Período imperial - 1848 - REVOLUÇÃO PRAIEIRA - Pernambuco
O nome dessa revolta popular ocorrida em Pernambuco de 07/11/1848 a 31/03/1849, é derivado do partido praieiro, ou Partido da Praia, assim denominado porque os seus simpatizantes não só realizavam as suas reuniões habituais, como também imprimiam o jornal Diário Novo e boletins políticos na Tipografia Imparcial, situada na rua da Praia, em Recife.
De tendência liberal, essa agremiação comandou a política da província nordestina de 1845 a 1848, tendo como programa a resistência ao governo e a nacionalização do comércio varejista, cuja maior parte se encontrava em mãos de portugueses. Reunindo entre os seus lideres mais importantes alguns membros da aristocracia rural pernambucana, esse grupo partidário não era propriamente de tendência radical ou revolucionária, mas diante do combate que inimigos poderosos lhe moviam, aliou-se a figuras radicais do cenário político da província, como o jornalista Antônio Borges da Fonseca, ao qual se deve a redação do Manifesto ao Mundo, lançado em 1° de janeiro de 1849, com as exigências seguintes:
1º - Voto livre e universal do povo brasileiro.
2° - Plena liberdade de comunicar os pensamentos pela imprensa.
3° - Trabalho como garantia de vida para o cidadão brasileiro.
4° - Comércio a retalhos para os cidadãos brasileiros.
5° - Inteira e efetiva independência dos poderes constituídos.
6° - Extinção do poder moderador e do direito de agraciar.
7° - Elemento federal na nova organização.
8° - Completa reforma do poder judicial de modo a assegurar as garantias individuais dos cidadãos.
9° - Extinção do juro convencional.
10° - Extinção do atual sistema de recrutamento”.
Mas a nomeação de Herculano Ferreira Pena como presidente da província, representou o retorno dos conservadores ao poder, provocando reações violentas dos praieiros em vários pontos, notadamente em Olinda, Pau Amarelo, Igaraçu e Nazaré, onde os revoltosos tiveram perdas sérias, além de pequenos combates em Mussupinho e Cruangi. Eles contavam com o apoio de alguns senhores de engenho ligados ao Partido Liberal, e entre seus principais líderes encontrava-se o capitão Pedro Ivo e o intelectual e socialista utópico general Abreu e Lima, que pregava a divisão de fortunas. Mas ao retornar do Rio de Janeiro, o deputado Joaquim Nunes Machado, figura destacada do partido, aconselhou aos seus simpatizantes que desprezassem a anistia proposta pelo governo imperial e prosseguissem com a resistência, o que provocou a reação imediata de Manuel Vieira Tosta, barão de Muritiba, sucessor de Ferreira Pena, para impedir o desenvolvimento da revolta.
Por isso, sentindo-se desprotegidos em Recife, os líderes dos insurretos se dirigiram para o sul e concentraram 4.000 homens na localidade de Água Preta, contra os quais marchou o brigadeiro José Joaquim Coelho, barão da Vitória, à frente de oitocentos soldados. Entretanto, os rebeldes abandonaram furtivamente o lugar onde se encontravam e divididos em duas colunas de dois mil homens tentaram tomar a capital da província pernambucana, cuja guarnição militar resistiu até que as tropas imperiais retornassem.
Nos combates que aconteceram em seguida, as tropas legais derrotaram as forças praieiras nos bairros de Santo Antônio, no Pau Amarelo e em alguns outros pontos da cidade, e somente o grupo sob as ordens do capitão Pedro Ivo Veloso da Silveira resistiu por mais algum tempo. Finalmente derrotado e preso, ele foi enviado para o cárcere da fortaleza da Laje (ilustração), na entrada da baia da Guanabara, no Rio de Janeiro, de onde acabou se evadindo em 20 de abril de 1851, contando com a ajuda de amigos. Depois de ter se ocultado em diversas localidades do vale do Paraíba, em território fluminense, ele acabou embarcando para a Europa no navio Vesúvio, de bandeira italiana, mas veio a falecer durante a viagem, em 3 de março de 1852, tendo o seu corpo sido atirado com honras fúnebres, em alto mar.
Sobre este líder da Revolução Praieira pernambucana, sabe-se que depois de tentar conquistar a capital daquela província ele marchou sobre a Paraíba com a intenção de ocupá-la, sendo batido, no entanto, pelas forças imperiais. Mas apesar da completa derrota do movimento de que participava, continuou combatendo as forças imperiais durante dois meses, nas matas de Água Preta, utilizando um sistema de guerrilhas. Depois, confiando na anistia que o Império prometera aos revoltosos, o capitão Pedro Ivo entregou-se às autoridades militares, quando foi preso e em seguida transferido para a fortaleza de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, onde ficou o detiveram por algum tempo. O Governo Imperial ofereceu-lhe a anistia desde que aceitasse permanecer por dez anos na província do Pará, acordo que o Capitão Pedro Ivo não aceitou.
A Revolução Praieira marca o fim do ciclo revolucionário que assinalou o primeiro decênio do segundo reinado, colocando em risco a estabilidade do império.





