Aves - ALBATROZ-ERRANTE

Ave marinha da família dos Diomedeídeos, o albatroz-errante (também conhecido como albatroz-gigante ou gaivotão), é o mais corpulento e vigoroso dos habitantes alados dos mares, sendo encontrado na maior parte do oceano Antártico, também conhecido por oceano Austral, nome dado às águas que circundam o Continente Antártico e constituídas pelo prolongamento meridional do oceano Atlântico, oceano Pacífico e oceano Índico.

 

Geralmente essas aves buscam sua alimentação em águas do talude continental - trecho do fundo oceânico com declive pronunciado, entre a plataforma continental e as planícies abissais que se estendem em profundidade superior a 4.000 metros. Mas podem ir bem mais além, daí o nome que têm. Elas caçam preferentemente de dia, e como não são boas mergulhadoras, capturam suas presas na superfície (lulas e peixes), não enjeitam mamíferos marinhos mortos, águas-vivas e crustáceos, sendo vistos com freqüência recolhendo os restos de pesqueiros.

 

Registros antigos nos dão conta de que em 1415, quando os portugueses iniciaram as navegações oceânicas conhecidas como descobrimentos portugueses, seus marinheiros avistaram pela primeira vez, ao largo da costa africana, grandes aves brancas e negras, de asas pontiagudas, e lhes deram o nome de alcatraz (palavra árabe que significa mergulhador), posteriormente corrompido e transformado pelos ingleses em albatroz.

 

Naquela época, as lendas e superstições eram aceitas e partilhadas com facilidade entre as pessoas, e por isso os marujos, não se sabe por qual razão, passaram a considerar essas aves como sendo de mau agouro, acreditando que nelas estariam encarnados seus companheiros de profissão mortos por afogamento. Mas apesar da crença de que matar uma delas traria azar ao caçador, isso não as protegeu dos incrédulos que as capturavam para comer, já que a bóia durante as longas viagens marítimas que faziam deveria ser pouco agradável. Além do mais, pelo que se sabe, a descoberta dos seus locais de nidificação levou a uma pilhagem generalizada de ovos, o que quase acabou com algumas colônias.

 

O albatroz-errante e o albatroz das Galápagos são os mais majestosos de sua família, composta por 21 espécies oficialmente registradas pela União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais – IUCN.  Os machos têm envergadura que vai de 2,90m a 3,50m, peso entre 8 e 12 quilos e comprimento de 1,35m, sendo as fêmeas ligeiramente menores. A constituição dessas aves é mais adequada para planar sem maior esforço, e elas fazem isso durante horas seguidas, voando longas distâncias pelos oceanos do sul quase sem bater suas longas asas. O pássaro toma velocidade enquanto mergulha na direção do vento e vira-se contra ele quando se aproxima da água. Isso o eleva e ele plana até começar a diminuir a velocidade.

 

O bico do albatroz-errante é recurvado, de cor amarelo-rosado, com as narinas situadas na sua base, uma em cada lado da cabeça. As penas do seu corpo são brancas, com exceção das que ficam na parte superior da ponta das asas, de cor preta. Os seres de terra firme não viveriam muito tempo bebendo água salgada, mas as aves marinhas que só tocam o solo para procriar (o albatroz é uma delas) têm longas narinas tubulares que as ajudam na orientação através do cheiro, mas também têm outra finalidade: o excesso de sal ingerido com a água do mar é transferido do sangue para as glândulas nasais, sendo excretada pelas narinas na forma de uma solução salina concentrada. O que dá a impressão de que elas parecem estar sempre gripadas.

 

O albatroz-errante inicia sua atividade reprodutiva por volta dos onze anos de idade, apesar de seu amadurecimento sexual ocorrer alguns anos antes. Para isso ele procura ilhas remotas, algumas no arquipélago da Georgia do Sul, no oceano Atlântico, especialmente as Ilhas das Aves e Sandwich do Sul, e outras no oceano Índico, como as ilhas Crozet, Herguelen, Marion, Macquarie e Prince Edward, o que normalmente acontece em novembro. A postura (que é feita de dois em dois anos) acontece entre os meses de dezembro e fevereiro, em ninhos feitos com lama e vegetação e sempre preparados numa escarpa de frente para o mar. Nele a fêmea põe um só ovo.

 

A incubação se prolonga durante onze semanas, ao fim das quais nasce o filhote que será cuidado e alimentado pelos pais durante outras quarenta semanas. Macho e fêmea se revezam nessa tarefa, para que um e outro possam sair em busca de alimento, e por isso o que seu filhote come é conseguido pelos dois. Ao final desse longo período reprodutivo (mais de cinqüenta semanas), o jovem albatroz-errante estará pronto para ensaiar os primeiros vôos rumo ao oceano, onde permanecerá durante muitos anos até retornar à terra firme.

 

Uma das principais causas da morte não natural dessas aves são os anzóis de pesca de atum, de linha longa, onde elas ficam presas quando engolem as iscas, da mesma forma como as redes perdidas ou abandonadas em alto-mar. Por outro lado, as alterações climáticas e a poluição marinha também causam preocupação quanto à conservação da espécie hoje considerada como vulnerável, ou ameaçada de extinção.


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