I a M - LENDA DA AMOROSA - Cachoeiras de Macacu - RJ
Cachoeiras de Macacu é um município do estado do Rio de Janeiro, cuja sede dista da capital fluminense pouco mais de noventa quilômetros. O município é cortado pelo rio Macacu, mas além dele inúmeros outros cursos d’água também percorrem a região, nos quais existem dezenas de quedas d’água que atraem visitantes de vários lugares. Uma delas é a cachoeira Amorosa, no rio Carocango, divisa com o município de Trajano de Morais. Dividida em dois saltos paralelos na época de estiagem, mas que se transformam em um só durante o período das chuvas, ela tem quinze metros de altura, formando a seus pés uma piscina natural com pouca profundidade.
Seu nome, segundo consta, tem origem em lenda vinda do tempo do Brasil colônia, época em que os índios sacurus (ou sucurus), provavelmente do grupo tupi, habitavam a região. Diz a lenda que dois deles, Ipojucan e Jandira, pertenciam a aldeias diferentes. Ele, guerreiro valoroso e caçador respeitado, vivia com os de sua tribo em uma planície na junção dos rios Carocango e Vermelho, enquanto ela morava com os seus às margens do primeiro, um pouco mais abaixo. Os dois, quando ainda meninos brincavam juntos entre as pedras do Carocango e tomavam banho na cachoeira. E assim foram crescendo, cada vez mais apegados um ao outro.
E assim os anos foram passando. Jandira, artesã caprichosa, fazia cestos de caça para o namorado, enquanto ele lhe trazia os melhores animais que capturava. Até que um dia, ao ver pegadas humanas esquisitas no chão da mata, o rapaz as seguiu até um grande tronco oco, onde encontrou uma criatura estranha, mas com aparência de gente, dormindo dentro do buraco. Ela era bem pequena, praticamente anã, tinha cabelos grandes, corpo magro e peludo, e o mais curioso: seus pés eram voltados para trás, o que deixou Ipojucan ainda mais intrigado.
Curioso, ele acordou o desconhecido que, assustado, se pôs de pé num pulo e correu rumo a um caititu que surgiu à sua frente como se o estivesse esperando, montou nele e entrou mata à dentro. Persistente, Ipojucan o seguiu até a beira de um regato, onde o pequerrucho de pés ao contrário parecia estar lhe esperando.
- Quem é você? – perguntou Ipojucan.
- Sou o Curupira, defensor da mata e dos animais. Por que você não me matou enquanto eu dormia?
- Porque não costumo matar seres indefesos. Só enfrento quem é capaz de me enfrentar.
- Não gosto de caçadores, mas vejo que você não é um deles. Você enfrenta os animais, dando-lhes uma oportunidade. Fique com Tupã.
E dizendo isso retirou-se com seu caititu, desaparecendo na floresta.
Alguns anos depois, Ipojucan e Jandira ficaram noivos, e os pajés das duas tribos marcaram o casamento para a primeira noite de lua cheia do mês de novembro, que já estava próximo. Na véspera desse dia, na parte da manhã, Ipojucan ofereceu a Tupã um belo animal, pedindo-lhe que abençoasse as núpcias.
Acontece que Anhangá, deus da morte dos sacurus, invejava o herói dessa lenda desde o dia em que o Curupira lhe falara dele. Então a entidade maligna adotou a forma de uma onça e surgiu diante do rapaz, desafiando-o para uma luta tipo caçador contra caça.
Mas foi vencido rapidamente, sendo ferido de morte no peito. Anhangá ressuscitou o animal, que foi perseguido por Ipojucan até a cachoeira, onde Jandira recolhia a palha de que precisava para fazer sua rede nupcial. Quando o deus do mal, na forma da onça branca, a avistou, decidiu abraçá-la para vingar-se do homem que detestava, mas esta, percebendo o que estava para acontecer, gritou desesperada, chamando seu amado. Este, que vinha chegando, acudiu de imediato. Lançou-se contra o animal e o trespassou mortalmente com sua lança, repetindo o que já havia feito antes.
Humilhado por ter sido derrotado duas vezes por um humano, Anhangá enfureceu-se ainda mais, e por isso transformou-se numa tromba d’água que caiu com fúria sobre o casal, arrastando-o implacavelmente para o sumidouro da cachoeira. Que daí em diante passou a ser conhecida como Amorosa.
Existe outra versão para o nome da cachoeira. Segundo ela, a queda d’água era conhecida anteriormente como Véu-da-Noiva, passando depois a ser chamada de Cachoeira dos Amores. O que permite a conclusão de que o nome Amorosa tem tudo a ver, efetivamente, com o romance lendário vivido por Ipojucan e Jandira.






Olá parabéns pelo texto muito esclarecedor, não conhecia essa lenda só a pouco tempo depois de uma pesquisa para Biblioteca que trabalho. Gosto de contar histórias sou Bibliotecária e essa certamente vou contar.\r\npretendo visitar essa cachoeira também.\r\n
Só uma observação. Não é Cachoeiras de Macacu e sim CONCEIÇÃO DE MACABU.