Língua Portuguesa - ONOMATOPÉIA

A palavra onomatopéia e uma figura de retórica que consiste na semelhança existente, através da imitação, entre o som de uma palavra e a realidade que a mesma representa, seja ela relacionada com ruídos, gritos, o canto dos animais, o som de máquinas ou dos instrumentos musicais, o timbre da voz humana e o barulho que acompanha os fenômenos da natureza. Mas apesar de serem sempre uma aproximação, e nunca uma reprodução exata, podem ser aproveitadas em prosa ou verso como recurso estilístico, criando efeitos sonoros.

 

As onomatopéias podem ser puramente fonéticas quando consistem na imitação, o mais que possível exata, do som que elas representam, como acontece com o “toc-toc” dos saltos dos sapatos, o “tum, rum, tum”, da batida de alguém na porta de sua casa, ou do bi bi, bi da buzina de um automóvel,oue estão enquadradas em dois grupos:

 

- as que não constituem vocábulos da língua, pois apenas procuram reproduzir os sons por elas representados – como é o caso do zzzz, (quando alguém está dormindo).

 

- e as que são vocábulos como outros quaisquer, já que seguem as regras de construção ortográfica e possuem classificação sintática e morfológica idênticas às demais palavras, tal como acontece com os verbos miar e piar, aos quais correspondem onomatopéias puras (miau e piu, respectivamente).

 

A partir deste fenômeno surgiram vocábulos com configuração onomatopéica. São os que têm o poder de sugerir uma imagem mais ou menos aproximada do que exprimem, a partir da existência de certos fonemas cuja natureza faz lembrar o fato designado. É este onomatopeísmo que dá expressividade às palavras que designam fenômenos sonoros (clique, crepitar, estalido, estrondo, matraquear, murmúrio, sussurro, tilintar); às que designam vozes de animais (cacarejar, coaxar, grunhir, miar, piar, uivar, zurrar, ou atos sonoros produzidos pelas cordas vocais e afins (assobiar, cochichar, fungar, roncar, tossir).

 

As onomatopéias são empregadas normalmente através da fala, em conversas, relatos e explanações de quem viu, ouviu, participou ou tomou conhecimento de alguma coisa, para enfatizar o que está sendo revelado. Como, por exemplo, na informação de que “o sujeito vinha com seu carro pela avenida, entrou no cruzamento sem olhar se vinha alguém de lá, e aí pum!, se arrebentou debaixo de um caminhão”, que se torna muito mais realista – principalmente quando acompanhada pelo movimento das mãos do narrador -, que a simples menção de que houve uma batida na esquina. Mas também é usada na forma escrita, em textos e poemas, como nos exemplos seguintes:


- Foi só abrir a porta e, atchim, ele espirrou.

 

- Meu carro nunca tinha dado nenhum problema. Foi você botar a mão nele e creu... (quebrou, deu defeito).

 

- Marcelo entrou na sala e nem tchum pra mim (olhou, prestou atenção).

 

- E ele continuava com seu pepepê-pepepê no ouvido dela (falou muito e de forma constante).

 

- Aquele cara é só nhenhenhém (falatório interminável).

 

- E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano (Machado de Assis).

 

- Passa tempo. / Tic-tac, Tic-tac. / Passa hora, chega logo. / Tic-tac,Tic-tac. / E vai-te embora. / Passa-tempo, / Bem depressa, / Não atrasa, Nem demora…” (Vinícius de Morais).

 

- Aqui é a floresta subterrânea de hálito podre parindo cobras / Rios magros obrigados a trabalhar / As raízes inflamadas estão mastigando lodo / Batem martelos ao fundo / Soldando serrando, serrando / Estão fabricando terra.../ Uê! Aqui estão mesmo fabricando terra (Cobra Norato, de Raul Bopp).

 

Outros exemplos de onomatopéias:

 

Ah! – grito

Ai! –dor ou grito emoção

Ai, ai.. – lamentação

Arghn! / Urgh! – som de nojo ou repulsa.

Au Au! - Cão latindo

Bang, bang – tiroteio

Buááá... – choro

Cócóricó - Galo cantando

Din-don: o som da campainha

Grrr! – grunhido

Há! Há! Ha!– riso

Miau! – miado

Muuu – mugido (boi, vaca)

Nhemmm – rangido

Oops! – espanto; medo; surpresa

Piu-piu: canto do passarinho

Plaft - tapa

Quack, quack – pato

Shhhh! – Silêncio

Snif: fungado.

Tibum: o som de alguém caindo

Tchibum – mergulho

 

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