Bebidas - CHAMPANHE
O champanhe, ou champanha (em francês champagne), é um vinho branco espumante, produzido na região de Champagne, no nordeste da França, através da fermentação de uma ou várias espécies de uva. Além dele, a antiga província histórica francesa produz outros vinhos espumantes, brancos e rosados, também chamados simplesmente de champanhe, mas sem mais especificações.
O nome Champagne é uma AOC (Appellation d'Origine Contrôlée), ou seja, está incluído na categoria de vinhos que além de terem a designação de origem especificada no rótulo, precisam satisfazer algumas exigências determinadas na legislação específica de cada região, como limite de produção por hectare, quais as uvas que podem ser cultivadas, e os métodos de produção. Além disso, a palavra champagne também é protegida por lei, só podendo ser utilizada nos vinhos originais da região. Qualquer produto semelhante, mesmo tendo sido fabricado noutros locais ou países pelo método champanhês, só pode ser chamado de espumante.
Em 1668 o monge beneditino Dom Perignon entrou para a Abadia Saint-Pierre de Hautvillers, perto de Epernay, em Champagne, onde passou a cuidar da adega e produtos do mosteiro, cargo de grande importância porque, entre outras responsabilidades, lhe dava o controle sobre as vinhas e as prensas. Talvez por isso ele aprendeu o método de vinificação dos vinhos efervescentes em uma peregrinação feita à Abadia de Saint Hillaire. A história sustenta que foi ele o primeiro a descobrir o meio para fazer fermentar o vinho de Champanhe em garrafas, embora ninguém saiba se isso é falso ou verdadeiro. O certo é que, na época, as garrafas eram tapadas com cavilhas de madeiras envoltas de estopa embebida de óleo.
Tentando melhorar esse sistema, Dom Pérignon passou a colocar cera derretida de abelhas no gargalo das garrafas, para assegurar a perfeita vedação das mesmas, mas passadas algumas semanas a maior parte delas explodiu. Perplexo, o monge demorou algum tempo para compreender que o açúcar contido na cera de abelha, ao entrar em contato com vinho, provocara uma segunda fermentação, e com ela uma brusca efervescência, cuja pressão redundara na quebra do vasilhame. Foi assim que Dom Pérignon descobriu a fermentação em garrafa, o método champanhês. Em outras palavras, o champanhe acabara de nascer, embora não se possa afirmar que a invenção da rolha de cortiça para substituir o arcaico feixe de madeira também coube a ele. Sem dúvida o processo de elaboração do vinho foi uma obra longa, e nele esse monge amante de enologia desempenhou indubitavelmente um papel essencial.
A região produtora de champanhe foi delimitada em 1927 e ocupa uma área de 32 mil hectares (a região demarcada do Douro, em Portugal, onde se produz o vinho do Porto, é mais antiga e maior, foi criada em 1756 e ocupa uma área de 250 mil hectares). Em virtude disso a comuna de Champagne, situada no cantão de Vaud, na Suíça, teve que renunciar à menção desse nome nos vinhos (não espumantes) produzidos em seu território, obedecendo a um acordo internacional firmado entre a Suíça e a União Européia, em Dezembro de 1998. Nos Estados Unidos é comum a presença da inscrição champagne ou american champagne no rótulo de vinhos espumantes, prática combatida pelo Champagne Bureau.
No Brasil, alguns produtores gaúchos de vinhos espumantes conseguiram, nos anos 1970, autorização do Supremo Tribunal Federal para manter a denominação champanhe em seus rótulos, sob a alegação de que produziam o vinho antes da regulamentação de 1927. Dentre esses produtores que conseguiram a autorização está a empresa Peterlongo, em cujo site encontra-se publicada a informação de que "...o direito de a Vinícola Peterlongo utilizar a denominação champagne para identificar e divulgar seus produtos, está garantido, em caráter definitivo, pelo Supremo Tribunal Federal (STF)".
Com o aparecimento de Dom Pérignon houve uma revolução na produção do champanhe, o que permitiu a descoberta dos cinco principais elementos que em muito contribuíram para o champanhe chegar ao que é hoje:
- A mistura de diferentes vinhos da região, conseguindo assim um produto mais harmonioso.
- Separação e prensagem em separado das uvas pretas que predominam em Champagne, obtendo assim um cristalino sumo de uva.
- O uso de garrafas de vidro mais espesso para melhor permitirem a pressão da segunda fermentação do produto.
- O uso da rolha de cortiça vinda da Espanha, que permitiu substituir o anterior sistema, pauzinhos de cânhamo embebidos em azeite.
- A escavação de profundas adegas, hoje galerias com vários quilômetros de extensão e usadas por todos os produtores, para permitir o repouso e envelhecimento do champanhe a uma temperatura constante.
A Maison Moët & Chandon, fundada em 1743 e uma das maiores produtoras de champagne do mundo, possui hoje cerca de 1.500 acres (6 km²) de vinhedos. Produzindo anualmente dois milhões de caixas da bebida, ela tem como etiqueta mais conhecida os Dom Perignon, uma homenagem ao monge beneditino conhecido como o pai da Champagne.





