Período imperial - 1836 - BATALHA DO FANFA (RGSul)

Em 4 de outubro de 1836, a ilha de Fanfa, no rio Jacuí, distante aproximadamente quarenta quilômetros de Porto Alegre, foi palco de um dos primeiros conflitos travados entre as tropas imperiais brasileiras e os separatistas da República de Piratini, na Guerra dos Farrapos. Nessa ocasião, o chefe dos farrapos, Bento Gonçalves da Silva, foi aprisionado e levado para o forte do Mar, em Salvador, na Bahia, de onde conseguiu fugir meses depois, para voltar ao Rio Grande do Sul e reassumir a chefia das forças republicanas.

 

Dos antecedentes dessa batalha sabe-se que Bento Gonçalves, ao tomar conhecimento de que Antônio de Souza Neto havia obtido em 10 de setembro, às margens do arroio Seival, na região de Bagé, uma grande vitória sobre os soldados do governo - feito tão importante que levou aquele comandante a proclamar ali mesmo a independência da província gaúcha -, suspendeu o sítio imposto à cidade de Porto Alegre e deslocou-se com seus homens acompanhando o curso do rio Jacui, para encontrar-se com Neto. Chovia muito na época, os rios estavam cheios, e por isso a travessia do Jacui deveria ser feita através da ilha de Fanfa, no município de Triunfo.

 

Sabedor dessa movimentação, Bento Manuel Ribeiro, um dos comandantes das tropas imperiais, transmitiu a notícia ao presidente da província, José de Araújo Ribeiro, e saiu de Triunfo com seus soldados, para deter a passagem dos farroupilhas, enquanto o governo imperial enviava 18 barcos de guerra (entre escunas e canhoneiras) comandados pelo mercenário inglês, almirante John Greenfell, para guardar o lado sul da ilha. Infelizmente, para os farrapos, esses barcos só foram percebidos por eles depois que alcançaram a ilha.

 

No dia 3 de Outubro de 1836, as forças imperiais terrestres fecharam o cerco. Surpreendidos, os farroupilhas resistiram tanto quanto puderam, principalmente porque sabiam que a cavalaria de Jaguarão, liderada por Domingos Crescêncio de Carvalho, amigo e parente de Bento Gonçalves, não estava distante. Foi assim que eles conseguiram repelir os soldados inimigos que tentavam desembarcar na ilha pela margem sul, da mesma forma como rechaçavam as tentativas de travessia pelo norte, e ainda suportavam os disparos de artilharia feitos de terra. Mas isso a um custo muito alto: cento e vinte mortos e duzentos feridos. Por esse motivo, naquela noite foi negociado um acordo pelo qual os farrapos capitulariam, entregariam as armas e voltariam livres para suas casas.

 

Tudo acertado, pela manhã do dia 4 de outubro era formalizada a capitulação conforme o discutido horas antes, embora muitos revoltosos preferissem jogar suas armas no rio ao invés de entregá-las aos imperiais. No momento em que a situação parecia estar resolvida, chegou ao local o almirante John Greenfell trazendo consigo o presidente da província, José de Araújo Ribeiro, e este, não aceitando o acordo feito pelas lideranças militares envolvidas na luta, ordenou a prisão imediata dos farrapos já então desprevenidos e desarmados. Foram então aprisionados, entre outros combatentes importantes, o líder maior, Bento Gonçalves da Silva, mais Tito Lívio Zambeccari, Onofre Pires, Marciano Ribeiro, Pedro Boticário, José de Almeida Corte Real e José Calvet. Por esse motivo, além de ser conhecida como a derrota do Fanfa, essa passagem da revolução farroupilha é também chamada de “traição do Fanfa”.

 

A análise posterior desse confronto concluiu que ele foi estratégico porque os comandantes já se conheciam e tinham lutado lado a lado em diversas oportunidades, tanto em etapas anteriores do mesmo conflito, como também na guerra da Cisplatina. Ele terminou com a rendição dos farroupilhas e a prisão de Bento Gonçalves da Silva, circunstância que o retiraria do confronto até sua fuga do forte do Mar, na Bahia. Mas a guerra, porém, continuou.

 


 

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