R a U - SELOS POSTAIS - Início do seu uso

A palavra selo vem do latim “sigillum”, o que por si só já diz tudo sobre o sentido do termo que agora usamos. Por isso, entre os seus significados encontra-se o de sinete, ou chancela, peça que serve a autoridades e particulares para fechar as cartas e assegurar sua inviolabilidade.

 

Esse cuidado tem sido observado desde longa data. Na região onde existiu a antiga Assíria, por exemplo, foram descobertos moldes desses selos, feitos de argila e pedra, enquanto no Museu do Louvre, em Paris, França, estão guardados dois sinetes de fino acabamento. A história romana também é rica em referências sobre o selo, a mesma coisa acontecendo nos séculos posteriores em virtude da generalização de seu emprego em todo o mundo civilizado.

 

Sobre o início de sua aplicação como tarifa de correio, a Inglaterra foi o primeiro país a instituir o selo postal, criação de Rowland Hill (1795-1875), membro do Parlamento inglês. Tratava-se do “one penny black”, um selo negro (ilustração) que trazia estampado na face o rosto da rainha Vitória. Colocado em circulação no dia 6 de maio de 1840, ele ajudou a resolver o problema do pagamento das taxas de entrega, cuja responsabilidade até então era atribuída aos destinatários. Mas como a cobrança não era uniforme, e tampouco existiam normas que regulassem a execução dos serviços, as devoluções acabavam provocando grande confusão e descontentamento para todos os envolvidos no problema. Após o sucesso alcançado com o selo postal na Inglaterra, o sistema acabou se espalhando por todo o mundo.

 

Sobre esse episódio, Franclim F. Ferreira, professor do Departamento de Engenharia, Eletrotécnica e de Computadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Portugal, esclarece em www.paginas.fe.up.pt/~fff/Homeopage, que “Tudo começou na Grã-Bretanha, em 1837, com a reforma do sistema de correio proposta por Rowland Hill. No essencial, a sua proposta consistia na adoção de uma taxa única bastante baixa, que não tivesse em conta a distância e as despesas de transporte e que fosse paga antecipadamente pelo remetente. Realmente, o sistema em uso, não só naquele país, como um pouco por todo o lado, era injusto, complicado e permitia diversas fraudes, como a que está no cerne da anedota que se conta estar na base das idéias reformistas de Hill. Ainda que verdadeira, os seus pormenores são inexatos e, de fato, não se passou com ele mas sim com Coleridge”.

 

“Segundo ela, Hill teria presenciado uma cena entre uma camponesa e o carteiro, que lhe trazia uma carta vinda de Londres. Como a distância entre a capital e esse local, situado na região dos lagos da Escócia, era considerável, o preço a pagar era elevado. A jovem mirava a carta de um e outro lado, parecendo lamentar não poder pagar a alta taxa, pelo que Rowland Hill, apiedado, se ofereceu para pagar o porte. Contudo, a rapariga recusou firmemente e despediu o carteiro. Intrigado, Hill interrogou-a e conseguiu apurar que, afinal, a carta só trazia uma folha em branco e a jovem se limitava a identificar uns pequenos sinais que o seu noivo, operário em Londres, colocava no verso do sobrescrito e lhe permitiam concluir que estava bem de saúde e continuava fiel. Desta forma, sem qualquer despesa, os dois jovens conseguiam trocar as suas mensagens”.

 

“A proposta de Rowland Hill não implicava necessariamente a criação do selo postal e a verdade é que até ao seu surgimento ainda haveriam de passar cerca de três anos. Quando, a 6 de Maio de 1840, se começaram a usar os primeiros selos postais, com as taxas de 1 penny, preto (o famoso "pennyblack) e 2 pence, azul, iniciava-se uma verdadeira revolução dos serviços postais. O sucesso da inovação está bem patente nos seguintes números: de 73 milhões de cartas enviadas em 1838 passou-se para 642 milhões em 1863. Mais impressionante é ainda o lucro obtido, que subiu, no mesmo intervalo de tempo, de 1,66 para 1,79 milhões de libras e isto apesar da drástica redução do valor dos portes”.

 

No Brasil, o serviço de correio apareceu em 1663, esteve interrompido durante certo tempo, foi reorganizado em 1799, mas só começou a prosperar de 1808 em diante, graças a D. João VI que o organizou em bases mais sólidas. O lançamento do olho-de-boi, em 1º de agosto de 1843 (na ilustração acima), nos colocou como o segundo país a implantar selos no mundo, embora exista a versão de que a Suíça tenha tomado a mesma providência pouco tempo antes. Além do papel de taxa que uniformiza a cobrança dos serviços de correios, o selo postal transformou-se também em veículo de propaganda turística, social e política.

 

A filatelia é o estudo ou colecionação de selos postais usados por diferentes países, e por extensão, de outras peças a eles relacionadas como carimbos, cartas remetidas, cartões postais, etc. Ela se desenvolveu por toda parte e adquiriu foros de atividade que deixou de ser apenas capricho e passatempo, passando a representar uma força estimuladora de aptidões científicas e importante veículo de congraçamento entre as pessoas.


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