Universo - QUASARES
Para os astrônomos, quasares são objetos extragaláticos muito brilhantes e muito distantes, cujo nome vem da expressão “Quasi Stellar Radio Sources". Eles foram detectados primeiramente com rádio telescópios, e quando identificados no visual, tinham uma aparência pontual, assim como a de uma estrela.
Hoje, porém, já foram detectadas galáxias em cujo núcleo se constata a presença de quasares, e por esse motivo a definição que agora se tornou mais aceita é a de que eles são buracos negros com massas de 1 milhão a 1 bilhão de vezes à do Sol, localizados no núcleo de galáxias ativas.
Os quasares são os mais distantes, os mais brilhantes e os mais misteriosos astros presentes no Universo. Quando, no final da década de 1950, os primeiros radiotelescópios detectaram pontos parecidos com estrelas que emitiam fortes sinais de rádio, foram dados a eles o nome “quasar” – uma abreviação de “fonte de rádio quase estelar”, em inglês. Como eram e continuam sendo completamente desconhecidos para os estudiosos do infinito, construíram-se duas hipóteses que tencionavam explicar sua existência: a mais aceita, proposta em 1954 pelos astrônomos Edwin Ernest Salpeter (1924-?) e Yakov Borisovich Zel'dovich (1914-1989), explica que eles são buracos negros gigantes presentes no centro de galáxias, e na medida em que estas vão sendo absorvidas, emitem uma luz intensa.
Dentro desse conceito, o astrônomo Roberto Dias da Costa, da Universidade de São Paulo - USP, esclarece: “acredita-se que os buracos negros mais próximos tenham sido quasares e estariam escuros porque o material que os envolvia e alimentava, escasseou”.
Já a outra tese levantada apresenta a versão de que os quasares seriam uma alta concentração de estrelas com massa enorme – cerca de 15 a 20 vezes maior que a do Sol - , explodindo na freqüência de uma por semana.
Todos os quasares estão a bilhões de anos-luz da Terra (um ano-luz corresponde a 9.460.800.000.000 quilômetros), mas a fortíssima radiação que emitem possibilita que sejam vistos por nós. Eles são objetos extremamente compactos e luminosos, emitindo um brilho mais intenso do que aquele que seria produzido por centenas de galáxias, ou seja, até um trilhão de vezes mais forte do que o Sol. São fortes fontes de rádio variáveis, e seus espectros apresentam efeitos indicativos de que estão se afastando em velocidade igual a até alguns décimos da que é alcançada pela luz.
Uma publicação do Observatório Astronômico de Lisboa, de Dezembro de 2006, revela que “Astrônomos, utilizando o Telescópio Espacial Spitzer de infravermelho, identificaram recentemente dois quasares (ilustração abaixo) que podem estar à beira de uma gigantesca transformação - a passagem de um objeto escondido por enormes quantidades de poeira, a um objeto completamente revelado. Os quasares são dos objetos mais luminosos do Universo. Resultam da enorme atividade de um buraco negro de massa gigantesca no seio de uma galáxia, em geral invisível na extraordinária luminosidade da região que rodeia o buraco negro. Sabe-se hoje que existe uma população de quasares de detecção muito difícil, já que residem em galáxias muito ricas em poeira”.
“Esta, atraída para perto do buraco negro, o esconde juntamente com muita da emissão de energia originada nessa região. Tais quasares foram inicialmente previstos por modelos teóricos que procuravam explicar o fundo difuso presente nas observações mais profundas em raios-X. A detecção direta de tais entidades só seria conseguida nos últimos anos com os telescópios de raios-X e infravermelhos, pois a própria poeira que esconde o quasar aquece e irradia nestes comprimentos de onda”.
“À medida que o tempo passa, e que mais e mais matéria vai sendo consumida pelo buraco negro, a emissão de energia proveniente das suas vizinhanças vai crescendo. A certa altura, pensam os astrônomos, esses monstros emitirão mais do que a poeira que os esconde conseguirá suportar, destruindo e dispersando esta barreira até aí (quase) impenetrável”.
“Usando o Telescópio Espacial Spitzer para realizar um levantamento profundo e extenso em determinada região, além de também realizar nela observações através dos raios-X,, investigadores reuniram uma amostra de quasares com grau de obscurecimento elevado. Dois deles, apesar de extremamente ricos em poeira, exibem luminosidades tão elevadas (o equivalente a mais de 100 bilhões de estrelas tipo Sol) que não é possível a poeira continuar obscurecendo aquelas "fornalhas" durante muito mais tempo. Aproximar-se-á, portanto, uma fase de transição, de quasar obscurecido para quasar "límpido", com a poeira sendo destruída ou dispersada da região central da galáxia. Uma revelação apenas prevista por modelos teóricos e nunca antes observada no universo”.





