma delas insere a mão esquerda nas costas do boneco, controlando a cabeça por meio de uma vareta à qual estão ligadas alavancas auxiliares para os olhos, boca e sobrancelhas; as outras duas controlam mãos e pés.
Fonte: Enciclopédia Abril





