Período colonial - 1711 - MOTIM DOS PATRIOTAS

Renè Duguay-Trouin (1673-1736), corsário e oficial de marinha francesa (ilustração), empreendeu em 1711 uma expedição ao Rio de Janeiro, com a intenção de vingar a derrota e a morte do também corsário e companheiro de armas, Jean-François Duclerc, assassinado em seu cárcere, uma casa confortável na rua da Quitanda, região central daquela cidade, no dia 18 de março de 1711. Comandando uma esquadra de dezoito navios com 740 peças de artilharia e 10 morteiros, além de uma tropa composta por 5.764 homens, ele penetrou sem ser visto na baia de Guanabara (em 12.09.1711), aproveitando o forte nevoeiro que cobria a entrada da barra, e no dia seguinte tomou a ilha das Cobras. Em seguida, após 3.500 soldados terem desembarcado no continente, Duguay-Ttrouin ameaçou arrasar a cidade caso não lhe fosse pago um pesado resgate, o que acabou sendo aceito pelo governador Francisco de Castro Morais, a quem foi dado, por isso, o apelido de “Vaca”.

  

Alguns dias depois da invasão os franceses retornaram à Europa levando em seus navios 610.000 cruzados, quinhentas caixas de açúcar e o gado necessário à armada, mas nesse entremeio a notícia chegou à cidade de Salvador, Bahia, cuja população havia vivido, meses antes, a agitação provocada pelo chamado Motim do Maneta. Encorajados pela aparente vitória que haviam conseguido naquela oportunidade, os baianos retornaram às ruas e passaram a exigir do governador-geral o envio urgente de uma expedição ao Rio de Janeiro, para ajudar a expulsar os corsários, mas este, alegando falta de recursos, não tomou nenhuma providência a esse respeito. Diante dessa omissão, diversas pessoas se apresentaram voluntariamente para a empreitada militar, enquanto muitos cidadãos ofereceram bens que  possuíam para custear os gastos necessários à formação de uma tropa com 300 homens, mas o governador-geral continuou protelando a organização desse contingente, até que uma nova revolta popular eclodiu em dezembro, o chamado Motim dos Patriotas, liderado por Domingos da Costa Guimarães, Domingos Gomes e Luís Chafet.

 

Diante da fúria popular, o governador-geral achou por bem mandar preparar as naus que se encontravam fundeadas no porto, para que nelas fosse transportado o reforço humano com que se pretendia ajudar os moradores do Rio de Janeiro, prometendo, inclusive. fazer uma coleta entre os homens ricos do Recôncavo, a fim de custear a expedição. A essa altura, porém, os franceses já haviam recebido o resgate e deixado o Rio de Janeiro.

 

A partir daí a repressão das autoridades tornou-se violenta, pois o governador-geral Pedro de Vasconcelos e Souza, aproveitou a oportunidade para punir exemplarmente os envolvidos no levante: ordenou a prisão e julgamento dos líderes amotinados, o que foi imediatamente cumprido. Em seguida os três homens foram açoitados em praça pública, para que servissem de exemplo, e depois condenados a penas diversas: pagamento de multas que variaram de 3.000 cruzados a 800 mil réis, e degredo para Angola, na África, onde Domingos da Costa Guimarães e Domingos Gomes cumpririam pena de prisão perpétua, e Luiz Chafet, 10 anos de cadeia.


Posteriormente, entretanto, a análise do Conselho Ultramarino considerou contraditório o comportamento do governador-geral, pois se de um lado ele tinha anistiado os participantes do primeiro motim, considerado como de extremamente gravidade, de outro agiu de maneira implacável em relação aos envolvidos no segundo levante, que além de terem se oferecido para socorrer à própria custa os moradores do Rio de Janeiro, também arriscariam a vida nessa empreitada. O resultado dessa análise foi o envio de um novo governador-geral, com instruções para cobrar os tributos anteriormente fixados, e o emprego da força, se necessário, contra os que se recusassem ao pagamento devido.


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Comentários:

  1.   Arthur Christian diz:

    Foda