Nutrientes - VITAMINAS
Vitaminas são substâncias orgânicas presentes nos alimentos consumidos pelo homem. Indispensáveis à vida, são elementos de capital importância na produção de energia e na reparação dos tecidos.
Até fins do século 19 a causa de diversas doenças era atribuída à ação de agentes ativos como as bactérias, por exemplo. Mas em 1897, o médico holandês Christiaan Eijkman (1858-1930), provocou a polineurite das aves (doença semelhante ao beribéri humano) em exemplares submetidos a uma dieta de arroz polido (o beribéri grassava entre as populações orientais que se alimentavam quase que exclusivamente de arroz beneficiado), mostrando, em seguida, que essas mesmas aves enfermas eram curadas quando tratadas com arroz integral.
Trabalhos similares foram então realizados por diversos pesquisadores que produziram escorbuto em cobaias alimentadas exclusivamente com feno e aveia, demonstrando em seguida que elementos verdes adicionados à ração diária das mesmas as deixavam livres da doença. Estes e outros estudos semelhantes levaram os pesquisadores da época a admitir que nos alimentos havia pequena quantidade de substâncias ainda não conhecidas, que eram indispensáveis para a atividade funcional do organismo, ou mesmo para a vida.
Em 1912, Frederich Gowland Hopkins (1861-1947), químico inglês, deu a essas substâncias o nome de fatores alimentícios acessórios, e poucos meses depois, ainda no mesmo ano, o bioquímico polonês Kazimierz Funk (1884-1967), acreditando ter isolado uma delas (e que a mesma pertencia à classe das aminas, compostos orgânicos formados a partir da amônia), propôs para elas o nome de vitaminas (posteriormente a denominação se mostrou imprópria, mas, contudo, foi conservada). Em 1913 a vitamina A foi a primeira a ser identificada, e depois dela, sucessivamente, outras se tornaram conhecidas, todas recebendo letras para designá-las. Foi dessa forma que surgiram as vitaminas A, B1, B2. B6, B12, C, E, K, etc.
Até agora foram descobertas treze vitaminas essenciais para a saúde humana e prevenção de doenças relacionadas à carência das mesmas, e delas somente quantidades muito pequenas, em geral alguns miligramas, são necessárias para garantir ao ser humano essas condições. Também foram identificadas outras substâncias semelhantes a elas, como os bioflavonóides, a colina, carnitina e taurina, que parecem ser essenciais.
As vitaminas são classificadas de acordo com a forma de absorção e armazenamento no organismo. As vitaminas A, D, E e K são lipossolúveis, enquanto a vitamina C e as pertencentes ao complexo B, são hidrossolúveis. O organismo pode armazenar as primeiras no fígado e no tecido adiposo, enquanto as segundas têm o excesso da maioria delas eliminado através da urina, e por isso precisam ser repostas com maior freqüência.
As pró-vitaminas são substâncias que podem ser convertidas pelo organismo em vitaminas, como, por exemplo, o beta-caroteno, um precursor da vitamina A, e um tipo de colesterol da pele que após exposição aos raios ultravioletas é aproveitado pelo organismo na produção da vitamina D.
As antivitaminas, ou antagonistas, são compostos alimentares que podem neutralizar a ação de vitaminas verdadeiras com as quais se assemelham quimicamente, e um exemplo delas é a avidina encontrada na clara de ovo crua, que se combina com a biotina para formar um composto que não pode ser absorvido a partir do trato intestinal. Apesar do organismo identificar essas substâncias como vitaminas verdadeiras e incorporá-las nos tecidos, elas são incapazes de desempenhar qualquer função.
As vitaminas hidrossolúveis são solúveis em água e absorvidas no intestino, sendo transportadas pelo sistema circulatório até os tecidos em que serão utilizadas. Como as do grupo formado pelas vitaminas do complexo B (B1, B2. B3. B5. B6, B8, B9, B12) mais a vitamina C, o nosso organismo usa somente o necessário, eliminando o excesso, elas não formam reservas, ou seja, não permanecem no nosso corpo por muito tempo, sendo excretadas através da urina. Uma particularidade a seu respeito é que como são muito sensíveis ao calor, perdendo-se facilmente na água fervente em que as verduras e legumes são mantidos por algum tempo, os cozimentos longos desses produtos devem ser evitados.
Quanto às vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), são solúveis em gordura e não em água. Absorvidas no intestino mediante a presença de sais biliares produzidos pelo fígado, elas são transportadas através do sistema linfático até aos tecidos onde serão armazenadas (as vitaminas A e D principalmente no fígado e a E nos tecidos gordurosos e, em menor escala, nos órgãos reprodutores). O organismo consegue armazenar pouca quantidade de vitamina K.
Os seres vivos necessitam de vitaminas. As quantidades mínimas essenciais variam numa mesma espécie, de acordo com a idade, com o sexo, com a atividade exercida e outros fatores, mas geralmente os adultos sofrem menos as deficiências temporárias dessas substâncias. Os alimentos também variam quanto ao seu teor vitamínico, sendo alguns totalmente privados delas, ao passo que outros são especialmente ricos em uma ou em um determinado grupo.
Neste campo os estudos desenvolveram-se com relativa celeridade diante da constatação de que as vitaminas são essenciais ao organismo, mas a necessidade de conhecer o mecanismo de sua ação, de sintetizar as já conhecidas, a fim de baratear o seu custo, ou de tentar descobrir se existem outras, direciona e estimula o trabalho dos pesquisadores.





