Língua Portuguesa - PALÍNDROMOS
Quando a frase ou o verso tem o mesmo sentido, não importando se a leitura seja feita da direita para a esquerda, ou da esquerda para a direita, estamos diante de um palíndromo. Essa palavra foi adotada do grego (palíndromo), e seu significado é o de “que volta sobre seus passos”, ou então o de “que ocorre em sentido inverso”. É o caso, por exemplo, da expressão Roma me tem amor, ou A base do teto desaba, que significam a mesma coisa quando lida nas duas direções. Mas assim como elas, diversas outras também podem ser construídas por quem se disponha a brincar com as letras, desde as curtas e simples, como ovo, até algumas mais longas e de difícil arrumação.
O criador da expressão foi o poeta grego Sótades, nascido no final do século 4 ou princípio do século 3 a.C., autor de poemas licenciosos e sátiras grosseiras e obscenas com as quais atacava de forma contundente os reis da Macedônia e Egito. Em razão disso ele procurou refúgio na cidade egípcia de Alexandria, mas acabou sendo descoberto, preso, e em seguida atirado ao mar, envolto em chumbo, por ordem do rei Ptolomeu II.
São muitos os exemplos de palíndromos interessantes e curiosos. Num deles, os americanos contam que um homem chegou ao paraíso, encontrou-se com uma mulher e disse-lhe: “Madam, I'm Adam (madame, eu sou Adão)”, e ela respondeu “Eve”. Algumas outras dessas frases, embora não nos remetam ao início da humanidade, estão relacionadas logo a seguir:
Eu? ué...
Somávamos.
Após a sopa.
Lá tem metal.
Libânio, o inábil.
Marujos só juram.
A droga da gorda.
A torre da derrota.
A grama é amarga.
Roma me tem amor.
A mala nada na lama.
A base do teto desaba.
Assim a aia ia à missa.
Lá na cabana, bacanal.
Sá dá tapas e sapatadas.
Saíram o tio e oito Marias.
Eva, asse e pape essa ave.
O azarado teme toda razão.
Anotaram a data da maratona.
Sós, reveses e teses. E versos?
Átila Toledo mata modelo Talita.
Oto come doce seco de mocotó.
Zé de Lima, rua Laura mil e dez.
Laço bacana para panaca boçal.
A diva em Argel alegra-me a vida.
É, tio, na Somália bailamos à noite.
Orava na fila com o califa nu e avaro.
Ele pode por acaso sacar o pé do Pelé.
Até o poder do povo é ovo podre do poeta.
O pó de cocaína mata o maníaco cedo, pô.
Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos.
Seco de raiva, coloco no colo caviar e doces.
Me vê se a panela da moça é de aço, Madalena Paes, e vem.
O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro.
Luza Rocelina, a namorada do Manuel, leu na moda da romana: anil é cor azul.





