R a U - TORTURA, Meios de - CEGONHA
Assemelhando-se muito mais a um instrumento de imobilização, pois prendia juntos os pés e as mãos do torturado, impedindo que ele fizesse qualquer movimento, a cegonha era, no entanto, um aparelho de tortura tão terrível quanto os demais utilizados pelos interrogadores da época medieval, pois provocava, em poucos minutos, fortes câimbras no infeliz a ele submetido, primeiramente nos músculos lombares e abdominais, depois nos peitorais e nos membros superiores e inferiores, o que com o passar das horas se transformava em uma agonia atroz e continuada. Uma vez colocada nessa situação, a vítima podia ainda ser queimada, açoitada ou mutilada, dependendo da vontade ou do prazer que isso causava a seus torturadores.
Mas como apenas o aparelho da cegonha não satisfazia integralmente os inquisidores, eles também se valiam de diversos outros recursos não menos cruéis para extrair do acusado a confissão de que ele era realmente um feiticeiro. Registros existentes sobre esses procedimentos perversos descrevem que as vítimas femininas eram totalmente depiladas pelos torturadores à procura de um suposto sinal de Satã, que tanto podia ser uma simples verruga como uma pequena mancha na pele; ou então mamilos excessivamente enrugados (neste caso, os mamilos representariam a prova de que a bruxa "amamentava" os demônios), e outros mais. Porém, como normalmente tal sinal não conseguia ser identificado, por mais que o procurassem, os verdugos presumiam que ele se ocultava em uma região insensível do corpo, ou então em uma parte da qual não sairia sangue, mesmo tendo sendo ferida. Pensando dessa maneira, os torturadores espetavam todo o corpo da vítima usando pregos e lâminas, à procura do suposto sinal.
A Inquisição foi um tribunal eclesiástico que vigorou na Idade Média e começo dos tempos modernos, que julgava os hereges e as pessoas suspeitas de um posicionamento não-católico. Sua origem remonta ao século IV, mas foi a partir do século X é que se registraram numerosos casos de execuções de hereges na fogueira ou por estrangulamento. Inicialmente, não havia um tribunal organizado, mas sim bispos nomeados inquisidores ordinários, com a missão de visitar duas vezes ao ano as paróquias pertencentes às suas dioceses, onde houvesse suspeitas de heresias. Em 1233, contudo, o papa Gregório IX criou uma corte eclesiástica, denominada Inquisição Delegada, por meio da qual a Santa Sé enviava eclesiásticos aos lugares infectos. A partir daí, principalmente através da ação dos frades dominicanos, começou a precisar-se a legislação e jurisprudência do Tribunal do Santo Ofício, ou da Inquisição.
O processo nesses casos era de rito sumário, e muitas vezes o acusado ignorava até mesmo o nome do acusador. Mulheres, crianças e escravos eram admitidos a testemunhar na acusação, mas não na defesa, e o processado que porventura delatasse parentes, amigos ou outras pessoas, gozava de regalias. O padre dominicano Bernardus Guidonis (1261-1331), enumerou no seu Liber Sententiarum Inquisitionis (Livro de Sentenças da Inquisição), vários métodos para a obtenção de confissões, dentre os quais encontrava-se tortura física através de aparelhos, como a Virgem de Ferro e a Roda do Despedaçamento; através de humilhação pública, como as Máscaras do Escárnio, além de torturas psicológicas como obrigar a vítima a ingerir urina e excrementos.
De forma geral, as execuções eram realizadas em praças públicas e tornava-se um evento onde os nobres e os plebeus deliciavam-se com os suplícios impostos aos condenados, suas súplicas e posterior execução. Atualmente, diversos museus existentes no mundo expõem aos visitantes algumas ferramentas e aparelhos utilizados nessa atividade hedionda.





