Serras e montanhas - PICO DA NEBLINA - Amazonas

O Pico da Neblina está situado na serra do Imeri, norte do Amazonas, fronteira com a Venezuela. Com 2.993,78 metros de altura - segundo medição feita em 2004 pelo Instituto Militar de Engenharia (INE), em parceria com o IBGE, dentro do projeto Pontos Culminantes do Brasil - ele é considerado o mais alto em todo território brasileiro. Seu nome deriva do fato de que sua parte superior fica praticamente encoberta por espesso nevoeiro durante quase todo o ano.

 

A primeira informação sobre o Pico da Neblina foi dada em 1953 pelos membros de uma expedição venezuelana, que deram a ele o nome de Cerro Phelps, homenagem ao ornitologista venezuelano William H. Phelps Junior, filho de americanos. Posteriormente, em 1962, pesquisadores brasileiros e venezuelanos o sobrevoaram em vôos de reconhecimento, constatando que estava em território brasileiro, mais precisamente no município de Santa Isabel do Rio Negro, e a pouca distância do Pico 31 de Março, que serve como divisa entre o Brasil e a Venezuela. Outra versão a esse respeito sustenta que ele foi descoberto na década de 50 pelo comandante Mario Jucá, da antiga companhia de aviação Panair do Brasil, que ao sobrevoá-lo quando não estava escondido pelo nevoeiro, determinou sua altura baseando-se apenas no altímetro da aeronave que pilotava.

 

Até meados de 1960, a região onde se situa o Pico da Bandeira era uma verdadeira “terra sem-dono”, esquecida pelos ocupantes do poder público brasileiro e entregue à sanha de brasileiros e estrangeiros interessados apenas em explorar os seus recursos naturais. As autoridades brasileiras se viam às voltas com litígios fronteiriços, problemas que se arrastavam sem solução através dos anos, mas em 1965 o Brasil decidiu dar um passo adiante na busca de uma solução definitiva para essas pendências, e para tanto enviou à região uma Comissão Mista de Limites liderada pelo general Ernesto Bandeira Coelho.

 

Anos depois, resolvidas as questões, foi criado em 05 de junho de 1979 o Parque Nacional do Pico da Neblina, segunda maior área de preservação ambiental em território brasileiro e terceira da América Latina, com o objetivo específico “de proteger uma amostra representativa do ecossistema amazônico”. Localizada no habitat da representação indígena mais expressiva do país, a região hoje abriga em terras demarcadas uma pequena população dos índios ianomanis, e por esse motivo há necessidade de que se consiga autorização do IBAMA para se penetrar em sua área.

 

O Pico da Neblina, alvo permanente da atenção de cientistas e pesquisadores, tem em sua vizinhança próxima a segunda maior elevação do país, o Pico 31 de Março, com 2.972,66 metros. Plantas de grande porte e vegetação fechada, típicas de florestas equatoriais, são normalmente encontradas até os mil metros de altitude, pois desse patamar em diante, e até os 1.700 metros, são substituídas por árvores de tamanho médio e pequeno, em vegetação mais aberta. Daí para cima prevalece a vegetação rasteira conhecida como “vegetação de altitude”.


O Pico da Neblina está situado próximo à linha do equador, e como na região praticamente não existe uma estação seca, é difícil alguém escapar das chuvas fortes, tanto na ida quanto na volta da viagem turística. Embora o período em que elas ocorrem em maior volume vá de agosto a novembro. A temperatura média no lugar varia conforme a altitude: do chão aos 700 metros é de 32°C durante o dia, caindo para 19°C durante a noite. Mais para cima e chegando aos 1.400 metros, os registros indicam 20°C e 13°C, respectivamente, caindo para 19°C e 5°C até os 2.500 metros. Daí ao topo os termômetros costumam acusar por volta de 15°C durante o dia, e 1°C no período noturno. 

 

A visita ap Pico da Neblina equivale a uma verdadeira aventura. Segundo informações divulgadas pelas empresas de turismo que oferecem rotas para essa área, o planejamento ideal seria o do interessado voar até Manaus e prosseguir, também em avião, ou então de barco, até a localidade de São Gabriel da Cachoeira. De lá ao pico são mais 140km, que podem ser vencidos em um barco, numa viagem fluvial de dois dias, ou em cinco dias de caminhada por uma trilha existente. Ou seja, o freguês é quem escolhe.

 

Em outra sugestão o turista deve partir do município de São Gabriel da Cachoeira e percorrer 85km de carro, enfrentando depois mais dois dias de viagem em um barco, pelo rio Caubuiris. Na terceira etapa do percurso, o aconselhável é que ele caminhe no primeiro dia até os dois mil metros de altitude, para em seguida, após uma noite de repouso, seguir até o cume do pico, o que lhe exigirá bastante disposição e condicionamento físico.

 

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