Universo - ESTRELAS CADENTES (02)

Durante muito tempo as estrelas cadentes foram interpretadas como corpos atmosféricos misteriosos, sendo-lhe atribuído o prenúncio de eventos maléficos. Os gregos já sabiam que este fenômeno não correspondia à mudança ou queda de estrelas reais, pois estas eram fixas e distantes, mas não encontraram uma explicação para os rastos luminosos do firmamento. Hoje se sabe que elas são pequenos corpos não maiores que uma ervilha, que gravitando em torno do Sol, ao atingirem a atmosfera terrestre em grande velocidade tornam-se incandescentes pelo choque com as moléculas de ar, reduzindo-se na maioria a pó antes de alcançarem o solo. Os maiores, resistindo ao calor da fricção, conseguem chegar até nós: são os meteoritos, que podem ser admirados nas coleções dos museus de História Natural. Quando ainda no espaço interplanetário, antes de atingirem a atmosfera terrestre, eles têm a designação de meteoróides.

 

Muitas partículas largadas pelos cometas dispersam-se em enxames ou correntes por todos os lados, podendo acontecer que cruzem a atmosfera terrestre. Muitas, com dimensões microscópicas, atingem os oceanos e os continentes, enquanto outras ficam suspensas na estratosfera. Os cientistas vêm recolhendo e analisando este material com o auxílio de microscópios eletrônicos e micro-sondas, e têm verificado que as amostras correspondem a compostos de carbono pouco ou nada alterados, representando o material primordial que compôs a nuvem de gás e poeira que esteve na origem do sistema solar.

 

Os meteoritos tiveram papel destacado na vida dos nossos antepassados porque sua queda e proveniência constituíam na época um mistério indecifrável. Por isso foram transformados em talismãs pretensamente protetores, ou então, quando metálicos, aproveitados como armas e ferramentas porque constituíam excelente matéria-prima para o fabrico de diversos utensílios e objetos de defesa, havendo evidências de que foram utilizados com essa finalidade pelos povos egípcios, maias, incas, astecas e os esquimós. Alguns hieróglifos egípcios mostram que aquela civilização tinha conhecimento de que os meteoritos provinham do firmamento, porque eram designados como ferro do céu. Também no plano religioso os meteoritos ocuparam lugar de destaque nos tempos passados, pois como a queda de um desses corpos celestes de tamanho relativamente grande poderia representar algo extremamente atemorizante para os homens, não era raro que os antigos atribuíssem ao evento um caráter sobrenatural. Muitas tentativas de localizar meteoritos mencionados em relatos diversos acabaram por conduzir os pesquisadores a templos onde esses objetos eram mantidos em lugares resguardados. Os exemplos da Pedra Negra ligada ao culto da deusa Cíbele, e do objeto negro de adoração na Caaba - edifício erguido aproximadamente no centro da grande mesquita de Meca - são evidência disso.

 

Mas ao longo da História o homem não se contentou apenas em usar ou adorar estes corpos caídos do céu. Ele também procurou explicá-los, vendo-os como fenômenos da natureza, ainda que extraterrestres. São conhecidas tentativas dos gregos nesse sentido. O filósofo Anaxágoras (500-428 a.C), valeu-se dos seus conhecimentos astronômicos para afirmar que algumas pedras podiam cair na Terra, provenientes do Sol. Por seu lado, o filósofo Diógenes (413-327 a.C.) postulou uma conexão entre os meteoritos e as estrelas, situando assim a sua fonte fora dos limites da Terra. Aristóteles (384-322 a.C.) considerou os meteoros como fenômenos atmosféricos, conquanto a sua concepção de atmosfera fosse diferente da atual. Não se referiu porém aos meteoritos como pedras provenientes do céu.

 

No Ocidente, a queda mais antiga de um meteorito, cujo material ainda se encontra preservado, deu-se em Ensisheim, na Alsácia. Tratava-se de um meteorito pétreo que caiu a 16 de Novembro de 1492, às 11 e 30 minutos, antecedido de uma violenta detonação. Pesava 260 libras e penetrou dois metros no chão. Diz-se que o Imperador Maximiliano se referiu a ela como a proclamação do sinal de Deus diretamente contra os turcos.

 

Os sábios da época não tiveram conhecimento da pedra de Ensisheim e, posteriormente, declararam a queda como um milagre de Deus, escamoteando o caráter natural do fenômeno. A verdade é que o meteorito pétreo de Ensisheim (pelo menos o seu maior fragmento de 54,7 Kg) ainda se encontra presente no átrio do edifício da câmara da cidade. Foi esta atitude da Idade Média, atribuindo as descrições de quedas de pedras do céu a fenômenos divinos, que fez com que a idéia de os meteoritos caírem realmente do firmamento só muito mais tarde viesse a ser aceite.

 

Notícias de Alandroal, em Portugal, deram conta da queda de um meteorito em seu território. Isso aconteceu em 14 de novembro de 1968, e segundo testemunhas, o clarão luminoso foi visto às 18 horas e 55 minutos, durando de 1 a 3 segundos. A pedra foi encontrada cerca de 10 minutos depois, com dois pontos incandescentes afastados 20 centímetros um do outro, que se extinguiram pelas 23 horas. Ainda estava quente quando foi retirado às 11 horas do dia seguinte, o mesmo acontecendo com a terra da cratera que cavou ao se chocar contra o solo.

 

A profundidade desse buraco foi de 80 centímetros, aproximadamente, e a pedra (ilustração acima) com 30x20x10cm, peso de 25,250 kg, e superfície lisa a ondulada, encontra-se hoje Centro de Geologia da Universidade de Lisboa.

 

Fonte: www.portaldoastronomo.org

 

Deixe um comentário:

  

      

  

caracteres restantes.


Comentários:


Nenhum comentário.