Universo - COMETAS
A idéia popular de cometa é de um astro vistoso, com uma cabeça brilhante e uma longa cauda. Assim eram os objetos que causaram pânico em povos antigos, talvez pelo fato de quebrarem a aparente imobilidade das estrelas. Quando se soube que a passagem do cometa de Halley (1910) seria visível, era crença popular que o fato causaria graves acontecimentos. Houve mesmo quem pensasse em “fim do mundo”.
Embora alguns cometas sejam realmente vistosos, grande número deles está relativamente distante, e muitos nem têm cauda, mas constituem importante fonte de informações sobre a origem do sistema solar. Há mais de seis mil cometas registrados, mas sabe-se que eles são apenas uma pequena fração de um número muito maior. O astrônomo alemão Johannes Kepler afirmava que os cometas “são mais numerosos que os peixes do mar”; e, na realidade, eles parecem ser os habitantes de um mar em que nadam em todo o sistema solar. Os cometas que podem ser observados passam relativamente perto do Sol, e enquanto alguns permanecem visíveis durante anos, outros, depois de algumas semanas, ou alguns dias, desaparecem.
Todos se movem em órbitas cônicas, sob a ação do Sol, mas também submetidos a perturbações planetárias. Os que têm órbita elíptica são periódicos, pois retornam ao periélio, (ponto mais próximo do Sol), a intervalos regulares, exceto quando perturbados por planetas. Três quartos dos conhecidos têm, aparentemente, órbita parabólica, e cerca de 20 deles aparentam mover-se hiperbolicamente. O movimento de um cometa pode ser direto (sentido dos ponteiros de um relógio), ou retrógrado (acompanha o movimento dos planetas). Cerca de 70 deles, com períodos oscilando entre 3 e 9 anos, constituem um grupo onde todos se movem em sentido direto e brilho mais fraco e, quando possuem cauda, ela é pequena. Seus afélios (pontos mais afastados do Sol) encontram-se perto de Júpiter, que evidentemente exerce influência marcante nos seus movimentos (por isso são considerados como da família de Júpiter).
Conhecem-se cerca de quarenta cometas com período entre dez e mil anos. Devido às grandes dimensões de suas órbitas, eles raramente se aproximam de planetas maiores, e seus movimentos, portanto, não sofrem perturbações freqüentes. Alguns deles, entre os quais o cometa de Halley, cuja aparição tem sido registrada desde 240 antes de Cristo, têm movimentos retrógrados. O astrônomo inglês Edmund Halley (1656-1742), que lhe deu o nome, descobriu que ele era periódico, pois suas órbitas de 1531 e de 1607 (e provavelmente a de 1456) eram idênticas. Previu, daí, que seu retorno ocorreria em 1758, mas não viveu para vê-lo. Em 1910, embora grande parte do povo achasse que aquele seria o último ano da Terra, os cientistas sabiam que o cometa seria observado novamente por volta de 1984, pois leva, em média, 77 anos para girar em torno do Sol (com variações de no máximo três anos, devido a perturbações).
Dependendo da excentricidade, as órbitas dos corpos celestes são elípticas, parabólicas ou hiperbólicas. Daí que os cometas podem ser agrupados da seguinte forma:
- Cometa de Período Muito Curto - cometa elíptico cujo período é inferior a 10 anos.
- Cometa de Eclipse - o que é descoberto por ocasião de um eclipse total do Sol.
- Cometa de Longo Período, ou Parabólico - aquele cuja órbita é praticamente uma parábola.
- Cometa de período Intermediário - aquele cujo período é compreendido entre 10/200 anos, e cuja órbita é uma elipse alongada.
- Cometa elíptico - aquele cuja órbita é elíptica. Os cometas de curtos períodos e os cometas de períodos intermediários apresentam órbitas elípticas.
- Cometa hiperbólico - aquele que tem a peculiaridade de o cálculo da sua órbita conduzir a uma hipérbole, o que indica a possibilidade de não ser ele um membro próprio do sistema solar. São os cometas de períodos muito, muito longos.
- Cometa Periódico - aquele cujo retorno é previsível e pode ser observado. São os periódicos, os cometa de curto período, e o cometa de período intermediário.
- Cometas Rasantes Solares - são os cometas que passam muito próximos ao Sol e por vezes acabam mergulhando diretamente nele.
A origem dos cometas é ainda nebulosa, mas os dados estatísticos sobre suas órbitas permitem afirmar que pertencem ao sistema solar. Supõe-se que um grande anel de cometas circunda o nosso sistema planetário à distância de 200.000 unidades astronômicas, cada uma delas equivalendo a 149.597.870,691 km. (que a luz percorre em 500 segundos, ou 8,3 minutos). Nessa distância as perturbações pelas estrelas mais próximas tornam-se importantes e alguns cometas são forçados a entrar em órbitas menores, diminuindo a distância do periélio. Predomina, então a perturbação causada pelos grandes planetas, principalmente Júpiter.
Segundo professores do Observatório do Harvard College, nos Estados Unidos, um cometa seria formado por produtos da condensação das partes exteriores da nebulosa solar. Moléculas e elementos leves se aglomerariam lentamente em pequenos fragmentos sólidos, dando origem a gases congelados pelas temperaturas mais baixas dessas regiões. Meteoritos e poeiras cósmicas encontrados pelo caminho também se ajuntariam com o tempo, e ao se aproximar do Sol esse aglomerado se aqueceria, sublimando-se então as substâncias sólidas, formando o cometa. Este tem três partes características:
- o núcleo, com aparência de estrela, constituído de material sólido. É dificilmente observável e muito pouco conhecido devido a seu pequeno tamanho, que vai de dezenas a poucas centenas de quilômetros (o núcleo de Halley, por exemplo, seria de 16 quilômetros).
- a cabeleira, ou coma, uma atmosfera de forma aproximadamente esférica, no centro da qual está o núcleo. Constituiu-se predominantemente de moléculas neutras e átomos com variável mistura de poeira. A superfície brilhante da coma decresce rapidamente com a distância do núcleo e não tem contorno definido. O diâmetro é da ordem de 50 a 250 mil quilômetros.
- a cauda, freqüentemente alcançando dimensões de 20 a 30 milhões de quilômetros. Gás e poeira estão presentes nelas, mas separam-se no espaço e seus caminhos têm curvaturas diferentes.
A expulsão de material cometário em direção contrária ao Sol forma a cauda. A força repulsiva, agindo sobre partículas de poeira, produz uma cauda bastante curva, enquanto a parte formada por gases tem curvatura menor. Nas caudas de poeira, as forças de repulsão são da mesma ordem de grandeza que a atração do Sol. Um cometa observado em 1843 tinha uma cauda de 320 milhões de quilômetros, cerca de duas vezes a distância da Terra ao Sol. Observam-se, também, cometas com várias caudas, como o de Chéseux, que possui seis caudas. As repetidas viagens ao redor do Sol provocam considerável desgaste nos cometas, sobretudo nos pequenos, que podem, entretanto, sobreviver a várias de passagens pelo periélio, de modo que a vida de um cometa de curto período pode ser de poucos milhares a dezenas de milhares de anos. Os cometas com periélios grandes podem subsistir por centenas de milhares de passagens próximas ao Sol, e sua vida média é comparável à do sistema solar.
Fonte: Enciclopédia Abril





