Universo - JÚPITER
Conhecido desde tempos pré-históricos, Júpiter é o quarto objeto mais brilhante no céu, sendo superado nesse particular pelo Sol, pela Lua e por Vênus, embora algumas vezes Marte também possa ser mais radiante que ele. Sendo o quinto planeta mais próximo do Sol (antes dele estão Mercúrio, Vênus, Terra e Marte), é, porém, o maior dos oito astros existentes no sistema solar, com um diâmetro onze vezes maior que o da Terra.
O diâmetro equatorial de Júpiter é de 142.984 quilômetros quadrados, e sua massa tem quantidade superior a duas vezes e meia à de todos os outros oito planetas juntos. A atmosfera do planeta é composta principalmente de hidrogênio e hélio, com pequenas porções de metano, amônia, vapor d’água e outros componentes, e a velocidade acelerada de sua rotação faz com que a duração de seus dias seja de 9,92h, e que as nuvens de sua atmosfera formem cinturões e zonas que circulam o planeta paralelamente ao equador, correspondendo os primeiros a camadas de nuvens escuras, baixas e relativamente quentes, e as segundas, camadas de nuvens brilhantes, altas e frias. Entre elas, nuvens ovais brancas e manchas vermelhas provocadas pela turbulência, sendo a mais notável a Grande Mancha Vermelha, uma tempestade que se eleva até oito quilômetros acima da camada superior de nuvens.
Os anéis de Júpiter (Halo, Principal e Gossamer, com 22,800, 6,400 e 850,000 km, respectivamente), não têm o mesmo brilho e luminosidade dos de Saturno, e foram descobertos pelas sondas americanas Voyager. São dois anéis principais e um interno muito fino, de cor alaranjada e espessura que não ultrapassa alguns quilômetros, formados principalmente por poeiras e pequenos fragmentos. Por esse motivo, quase não refletem a luz do Sol e são pouco visíveis. Nas regiões polares do planeta também foram observadas emissões semelhantes às auroras boreais da Terra, que parecem estar relacionadas à matéria do satélite Io que cai na atmosfera de Júpiter. Também foram observados relâmpagos luminosos acima das nuvens, semelhantes aos super-relâmpagos na alta atmosfera da Terra.
Dentre as luas de Júpiter, que hoje se afirma serem em número de 63, as quatro maiores - Calisto, Ganimedes, Europa e Io - foram observadas por Galileu já em 1610. As duas primeiras possuem uma superfície cheia de crateras e gelo; Europa é lisa, com gelo, e pode conter água, enquanto Io está coberta de manchas vermelho-claras, laranja e amarelas, cores essas causadas por material sulfuroso de vulcões ativos que lançam plumas de lavas a centenas de quilômetros acima da superfície. Todas essas luas parecem ter sido formadas por agregação, como parte do processo de formação do próprio planeta.
Há cerca de quatro séculos Galileu Galilei virou para os céus o seu telescópio feito em casa, e descobriu três pontos luminosos. Primeiro ele pensou que fossem estrelas ligadas a Júpiter, mas como elas estavam alinhadas com o planeta, isso acabou despertando o seu interesse. Galileu passou a observar as estrelas com mais atenção, e descobriu que elas se moviam na direção errada; e ao fim de quatro dias, apareceu uma outra estrela. Continuando a observá-las durante as semanas seguintes, Galileu concluiu que elas não eram estrelas, como pensara inicialmente, mas sim corpos planetários em órbita à volta de Júpiter.
Estas quatro estrelas passaram a ser conhecidas pelo nome de Satélites Galileanos. Durante os séculos seguintes outras doze luas foram descobertas, completando, assim, um total de dezesseis. Em 1979, o mistério destes novos mundos congelados foi finalmente resolvido pelas sondas Voyager quando ultrapassaram o sistema de Júpiter.
Ainda em 1996, a exploração destes mundos sofreu um grande avanço quando as naves Galileu iniciaram a sua longa missão de observação de Júpiter e das suas luas. Doze delas são relativamente pequenas e parecem mais terem sido capturadas do que formadas em órbita à volta de Júpiter. As quatro maiores (Io, Europa, GanímedesCalisto) parecem ter sido formadas por agregação como parte do processo de formação do próprio planeta. Na relação abaixo, a relação de algumas luas de Júpiter, e a indicação do ano em que cada uma foi descoberta: e
Io (1610) - Calisto (1610) - Europa (1610) - Ganimedes (1610) - Amaltea (1892) - Himalia (1904) - Elara (1905) - Pasifae (1908) - Sinope (1914) - Lisitea (1938) – Carme (1938) - Ananke (1951) - Leda (1974) - Tebe (1979 - Adrastea (1979) e Metis (1979).
Em 1979 as duas sondas Voyager descobriram um halo de poeira muito fino, que vai de 100 a 122 mil km do centro de Júpiter e um sistema de três anéis. O anel principal tem cerca de 6 mil km de espessura e se estende de 122 a 129 mil km do centro do planeta, englobando a órbita de duas luas, Adrastéa e Metis, (que são as fontes de partículas do anel). Dados recentes da sonda Galileo revelaram que um segundo anel muito tênue trata-se, a rigor, de um anel interno e outro externo, e ambos se estendem de 129.200 a 224.900 km do centro do planeta.
Ao contrário dos anéis de Saturno, formados por blocos massivos e brilhantes de rocha e gelo, os anéis de Júpiter são constituídos por uma poeira tão fina que seriam invisíveis para alguém que estivesse em seu interior. Júpiter possui uma fonte interna de calor (não nuclear). Provavelmente procedente do colapso da matéria durante sua formação. No interior do planeta a temperatura alcança os 30.000°C, fluindo continuamente para o exterior. A ausência de atrito com uma superfície sólida permite que furacões como a Grande Mancha Vermelha, durem mais de três séculos. Ela é um redemoinho de alta pressão onde cabem duas Terras, elevando-se acima das nuvens ao redor. Porém, os ventos de direções contrárias que circulam acima e abaixo dificultam explicações satisfatórias para sua estabilidade.





