Mangues lagos e lagoas - LAGO DO PIRANHA - Amazonas
A cidade de Manacapuru, carinhosamente chamada de Princesinha do Solimões, está localizada na margem esquerda do rio Solimões. Sede de um município com área de 7.062km2, e ligada a Manaus, capital do estado, por rodovia de 84km (ou 88km por via fluvial), tem uma população estimada em torno de 100 mil pessoas, o que a coloca como terceira localidade do Amazonas segundo esse critério. Elevada à categoria de cidade em junho de 1932, Manacapuru é dona de rico e belo patrimônio arquitetônico construído durante os áureos tempos do ciclo da borracha, e tem sua economia atual baseada na agricultura, no extrativismo vegetal e na pesca. Seu fuso horário é atrasado uma hora em relação a Brasília.
Entre suas diversas belezas naturais inclui-se o Lago do Piranha, Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) criada pela lei 09, de 04 de julho de 1997, por iniciativa da prefeitura local, cujos 103 mil hectares de área preservada representam 14% do território municipal. Situado próximo à foz do rio Manacapuru, esse complexo tem como objetivo a proteção do ecossistema de várzea predominante na região, promovendo o desenvolvimento sustentável e buscando o melhorar a qualidade de vida das comunidades locais. Cerca de 39 famílias residem na Reserva (a maior parte delas em casas flutuantes construídas sobre toras, para acompanhar o sobe-desce das águas), sobrevivendo da pesca que lhes garante não só a alimentação, como também modesta fonte de renda.
Segundo as autoridades ligadas ao setor, até bem pouco tempo a abundância de aves e peixes atraía grande número de pescadores e caçadores àquelas paragens, e o resultado desse interesse aventureiro foi que a atividade predatória desenvolvida por eles chegou a provocar sérios danos a fauna do lugar. O que chegou ao fim, praticamente, com a implantação da Reserva, que trouxe com ela resguardo e proteção para a biodiversidade do complexo.
A Reserva é rota migratória e de reprodução para aves como a garça branca, o jaburu, a jaçanã e o pato do mato. As gaivotas que têm o lago como habitat, e que volta e meia mergulham em suas águas buscando o peixe que lhes serve de alimento, preparam seus ninhos na copa das árvores circundantes, e ali se reproduzem. A garça é outra espécie alada encontrada no local, mas como tem um longo pescoço, o que lhe facilita a captura da presa em águas rasas, ela não mergulha para conseguir o que quer, preferindo buscar sua refeição nas áreas de terra alagada. Os mergulhões também são freqüentadores habituais da Reserva, e como exímios pescadores que são, não têm qualquer dificuldade em conseguir o almoço durante os vôos rasantes realizados sobre a superfície do lago.
O gavião-de-cabeça branca e o amaguari, mais duas aves que têm a área como local de reprodução, se juntam às outras centenas de espécies voadoras que colaboram para manutenção do ecossistema de várzea da Reserva, e ao vê-las ocupando em plena e sossegada liberdade, o espaço que a natureza lhes concedeu, torna-se difícil ao observador acreditar que aquele verdadeiro paraíso natural tenha sido, um dia, uma das maiores áreas de caça da Amazônia. Antes da implantação da Reserva, muitos turistas de Manaus e outros lugares visitavam o lago apenas para praticar tiro ao alvo, atividade que ao se tornar proibida permitiu às aves retornarem a habitar o ambiente que antes lhes pertencia.
Segundo o site Portal da Amazônia, a fauna da Reserva do Piranha é rica em pescado e animais silvestres. Em uma viagem pelo lago é possível encontrar um dos maiores predadores da América, o jacaré-açu, também conhecido como jacaré negro, um predador do topo da cadeia alimentar, com tamanho médio de 3,5m e mais de 300kg de peso, mas que pode atingir até 6m de comprimento (já foram encontrados exemplares com mais de 5,5 metros de comprimento e possivelmente 1/2 tonelada de peso). O alto valor de sua pele estimulava a matança desses répteis, e por isso o mercado internacional tornou-se responsável pelo contrabando de mais de um milhão de unidades desse tipo de couro, o que, há 10 anos, fez com que o jacaré-açu entrasse para a lista das espécies ameaçadas de extinção.
O Portal também revela que as águas do Piranha escondem uma grande quantidade de pescado, sendo o tucunaré e a piranha dois exemplos dessa abundante fauna aquática. A vegetação de várzea completa o cenário amazônico da Reserva, formando planícies inundadas e sujeitas às cheias que ocorrem em determinadas épocas do ano. Pelo entorno do lago é possível encontrar espécies vegetais bem interessantes, sendo uma delas o apuizeiro que, na verdade, se trata de uma planta parasita que envolve o tronco de alguma outra árvore e dela se alimenta, num abraço que ao final de algum tempo sufoca e mata a hospedeira. Outra espécie vegetal encontrada na região é a sumaúma, árvore que resistiu à devastação da floresta e se tornou famosa por seu porte imponente (pode alcançar até 40 metros de altura e possui qualidades medicinais, alimentícias e industriais, tendo sua madeira alto valor comercial para construção).
A principal riqueza do complexo onde se situa o Lago do Piranha é a biodiversidade, pois além de garantir a sobrevivência da fauna, da flora e do homem, e de propiciar um grande potencial para a pesquisa, o turismo ecológico e a educação ambiental, a reserva é considerada uma área privilegiada por ser local de reprodução e ficar na rota migratória de diversas espécies de ave da região.
Fonte: Portal da Amazônia (www.portalamazonia.globo.com),





