Mundo Misterioso - STONEHENGE (Inglaterra)
Na planície de Salisbury, sul da Inglaterra, ergue-se um indecifrável conjunto formado por pedras de grandes dimensões - ao qual se dá o nome de Stonehenge - que constitui um enigma tão grande quando o das pirâmides. Reunidas originariamente em dois círculos concêntricos, elas permanecem até hoje fomentando dúvidas e dando origem a suposições e teorias sobre sua origem e objetivo.
Essa construção remonta provavelmente à Idade do Bronze, ano 3.000 a.C., período da civilização em que se iniciou no Oriente o uso de tal liga metálica (mistura de cobre e estanho). Em sua forma primitiva o anel externo do conjunto media 86 metros de diâmetro, e o interior 30 metros, ambos compostos por grandes pedras retangulares colocadas verticalmente sobre o solo, encimadas por pedras semelhantes dispostas horizontalmente.
Os estudos feitos do local sugerem que o monumento de pedra tenha sido erguido em três ou quatro etapas, de 2.800 a 1.110 a.C.., e depois abandonado por motivos desconhecidos. Até hoje não se encontrou uma versão que explique de forma satisfatória como os construtores de Stonehenge, que não dispunham de outro recurso além da força dos braços, primeiramente conseguiram transportar pedras com toneladas de peso através de dezenas de quilômetros, e depois, como as colocaram de pé. O fato é que elas lá estão, algumas com cinco metros de altura e tão grossas que três homens de mãos dadas talvez não conseguem abraçá-las.
Diversos autores da Grécia antiga referiram-se a esse conjunto megalítico, e um deles foi o filósofo e historiador Hecateu, que viveu por volta dos anos 300 a.C. Natural de Abdera, cidade situada no litoral da Trácia, ele escreveu muitas obras das quais são conhecidos apenas fragmentos, como no caso da História dos Hiperbóreos, onde afirma em determinado trecho que nas terras situadas em algum lugar da região hoje compreendida pela Grã-Bretanha, Noruega e Suécia, “... ergue-se um templo notável, de forma circular, dedicado a Apolo, deus do Sol”.. Nos mapas gregos da antiguidade, Hiperbórea, habitada por um povo mítico, localizava-se além da França, uma terra desconhecida onde “o sol nascia e punha-se apenas uma vez ao ano...”, e que nela “havia quantidades massivas de ouro guardadas pelos grifos”, animais fabulosos com corpo e pernas de leão, e cabeça e asas de águia. Outras descrições gregas a concebem como uma teocracia governada por três sacerdotes do deus Apolo, e sua capital continha um templo circular onde dezenas de asnos eram sacrificadas em sua honra.
Ao que parece, em meados de 1100 a.C. Stonehenge foi abandonada por razões que não se consegue precisar quais tenham sido, o que resultou em seu completo esquecimento e abandono por mais de dois milênios. Até que em 1130 da era cristã, um padre inglês, Henry Huntingdon, escrevendo sobre a história britânica, incluiu em seu texto a observação de que apesar de abandonado, o conjunto de pedras em Salisbury tinha uma existência mística, razão pela qual constituía uma das mais intrigantes incógnitas da Inglaterra. A partir daí, perguntas sobre o assunto começaram a ser feitas por estudiosos ou simples curiosos, redundando em uma série de suposições e hipóteses sobre o que realmente teria acontecido naquela planície.
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Apesar do que se diz a respeito as indagações primárias continuam sem resposta, entre elas a que procura saber de onde teriam vindo os blocos enormes existentes no monumento, já que na planície não existem montanhas nem pedreiras? Como essas pedras teriam sido erguidas, e por quem? Por que elas foram levadas exatamente para aquele lugar? Quem de fato construiu o monumento, e por qual razão? Seus autores trabalharam sozinhos, ou tiveram ajuda de algum outro povo ou civilização? Nesse caso, qual teria sido?
Entre as conjeturas sobre a origem e destinação do conjunto, está a de que ele seria um templo dos sacerdotes druidas, ligados aos celtas, ou então, e posteriormente, dos invasores saxões, mas em época mais recente a prova com carbono-14, feita para determinar a idade de ruínas e restos encontrados por arqueólogos, definiu que Stonehenge surgiu em época bem anterior à chegada daqueles dois povos no território britânico.
No terreno da criatividade imaginosa, já se ponderou que certa lenda atribui ao mago Merlin, personagem das lendas gaulesas e do ciclo da Távola Redonda, no século 10, a afirmativa de que as pedras possuíam força curativa contra determinados males, tendo sido colocadas ali por uma desaparecida raça de gigantes irlandeses. Nos tempos modernos, não faltaram os defensores da tese de que a finalidade da construção do conjunto era a de servir de marcação para os locais de pouso das espaçonaves de visitantes do espaço, o que explicaria a presença anunciada, mas não comprovada, de possíveis OVNI’s nas proximidades do monumento megalítico.
No início do século 19, quando as explorações na área se tornaram mais minuciosas, o arqueólogo inglês, Richard Colt Hoare, encontrou em um monte funerário pré-histórico muito próximo de Stonehenge, “o esqueleto de um homem alto tendo ao lado um machado, vários punhais e objetos de cerimonial, incluindo uma clava com a parte superior de pedra polida e engastes de osso trabalhado”. Alguns arqueólogos atribuíram a grande riqueza deste e outros túmulos a guerreiros da idade do bronze que teriam se fixado em Stonehenge e orientado a população nativa na construção do monumento. Um dos lugares de origem propostos para estes invasores foi Micenas, a grande cidadela homérica, no continente grego, pois alguns dos objetos preciosos, nomeadamente as contas de cerâmica e os discos de âmbar ligados com ouro, indicavam relações comerciais com a região do mar Egeu, e remotamente com o Egito.
Na matéria “Últimos Mistérios do Mundo”, publicada em Seleções do Readers Digest, explica-se que na última década o interesse do público foi despertado por determinadas teorias que apresentavam Stonehenge como um complicado observatório astronômico. A estrutura do conjunto parece incluir alinhamentos relativos ao nascer e ocaso da Lua, o que pode perfeitamente ter sido influenciado pela conclusão de que ela não segue os movimentos anuais do sol. Na realidade, além do seu próprio esquema mensal relativo ao nascer e ao ocaso, a Lua segue outro ciclo com duração de 18,61 anos.
Próximo ao monumento, cerca de 40 covas para a fixação de postes, agrupadas em seis filas, coincidem com a posição mais setentrional da Lua durante este ciclo, sendo possível que correspondam a seis ciclos lunares, ou seja, a mais de um século de meticulosa observação dos movimentos da Lua. A explicação definitiva está, porém, longe de ser alcançada, pois o monumento conserva um halo misterioso que tem resistido, durante séculos, a pesquisas e suposições.
Se Stonehenge foi muito provavelmente um observatório e um templo, pode também ter se prestado a outros objetivos que continuam pertencendo ao reino do desconhecido.






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