Ilhas e arquipélagos - ARQUIPÉLAGO DE ABROLHOS - Bahia

Em 1503, quando a expedição do navegador italiano Américo Vespúcio, então a serviço de Portugal, passou pela região do arquipélago, ele anotou a seguinte frase de alerta na sua carta de navegação: "Quando te aproximares da terra, abre os olhos". Foi daí que surgiu o nome dado a esse trecho do oceano Atlântico, cheio de recifes de corais e distante setenta quilômetros da costa brasileira, na região sul do estado da Bahia. Ele é dividido em duas áreas distintas: a maior delas constituindo o arquipélago de Abrolhos, e a menor englobando os recifes de Timbebas e o Parcel dos Abrolhos (nome dado a rochas ou corais sob a água, que praticamente ficam abaixo da linha de maré a maior parte do tempo).

 

Das descrições feitas a seu respeito, uma diz que na região entre Caravelas, sul da Bahia, e São Mateus, norte do Espírito Santo, prolonga-se por mais de duzentos quilômetros mar à dentro, uma plataforma continental formando planaltos submersos com profundidades médias de 200 metros, em cujos trechos rasos formaram-se numerosos recifes de coral muito perigosos para a navegação. É nessa área que se situa o arquipélago de Abrolhos, um maravilhoso ecossistema marinho com profundidades médias de cinco metros, águas transparentes, relativamente calmas e com temperatura entre 22 e 24 graus, e que hoje forma o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, criado pelo decreto 88.218 de 06 de abril de 1983. Nele se encontram as ilhas de Santa Bárbara, Siriba, Redonda, Sueste e Guarita, dispostas em arco por serem, provavelmente, restos da borda de uma cratera vulcânica.

 

Toda a flora e fauna existente nessas áreas, tanto dentro quanto fora d’água, estão sob proteção do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), não sendo permitido ali qualquer tipo de pesca, caça ou atividade que possa causar dano ao meio ambiente, bem como a introdução de qualquer espécie animal ou vegetal, para não alterar o ecossistema existente. Além disso, inúmeras regras também devem ser seguidas por quem visita o arquipélago. Entre os motivos que justificaram a transformação do arquipélago em Parque Nacional Marinho, estão os seguintes:

 

- Possui o maior banco de corais do Atlântico Sul. São mais de dezoito espécies, das quais sete só existem no Brasil.


- Todos os peixes que habitam o Atlântico Sul podem ser ali encontrados.


- É a única área do Atlântico sul para onde as baleias Jubarte migram entre os meses de junho a novembro, para reproduzirem-se, fugindo assim do inverno antártico.


- Além do seu valor histórico e cultural, possui, também, grande potencial turístico devido sua beleza cênica.

 

Com a proibição da pesca em seu interior, o arquipélago transformou-se em local seguro para a procriação de muitas espécies marinhas. Mas embaixo d’água é que se escondem as maiores surpresas de Abrolhos, pois suas águas claras de temperatura amena, naufrágios e grande diversidade de fauna marinha, fazem de lá um dos melhores locais para a prática do mergulho em todo o mundo.

 

Na ilha de Santa Bárbara, que é a maior das cinco existentes no arquipélago, moram os militares responsáveis pela operação e manutenção dos equipamentos lá instalados (um farol construído e inaugurado em 1861, e um receptor-transmissor), que garantem a segurança da navegação nesta área, além da prestação de outros serviços importantes, como o apoio às embarcações que se dirigem à ilha e as que navegam em alto mar; coleta e divulgação de dados meteorológicos; auxilio na busca e salvamento de quem se encontra em situação de perigo no mar; apoio às embarcações avariadas, e fornecimento de informações à Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), para confecção de Carta Sinótica do Atlântico Sul, usada por todos os navegantes. Os membros da guarnição militar permanecem dois anos na ilha, findo os quais poderão então ser substituídos.

 

Os turistas não podem visitar nem muito menos permanecer na Ilha de Santa Bárbara, porque ela é considerada área de Segurança Nacional. Para que possam desembarcar na mesma, é exigida prévia autorização do Comando do Segundo Distrito Naval, sediado em Salvador-BA. Quanto às demais - Redonda, Sueste, Guarita e Siriba - são monitoradas pelo IBAMA, sendo a última delas a única que pode ser visitada, e mesmo assim com a supervisão dos fiscais.

 

O arquipélago de Abrolhos foi palco de uma batalha naval em 12/09/1631, entre a esquadra luso-espanhola composta por 20 naus chefiadas por Antônio Oquendo, e a esquadra holandesa de Adrien Pater, que saíra de Recife com 16 navios, levando a bordo 2.200 marinheiros e soldados, ao encontro do primeiro. Na manhã daquele dia o combate começou quando o almirante holandês investiu contra a nau capitânia espanhola, mas foi atacado por um galeão inimigo. O navio de Pater afundou levando consigo o comandante, mas sua guarnição foi recolhida pelos espanhóis. Desastre semelhante ocorreu com a nau do vice-almirante holandês Thyzoon. Só à tarde é que os combatentes se separaram, sem que nenhum deles pudesse dizer quem tinha sido vencedor, quando, porém, conseguiu cumprir sua missão, que era a de desembarcar socorros para o arraial do Bom Jesus e a capitania da Paraíba. Essa batalha naval provocou reações profundas na disposição das tropas holandesas, que abandonaram Olinda e fortificaram-se em Recife, receosas de um duplo ataque por mar e terra.

 

Na análise dos especialistas dessa área, “Abrolhos apresenta uma formação coralina única no mundo, o chamado ‘chapeirão’, cuja forma lembra um cogumelo que vai do fundo (16 metros) até a superfície. Em vários locais, alguns chapeirões se desenvolvem próximos um dos outros, unindo-se pelo topo e formando bancos de recifes que representam grande obstáculo à navegação. No período de julho a novembro as baleias jubarte chegam com o propósito de reprodução e cria de seus filhotes. Entre os peixes, destacam-se as garoupas, barracudas, badejos, pargos, caranhas, meros, enguias, arraias e moréias e outros mais, além de tartarugas, golfinhos, tubarões e uma infinidade de peixinhos coloridos, o que dá a Abrolhos a aparência de um magnífico aquário natural. Em terra, as ilhas vivem abarrotadas de aves marinhas que também escolheram este paraíso para se multiplicarem. Toda essa rica fauna motivou, em 1830, a visita de Charles Darwin ao arquipélago, para realizar alguns estudos”.

 

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