Período republicano - 1945 - UDN E A FRENTE AMPLA, A

A oposição comum ao Estado Novo e a Getúlio Vargas era o único elemento a reunir os diversos grupos, alguns até antagônicos, que se comporiam no "partido da redemocratização", numa conjuntura política marcada pela mudança na cena política Internacional em favor dos Aliados. Foi, portanto, como um movimento, uma ampla frente de oposição, que surgiu a UDN, em torno da bandeira das liberdades democráticas e da candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes à presidência da República.

 

Na época da fundação os seguintes grupos compunham a UDN: a) as oligarquias destronadas com a Revolução de 1930; b) os antigos aliados de Getúlio, marginalizados em 1930 ou 1937; c) os que participaram do Estado Novo e se afastaram antes de 1945; d) os grupos liberais com forte identificação regional; e) as esquerdas.

 

Os membros das oligarquias destronadas a partir de 1930 eram os perremistas mineiros (membros do antigo Partido Republicano Mineiro - PRM) liderados por Artur Bernardes; os perrepistas paulistas (membros do antigo Partido Republicano Paulista - PRP), em torno de Júlio Prestes; os autonomistas baianos, vinculados a Otávio Mangabeira, e os clãs políticos-familiares, como os Konder, em Santa Catarina, os Caiado, em Goiás, os Correia da Costa, em Mato Grosso, os Nery, no Amazonas, José Augusto e seu grupo no Rio Grande do Norte e o grupo de Leandro Maciel, em Sergipe. E havia também os grupos mais recentes, surgidos depois de 1930, como os Távora, no Ceará, os Sampaio e Cleofas, em Pernambuco, e os representantes da burguesia baiana, como Clemente Mariani, entre outros.

 

Os antigos aliados de Getúlio eram os "tenentes" que se sentiram traídos, como Eduardo Gomes e Isidoro Dias Lopes; os membros da Aliança Liberal, como os gaúchos fiéis a Antônio Augusto Borges de Medeiros, e os mineiros, como Antônio Carlos Ribeiro de Andrade e Virgílio de Melo Franco; o candidato apoiado por Getúlio às eleições frustradas em 1937, José Américo de Almeida; os governadores dissidentes ou alijados do poder em 1937, como José Antônio Flores da Cunha (RS), Carlos de Lima Cavalcanti (PE) e Juraci Magalhães (BA), e demais políticos como Pedro Aleixo e Odilon Braga.

 

Os que participaram do Estado Novo eram os que apoiaram e tiveram cargos públicos durante a ditadura, mas romperam com Getúlio ou com as forças locais situacionistas antes de 1945. Entre outros, incluíam-se nesse grupo Osvaldo Aranha, ministro das Relações Exteriores até 1944; Gabriel Passos, procurador-geral da República até 1945; Ademar de Barros, interventor em São Paulo até 1942; Argemiro de Figueiredo, interventor na Paraíba até 1940, e Ernâni Sátiro, chefe de polícia em João Pessoa até 1940.


Os liberais nos estados eram os libertadores gaúchos, em torno de Raul Pilla, e os mineiros inspiradores do Manifesto, como Mílton Campos; os Melo Franco, Olavo Bilac Pinto, Luís Camilo e José de Magalhães Pinto. Ao grupo paulista pertenciam os egressos do Partido Constitucionalista ou do Partido Democrático, que se reuniram na União Democrática Brasileira (UDB) em torno da candidatura de Armando de Sales Oliveira; professores da Faculdade de Direito; jornalistas ligados ao O Estado de São Paulo; membros da aristocracia rural e até dissidentes do velho PRP. O grupo fluminense incluía intelectuais vinculados à Associação Brasileira de Escritores e a União dos Trabalhadores Intelectuais, bem como bacharéis mais conservadores e líderes católicos do Centro Dom Vital.

 

As esquerdas constituíam uma categoria composta de três grupos: os políticos e intelectuais de tendências socialistas, que formariam a Esquerda Democrática, como Hermes Lima, João Mangabeira e o antigo militante da Aliança Nacional Libertadora (ANL) Domingos Velasco; os comunistas dissidentes da linha oficial do partido (que pregava a aproximação com Getúlio), como Silo Meireles e Astrojildo Pereira (este assinou a ata de fundação da UDN), e estudantes ou recém-egressos do movimento estudantil de tendência socialista, cuja militância, desde 1942, era especialmente atuante em São Paulo (Faculdade de Direito do largo de São Francisco), no Rio de Janeiro, em Pernambuco e em Minas Gerais.

 

De abril a outubro de 1945 o lenço branco da campanha do brigadeiro - em homenagem à campanha de Teófilo Otoni, no Império - foi acenado por todo o país, numa mobilização que reunia dos liberais-conservadores aos socialistas, passando pelos intelectuais engajados e estudantes. Uma campanha da classe média para cima, enfim; os setores mais populares, organizados em sindicatos ou associações afins, permaneceram em geral, fiéis à política trabalhista iniciada por Getúlio ou à palavra de ordem dos comunistas.

 

Ainda no decorrer de 1945 dissolveu-se a frente ampla. Os antigos membros dos partidos republicanos estaduais (mineiros, paulistas, pernambucanos e maranhenses) saíram da UDN para reorganizar o novo Partido Republicano (PR) em seus estados. Os gaúchos liderados por Raul Pilla formaram o Partido libertador (PL). Surgiu uma nova frente de apoio ao brigadeiro: as Oposições Coligadas, UDN-PL-PR. A Esquerda Democrática se transformou em partido autônomo em 1946, o novo Partido Socialista Brasileiro (PSB). E Ademar de Barros desligou-se da UDN para organizar o Partido Republicano Progressista (PRP), mais tarde Partido Social Progressista (PSP). Não abandonou, publicamente, a candidatura do brigadeiro, mas aproximou-se dos pessedistas e petebistas, preparando sua ascensão política em São Paulo, onde se elegeria governador em 1947.

 

Fonte: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro CPDOC – Fundação Getúlio Vargas


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