Universo - SATÉLITES
Os corpos celestes que giram em torno dos planetas, aos quais estão sujeitos pelas leis da mecânica celeste, são denominados satélites. São também chamados corpos celestes secundários em oposição aos planetas, que são corpos celestes principais. Embora vários planetas do sistema solar tenham satélites maiores do que a Lua, esta se destaca pela relação de proporções que apresenta com a Terra.
Esta tem 12.757 quilômetros de diâmetro, ou 40.075 quilômetros de circunferência equatorial, e uma superfície de 510 milhões de quilômetros quadrados, enquanto a Lua possui 3.472 quilômetros de diâmetro e 38 milhões de quilômetros quadrados de superfície. Isso resulta em uma relação Terra/Lua de aproximadamente quatro para um, em diâmetro, e de catorze para um, em superfície. Comparadas com os tamanhos de outros satélites conhecidos, essas medidas fazem realçar a importância da Lua. Por exemplo: Titã, um dos satélites de Saturno, tem 4,950 quilômetros quadrados de diâmetro, mas sua massa é 4.700 vezes menor que a do planeta.
O planeta Marte possui dois satélites de minúsculas proporções: Fobos e Deimos. Constituem prováveis exemplos de “captura” de asteróides, visto que entre Marte e Júpiter ocorre um verdadeiro “cinturão de asteróides”, todos com menos de mil quilômetros de diâmetro. O maior deles, Ceres, tem pouco mais de 700 quilômetros. Fobos (na ilustração) e Deimos apresentam as menores dimensões atribuídas para satélites (eles são de 23 e 14 quilômetros, respectivamente).
Júpiter, o gigante do sistema solar, tem 63 satélites, o maior número entre planetas do Sistema Solar Desde o final do século 20 e início do 21, vários satélites menores juntaram-se aos doze já conhecidos (em maio/2003, Scott Sheppard publicou no jornal Nature a descoberta de 23 novos satélites de Júpiter, elevando o total deles para 61). Oito são “regulares” (têm órbitas circulares e giram próximo ao plano do equador planetário, geralmente com uma pequena inclinação em relação a ele). Os outros 55 são “irregulares” ((têm órbitas excêntricas, diferentes das trajetórias circulares, mais afastadas do planeta e mais inclinadas em relação ao seu equador), e eram, provavelmente, corpos menores que foram capturados pelo planeta. Deles, Amalteu, o mais próximo de Júpiter, tem 190 quilômetros de diâmetro, e sua revolução demora 1 hora e 57 minutos; em seguida vem Io, com 3.340 quilômetros de diâmetro e rotação feita em 1 dia, 18 horas e 27 minutos, depois Europa, com 3.010 quilômetros, e período de 3 dias, 13 horas e 14 minutos para dar uma volta. Os maiores satélites são Ganimedes e Calisto, com diâmetros de 4.760 e 4.460 quilômetros, respectivamente. Os demais têm dimensões menores: 140 quilômetros de diâmetro, o maior, e apenas 20, o menor.
Saturno é o planeta do sistema solar com o segundo maior número de luas, ou satélites naturais, sendo Titã o único com uma atmosfera importante. Os satélites maiores, conhecidos antes do começo da exploração espacial - Mimas (600km), Encélado (600), Tétis (1.000), Dione (1.200), Réia (1.400), Titã (4.950), Hiperion (500), Jápeto (1;800), além de Janus (350) e Febe (200), são mundos especialmente interessantes para os cientistas planetários, primeiramente pela existência de água líquida a pouca profundidade de sua superfície, com a emissão de vapor de água através de geysers. Depois, porque possui uma atmosfera rica em metano, bem similar a da terra primitiva. Outras 30 luas de Saturno possuem nome, mas o número exato delas permanece incerto porque uma grande quantidade de objetos se mantém em órbita neste planeta.
Quanto aos satélites de Urano, muito distantes da Terra, eles são ainda mal conhecidos, exceto os denominados Miranda, Ariel, Umbriel, Titânia e Oberon. O primeiro é o mais próximo do planeta e também o menor, e tem cerca de 200 quilômetros de diâmetro. Os demais têm 900, 700, 1.700 e 1.600 quilômetros respectivamente, com períodos de rotação compreendidos entre um e treze dias. Mas os satélites de Urano podem dividir-se em três grandes grupos: as onze pequenas luas interiores, os cinco satélites maiores mencionados, e as cinco luas exteriores.
Netuno, por sua vez, tem oito satélites conhecidos: seis pequenos, descobertos em 1989 pela nave espacial Voyage 2 (Náiade, Talassa, Despina, Galatéia, Larissa e Proteu), e dois maiores, Tritão e Nereida. O primeiro destes dois é provavelmente o maior satélite do sistema, pois possui pelo menos 5.000 quilômetros de diâmetro e período de rotação da ordem de seis dias. Por sua vez, Nereida é bem menor, já que tem apenas 320 quilômetros, mas seu período de rotação é de 359 dias, 21 horas e sete minutos. Seu apogeu (ponto mais afastado) ocorre a cerca de 10 milhões de quilômetros do planeta, e no perigeu (ponto mais próximo) chega a 1.335.470 quilômetros.
Alguns satélites nascem a leste e põem-se a oeste de seu planeta. Outros, os “retrógrados”, têm movimento em sentido oposto. É o caso de Fobos, satélite de Marte; de Tritão (Netuno); dos conhecidos como VIII, IX, XI e XII (Júpiter), e todos os de Urano. Fobos, de Marte, é o único do sistema solar com período de rotação mais curto do que o do seu planeta. Em 7 horas e 39 minutos ele completa uma rotação inteira, o que faz com que possa ser avistado mais de três vezes em um dia marciano. O brilho apresentado no decurso das revoluções dos satélites em torno dos seus planetas também é objeto de estudos. Jápeto, por exemplo, oferece maior brilho quando se encontra a oeste de Saturno, o que faz supor que um dos seus hemisférios é mais escuro por ser provavelmente constituído por substâncias diferentes.
O comportamento dos satélites tem importância fundamental nos problemas da mecânica celeste. À parte isso, foi através dos satélites de Júpiter (Io, Europa, Ganimedes e Calisto) que o astrônomo dinamarquês Olaus Roemer, entre 1672 e 1675, conseguiu verificar que a luz, fenômeno até então considerado instantâneo, tem uma velocidade finita. Essa descoberta abriu vasto campo de pesquisa, tanto para a astronomia e a física em geral, como para as modernas concepções do universo.
Fonte: Enciclopédia Abril





