Período republicano - 1945 - UNIÃO DEMOCRÁTICA NACIONAL - UDN
União Democrática Nacional, fundada a 7 de abril de 1945 como uma "associação de partidos estaduais e correntes de opinião" contra a ditadura estadonovista, caracterizou-se essencialmente pela oposição constante a Getúlio Vargas e ao getulismo. Embora tenha surgido como uma frente, a UDN organizou-se em partido político nacional, participando de todas as eleições, majoritárias e proporcionais, até 1965. Seu principal adversário das urnas era o Partido Social Democrático (PSD), de representação majoritária no Congresso. Na Câmara dos Deputados a UDN manteve o segundo lugar até 1962, quando perdeu para o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Elegeu governadores, especialmente no Nordeste, e integrou vários ministérios, inclusive no governo Vargas. Perdeu três eleições presidenciais consecutivas (1945, 1950 e 1955) e apoiou a candidatura vitoriosa de Jânio Quadros em 1960 e o movimento militar de 1964.
Contradições e cisões acompanharam a trajetória udenista. Coexistiram na UDN teses liberais e autoritárias, progressistas e conservadoras. O partido que vota a favor do monopólio estatal do petróleo (1953) e contra a cassação dos mandatos dos parlamentares comunistas (1947) é o mesmo que se opõe à intervenção do Estado na economia, denuncia a "infiltração comunista" na vida pública e contesta os resultados quando perde as eleições. O partido ficou marcado pela vinculação com os militares e as aspirações das camadas médias urbanas, identificando-se, também extrapartidariamente, com o udenismo. Expressão de mentalidades e estilos de ver e fazer política, o udenismo caracterizou-se pela defesa do liberalismo clássico, o apego ao bacharelismo e ao moralismo e o horror aos vários "populismos". Em termos de imagem pública a UDN e o udenismo sempre provocaram polêmicas: o "partido dos cartolas" ou o "partido dos golpistas", por um lado; o "partido dos lenços brancos" e o "partido da herança liberal", por outro.
O preâmbulo da plataforma udenista de 1962 advertia que "de nada valem as formas de governo, se é má a qualidade dos homens que nos governam". Essa postura moralista costuma ser apresentada como argumento para justificar a imagem da UDN como o "partido das classes médias". A afirmação é correta, no sentido de que a UDN era o único grande partido que se dirigia diretamente e explicitamente às classes médias - nos programas, nos discursos, na imprensa, nos meios militares, sobretudo, através de denúncias de corrupção administrativa e "proletarização". Era o partido que se proclamava herdeiro dos movimentos liberais de classe média na história brasileira. Mas, em termos de interesses econômicos, a UDN expressava também os interesses dos proprietários de terras e da indústria aliada ao capital estrangeiro. Pela origem social de seus membros não havia, igualmente, uma especial identificação do partido com os setores médios: a UDN tinha, no Congresso, mais proprietários de terra do que o PSD, e este tinha mais funcionários públicos do que aquela.
Três fases, inter-relacionadas, porém distintas na ênfase dada ao "inimigo principal" da luta política, resumem a história da UDN:
1) a fase da oposição sistemática a Getúlio Vargas (quanto à política social e à intervenção do Estado na economia);
2) a fase de denúncias de corrupção administrativa, visando atingir a aliança governista PSD-PTB e que explica a aproximação com o moralismo janista; e
3) a fase do anticomunismo radical, que explica a reaproximação com Ademar de Barros, e que culminaria na participação ativa na deposição de João Goulart.
Embora não contasse com a soma de recursos do PSD, a UDN não era propriamente um partido pobre. Era proprietária de sua sede, um andar inteiro no centro do Rio de Janeiro, do qual alugava as salas restantes. Os parlamentares contribuíam com uma porcentagem de seus salários (em 1965 esta contribuição era de seis mil cruzeiros), um "livro de ouro" recolhia doações e o partido promovia intensas campanhas financeiras para as eleições presidenciais. O símbolo da UDN era uma tocha olímpica com as labaredas e o lema "O preço da liberdade é a eterna vigilância". Há controvérsias sobre a origem da frase, atribuída, entre outros, a Burke, Jefferson e Patrick Henry, este último participante da Convenção de Filadélfia.
Como os demais partidos a UDN foi extinta pelo Ato Institucional nº. 2, de 27 de outubro de 1965. A grande maioria de seus parlamentares ingressou na Aliança Renovadora Nacional (Arena), então o partido do governo. Em alguns estados, no entanto, a antiga UDN continua presente nas disputas eleitorais, contra o tradicional adversário, ou seja, os remanescentes do PSD.
Fonte: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro CPDOC - Fundação Getulio Vargas





