Língua Portuguesa - EUFEMISMO

Eufemismo é uma figura de pensamento que consiste em exprimir idéias desagradáveis, tristes, desonestas ou odiosas, por meio de palavras suaves e brandas. Seu emprego entre os antigos adquiriu freqüentemente grande importância religiosa. Naquela época, considerava-se de mau presságio qualquer palavra que despertasse uma idéia inquietadora, razão pela qual ela era substituída, mesmo no texto das leis, por outra que não fosse considerada agourenta, que não provocasse reações nem prognósticos indesejados.

 

Assim, para designar as terríveis Erínias, as deusas da vingança que moravam no Inferno e subiam à Terra para castigar os crimes, especialmente o assassinato de parentes, falava-se nas Benfazejas; do mesmo modo como ao Ponto Euxino, nome que os antigos gregos davam ao atual Mar Negro, tristemente famoso naqueles tempos pelos naufrágios que nele ocorriam, chamava-se freqüentemente de Mar Hospitalar.

 

Na antiguidade romana, a denominação de agouro, ou profecia, se aplicava às respostas dadas por qualquer sacerdote de uma corporação de adivinhos. Uns - os augures - sondavam a vontade dos deuses míticos a fim de prever o desfecho de qualquer empreendimento já em curso, ou ainda a ser realizado. Outros - os arúspices, auspícios -baseavam suas predições observando os raios e trovões; ou analisando o comportamento, o vôo e o canto dos pássaros; ou meditando sobre a conduta de quadrúpedes e répteis; ou também levando em conta certas ocorrências, como o derramamento de sal, o aparecimento de um mendigo, o tropeçar de um cavalo ou a morte de uma criança. As adivinhações baseadas em observações relacionadas com os pássaros tinham o nome de auspícios, enquanto as demais eram invariavelmente classificadas como agouros.

 

Ao tempo dos conquistadores romanos, nenhuma iniciativa, principalmente de caráter militar, se levava a termo sem a consulta ao agouro. Com o correr do tempo, entretanto, os adivinhos passaram a servir os donos do poder, transformando a própria função em instrumento de ambição e de vingança, razão pela qual a instituição dos agouros acabou desaparecendo de Roma.

 

Modernamente procura-se muitas vezes evitar a menção de certas partes do corpo consideradas íntimas, de certos atos deselegantes, indecentes ou considerados dessa forma, e em várias outras situações e oportunidades. Em razão disso a linguagem corrente criou numerosas expressões eufemísticas que se consagraram pelo uso, a ponto de, às vezes, substituir completamente a expressão inicial.

 

Alguns exemplos:

 

- Comendo capim pela raiz (em vez de sepultado).

- Ela é minha ajudante (em lugar de empregada doméstica).

- Ele entregou a alma a Deus (em lugar de ele morreu).

- Ele foi convidado a desligar-se da escola (em lugar de expulso da escola).

- Ele não foi feliz nos exames (em vez de ele foi reprovado).

- Ele subtraiu os bens de tal pessoa (em vez de furtou).

- Ele vivia da caridade pública (em vez de esmolas).

- Enriqueceu por meios ilícitos. (em vez de roubou).

- Era uma estrela divina que para o firmamento voou (em lugar de morreu).

- Ir para a terra dos pés-juntos (em vez de cemitério).

- Nos fizeram varrer calçadas, limpar o que todo cachorro faz (em lugar de fezes).

- O regime cubano peca em alguns quesitos democráticos (em vez de ditadura).

- Passar os cinco dedos (em vez de roubar).

- Quando a indesejada chegar (em lugar de a morte).

- Trata-se de um usurpador do bem alheio (em lugar de ladrão).

- Verdades que esqueceram de acontecer (em lugar de mentira).

- Vestir o paletó de madeira (em vez de morrer).

- Você faltou com a verdade (em lugar de você mentiu).

 

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