Frutas - LARANJA

Provavelmente a laranja é originária da Ásia. Registros chineses feitos por volta do ano 2.000 antes de Cristo já falavam de um tipo de fruta conhecido desde aquela época como kinkan, que apesar de semelhante não é exatamente igual à laranja que conhecemos porque se trata de uma frutinha do tamanho de uma cereja, geralmente utilizada na preparação de geléias e compotas. Além disso, ela pertence ao gênero Fortunella (muito usado com fins decorativos), e não ao Citrus (que inclui as laranjas e tangerinas), tem menor quantidade de gomos e casca mais fácil de digerir, e também diferença na proporção entre seus teores de açúcar e grau de acidez. Mas foi a partir dela, segundo estudiosos da área de fruticultura, que surgiram todas as outras espécies que hoje estão espalhadas pelo mundo.

 

Os gregos antigos não a conheciam, tanto que sua mitologia inclui entre os 12 trabalhos de Hércules a incursão feita ao jardim das Hespérides para buscar os pomos de ouro que na verdade seriam laranjas, segundo hipótese defendida por um bom número de mitólogos. As primeiras referências sobre ela só começaram a surgir na Europa a partir do século 15, quando Cristóvão Colombo a trouxe para a América em 1493. Em 1516 suas sementes chegaram ao Panamá com os espanhóis; dois anos depois, ao México, e no século seguinte o seu cultivo começava a se espalhar pelo Novo Mundo. Mas a essa altura a laranja já consolidara sua aceitação e preferência entre os europeus, que mantiveram seu nome praticamente inalterado no falar de muitos povos do continente: arancia, para os italianos; orange, para os ingleses e franceses; naranja, para os espanhóis; oranje, para os holandeses.

 

As primeiras mudas chegaram ao Brasil no século 16, com os portugueses, e foram desembarcadas em Salvador, Bahia, que era então a capital da colônia. Por isso se tornaram conhecidas como laranjas-da-bahía, designação que com o tempo passou a ser aplicada apenas a esse fruto, cuja característica principal é o chamado umbigo, localizado no lado oposto à sua haste de sustentação. A partir daí os portugueses plantaram laranjeiras por toda a costa, e elas se multiplicaram rapidamente. Aos poucos, foram aparecendo variedades novas, distribuídas em três grupos principais: as laranjas de umbigo (como a Baia, Baianinha e Navelinas); as laranjas comuns (sem umbigo e com maior acidez no suco, como a Pêra, Natal, Hamlin, Rubi e outras); e as laranjas de baixa acidez (como a Lima, do Céu, Serra d’água, Mimo e outras).

 

Maior produtor de laranjas do mundo, o Brasil também fornece metade do suco industrializado dessa fruta comercializado entre nações. As variedades de laranja mais facilmente encontradas no país são a laranja-da-baía, laranja-da-terra, laranja-lima, laranja-pera e laranja-seleta, além das tangerinas e mexericas, variedades muito apreciadas pelo gosto e facilidade com que o consumidor retira a sua casca. A laranja-lima, por seu gosto adocicado e pouca acidez, é especialmente recomendada para a alimentação de bebês. Por sua vez, a laranja pêra é a mais utilizada em sucos naturais e industriais. As demais (difíceis de serem encontradas em mercados e feiras) são muito apreciadas tanto na forma natural como na forma de sucos. Com relação à laranja-da-bahía, ela foi levada para os Estados Unidos em 1873, surgindo daí o grupo das navelinas (navel é umbigo, em inglês), que hoje dominam o mercado de laranjas de comer em todo o mundo.

 

Considerada como fruta popular, a laranja é geralmente associada à vitamina C. E com razão, pois só uma delas, de tamanho médio, contém cerca de 70mg desta vitamina, quantidade maior que a necessidade diária de um adulto. A vitamina C é um antioxidante que protege contra os danos causados às células pelos radicais livres (produzidos no organismo com a queima de oxigênio) e ajuda a reduzir o risco de certos tipos de câncer, ataques do coração, derrames cerebrais e outras doenças. A laranja também contém rutina, hesperidina e outros bioflavonóides (pigmentos naturais de frutas e vegetais, que têm a fama de trazer inúmeros benefícios à saúde). As laranjas também possuem quantidades menores de outras vitaminas e minerais, como beta-caroteno, tiamina, folato e potássio.

 

Uma das vantagens da laranja é o seu baixo teor calórico (uma única unidade contém 60 calorias, aproximadamente). Outro benefício da fruta é que a membrana existente entre os gomos (uma espécie de pele branca e fina que muita gente separa e joga fora) fornece boa quantidade de pectina, fibra solúvel que ajuda a controlar os níveis de colesterol no sangue.

 

As laranjas frescas constituem não somente um delicioso lanche ou sobremesa, mas também podem ser usadas como excelentes ingredientes nas saladas e alguns pratos de carne. Meia xícara de suco de laranja recém-espremido tem, aproximadamente, a mesma quantidade de nutrientes encontrada na fruta fresca. A desvantagem dos sucos industrializados é que além deles perderem muito da polpa e das membranas, porque são coados, também ficam sem a maior parte de vitamina C e alguns minerais, perda que acontece durante o processamento.

 

A casca da laranja é algumas vezes desidratada para fazer doces ou temperos. Entretanto, é necessário ter cautela porque ela pode ter sido tratada com sulfitos (sais do ácido sulfuroso), o que pode provocar sérias reações alérgicas em pessoas suscetíveis. Os sulfitos já eram utilizados pelos gregos antigos e egípcios para a desinfecção de casas e utensílios; e seu uso como preservativo de alimentos foi aprovado nos EUA em princípio dos anos 1800. Os sulfitos estão presentes naturalmente em vários alimentos e são utilizados há séculos como potentes agentes redutores para vários produtos nutritivos visando inibir o processo oxidativo associado com a deterioração dos alimentos, prevenindo ou reduzindo a perda da cor em frutas e vegetais como maçã seca, batatas lavadas e desidratadas, para mantê-los com aparência de frescos por longos períodos. Segundo o FDA (Food and Drug Administration) uma em cada 100 pessoas é sensível aos sulfitos assim como 4 a 8% dos pacientes asmáticos.

 

Tradicionalmente utilizam-se as flores de laranjeira no preparo de chá para obter um efeito calmante e combater os efeitos da insônia. Da mesma forma, acredita-se que esse tipo de chá tenha propriedades antitérmicas e sedativas.

 

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