Período republicano - 1938 - INTEGRALISMO - Desfecho

O movimento integralista cresceu rapidamente a partir de 1935. Em fins de 1937, já tinha 4.000 células com 400.000 filiados, dos quais aproximadamente 40% eram ativistas, a maior parte agindo nas cidades, tentando convencer as pessoas de que os problemas econômicos da época - um prolongamento da grande crise econômica iniciada em 1929 - só podiam ser resolvidos pela força de um governo autoritário de estilo fascista. Esse descontentamento também era capitalizado pela esquerda que se organizava em torno da Aliança Nacional Libertadora, chefiada Luis Carlos Prestes.

 

Em abril de 1935 o congresso aprovou uma Lei de Segurança Nacional que embora visasse a Aliança Nacional Libertadora, obrigou o integralismo a dissolver suas milícias. A repressão que se seguiu à fracassada intentona comunista de novembro desse ano favoreceu o partido de Plínio Salgado, que capitalizando o clima anticomunista e antiliberal da época, elegeu centenas de vereadores e mais de vinte prefeitos nas eleições de 1936. O integralismo desenvolvia campanha em favor do chefe da nação pregando o fortalecimento do seu governo, a extinção dos partidos políticos e da influência de grupos regionais, mas como as eleições presidenciais de janeiro de 1938 se aproximavam, sem que Vargas definisse quem teria o apoio governista, a AIB lançou Plínio como candidato, em fins de maio de 1937.

 

O clima político continuava violento porque o governo buscava nessa violência a justificativa para se fortalecer. Plínio Salgado afirmou ter recebido de Getúlio Vargas, em setembro desse mesmo ano, um projeto de constituição a ser imposto por um golpe de estado; e que o presidente lhe pedira que fizesse um desfile integralista a seu favor, para provar seu prestígio junto às Forças Armadas. Isso foi feito, mas antes de atendê-lo o integralismo deu outra importante contribuição aos planos do governo: forjou um plano comunista de tomada do poder, o “Plano Cohen”. Um oficial integralista, o capitão Olímpio Mourão Filho, informou o general Góis Monteiro, chefe do Estado-Maior do Exército e partidário de uma ditadura de Vargas, sobre essa conspiração, e a 30 de setembro, o general Eurico Gaspar Dutra, ministro da Guerra, a denunciou. No dia seguinte o Congresso aprovou a suspensão dos direitos constitucionais, que havia sido negada em junho.

 

No dia 1º de novembro, 25.000 militantes integralistas uniformizados e militares filiados ao movimento, desfilaram na capital federal em solidariedade a Vargas. No dia 10, o presidente fechou o Congresso e impôs uma nova constituição, apresentando o Estado Novo sem fazer nenhuma alusão aos integralistas. “Nessa noite fiquei definitivamente convencido de que estávamos alijados desde o primeiro dia”, diria mais tarde Plínio Salgado. A 3 de dezembro, Vargas decretou a dissolução dos partidos políticos, inclusive a Ação Integralista Brasileira, cujos líderes, ressentidos com o que chamavam de “a traição de Vargas”, planejaram sua própria conspiração.


Inicialmente, eles pretenderam atacar o Palácio Guanabara na noite de 10 de março de 1938, quando prenderiam Vargas e sua família. Mas a conspiração foi descoberta antes de acontecer, obrigando Plínio Salgado, Jorge Lacerda e outros chefes a se refugiarem em São Paulo. Com isso o general José Maria Castro Junior foi aclamado chefe dos conspiradores e continuou se reunindo com seus companheiros sem que os órgãos de segurança do governo tomassem conhecimento disso, e foram eles que determinaram a nova data - 11 de maio - para invasão do palácio. Desse grupo fazia parte o tenente Severo Fournier, cujas anotações mostram que o golpe nascia fracassado: “O início do movimento estava marcado para a 1 da manhã, mas até as 11 da noite do dia 10 não tínhamos nenhuma notícia dos homens que os comandantes Cockrane e Faria deveriam nos enviar, como ficara combinado na véspera. Combinou-se com detalhes até o modo de fazê-los chegar ao QG da avenida Niemeyer, mas a espera foi em vão, com a falência também do capitão Palma, que num curioso fenômeno de auto-redução contínua, viu-se finalmente na contingência de negar, sucessiva e progressivamente, desde cinqüenta homens que lhe pediram inicialmente, até nove sargentos dos trezentos que ele dizia reunir diariamente”.

 

Muitos dos que compareceram a reunião do dia 10 não participariam do golpe, ou falhariam no dia seguinte. Outros foram aprisionados e não puderam prender as autoridades, um dos primeiros objetivos do plano. Apenas o coronel Canrobert Pereira da Costa, chefe de gabinete do ministro da Guerra, foi feito prisioneiro pelos conspiradores. Enquanto isso, os integralistas tentavam tomar edifícios públicos e estações de rádio. Fournier atacou o palácio que estava praticamente sem defesa, mas Vargas e sua filha Alzira resistiram de armas em punho, ajudados por alguns guardas legalistas, e chamaram a Polícia Especial. Quando as forças policiais chegaram, Fournier mudou de idéia: não ia mais atacar o palácio, pois não acreditava no sucesso do golpe.

 

E o plano de fato fracassou. Os chefes Severino Fournier, Belmiro Valverde e Júlio Nascimento foram presos e condenados a dez anos de prisão. Até os clubes esportivos que haviam sobrevivido, foram desmantelados. O integralismo terminaria por desmoralizar-se com a derrota do nazismo e do fascismo na Segunda Guerra Mundial (1938-1945), mas apesar disso Plínio Salgado procurou rearticular o movimento fundando em 1945 o Partido de Representação Popular – PRP, rejeitando a acusação de que o integralismo tentara um golpe fascista em 1928. Diria ele que aquela conspiração fora  “um contragolpe aspirando à verdadeira vida constitucional do Brasil”.

 

Durante a guerra os integralistas eram freqüentemente acusados de quinta-colunas (espiões) da Alemanha nazista no Brasil, embora o movimento tenha passado a maior parte desse período proscrito e com muitos dos chefes aprisionados. Considera-se mais provável que de fascista tivesse ele apenas a inspiração, usada com objetivos nacionais e de forma um tanto diferente. O principal mentor da tentativa de criar uma agremiação política de caráter paramilitar e inspiração nazista, foi Gustavo Barroso, uma vez que Plínio Salgado parecia considerar os símbolos, uniformes e marchas, apenas uma técnica para assegurar o interesse das bases, e não a essência do movimento.

 
Leia também: BRASIL - 1932 - INTEGRALISMO - Seu começo

Fonte: Enciclopédia Brasileira

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