Aves - ÁGUIA
Entre os gregos antigos, a águia, signo de Zeus (Júpiter, entre os romanos), o deus mais poderoso do Olimpo, foi o símbolo da sobrevivência da alma humana após a morte. Mas em todos os tempos, e em quase todas as mitologias ocidentais e da Ásia, ela tem sido escolhida para representar a soberania, a potência e a altivez. Na realidade, é a mais importante de todas as aves de grande porte. Seu corpo sólido e vigoroso chega a medir um metro do bico à cauda, e sua envergadura é esplêndida: quando abertas, suas asas alcançam quase dois metros, de ponta a ponta.
Ave solitária, evita o convívio dos seus parentes falcões e gaviões, todos da ordem Falconiformes, família dos Accipitrídeos. Procura construir seu ninho em lugares altos e retirados, trançando com galhos grossos uma espécie de parede circular de uns trinta centímetros de espessura, onde a fêmea bota de um a cinco ovos que choca em cinco semanas. Com o nascimento dos filhotes, a vida do casal torna-se uma constante vigília. O macho sai em busca de comida para a prole, enquanto a fêmea se ocupa em digerir parcialmente os alimentos trazidos, para regurgitá-los nas goelas dos filhotes.
Voando a centenas de metros de altura, planando e elevando-se graciosamente, as águias localizam a presa a centenas de metros de distância, e então se lançam ao ataque, apanhando o animal com suas possantes garras. Para alimentar-se elas caçam mamíferos de menor tamanho, como marmotas, coelhos e roedores, mas algumas comem também pequenos répteis. A visão da águia é muito aguçada. Seus olhos são tão grandes que ocupam quase um terço do crânio, e por isso seu campo visual abrange praticamente toda a área em torno de si. A visão de uma águia é muito mais precisa que a dos humanos. É tão aguda que uma presa do tamanho de um coelho, a 3km de distância, é perfeitamente visível. Essa capacidade elas devem às células fotossensíveis em seus olhos - oito vezes mais concentradas que no olho humano, o que os torna extremamente sensíveis a detalhes. Como ocorre na maioria dos caçadores, os grandes olhos da águia estão situados na frente da cabeça, de forma que as imagens captadas por eles sobrepõem-se produzindo figuras tridimensionais, essenciais para um julgamento preciso à distância, na hora de um ataque em alta velocidade.
Existem várias espécies de águia, mas todas têm uma característica comum: a plumagem geralmente uniforme e de cor escura, que chega até junto das garras. De todas, a mais conhecida é a chamada águia-real, que vive nas regiões montanhosas da Europa, Ásia e Estados Unidos. É grande, potente, de asas firmes que lhe dão um vôo inconfundível. De dimensões quase idênticas é a águia-imperial, encontrada na Ásia Central, Ásia Menor e Espanha. A águia-calva, ou águia-de-cabeça-branca, é encontrada na Sibéria e na América do Norte, onde passou a ser o símbolo nacional dos Estados Unidos.
Na África encontra-se a águia-sem-cauda, nas Filipinas a águia-dos-macacos, enquanto na Austrália, Tasmânia e Nova Guiné é encontrada a águia-australiana. Uma das maiores espécies européias, a águia-marinha, caça nas águas do norte e do leste da Europa. Não existem águias verdadeiras no Brasil, e as aves que recebem esse nome geralmente são gaviões.
Imponentes e majestosas, mas solitárias e arredias, as águias mantêm acesa a curiosidade dos homens sobre seus hábitos e costumes. E os pesquisadores se esforçam para satisfazer esse interesse científico. No tocante ao acasalamento, por exemplo, constatou-se que em determinado momento a águia-de-cabeça-branca aproxima-se de um galho para pousar perto de sua parceira. Ela o recebe dobrando o corpo quase na horizontal, abrindo as asas e piando. Ele monta nela mantendo as garras curvadas, para não machucá-la, ao mesmo tempo em que ela levanta a cauda para que o macho tenha acesso à sua abertura genital, para onde ele transfere seu esperma. Isso nem sempre é muito fácil, pois conseguir passar o esperma para o trato genital equilibrando-se sob vento forte, exige grande habilidade e cooperação.
O acasalamento é o momento culminante após vários meses de cortejo com elaboradas demonstrações aéreas. Os pássaros não conseguem armazenar esperma e por isso acasalam diversas vezes para garantir que o ovo será fecundado, o que deve ser feito antes da casca ser formada. Quando a fêmea está preste a por os ovos, eles chegam a fazer isso de cinco a seis vezes por dia.
As águias-marinhas são excelentes pescadoras. Planam a mais de 30 metros acima do mar ou do lago, procurando os peixes. Ao avistarem um, mergulham em direção à água, e antes de tocá-la balançam as garras em forma de gancho, para pegar o peixe. Suas pernas fortes permitem que agüentem o choque ao bater na água, e o impulso do vôo normalmente as leva até mesmo para baixo da superfície. Elas têm grandes unhas afiadas com as quais prendem o peixe, que em seguida é levado pelos ares com a cabeça posicionada para frente, a fim de diminuir a resistência ao vento, a um lugar alto e seguro, onde será comido.
Quanto às águias-reais, elas formam casais que necessitam de até 55 km de território para caçar. Seu vôo normal é feito a uma velocidade que oscila entre 45 a 50 km/h, mas quando mergulham para pegar uma presa, chegam com facilidade aos 320km/h. As que vivem no norte do território americano (Alasca e Canadá) costumam migrar para o sul no outono, quando a comida se torna escassa em seu ambiente. Mas nem todas procedem dessa forma, pois algumas permanecem em seus territórios habituais, apesar das dificuldades que enfrentam.
Elas são protegidas pelo governo dos Estados Unidos e consideradas ameaçadas de extinção. A caça e a diminuição do número de presas das quais se alimentam (em virtude de alterações no habitat natural das mesmas), estão entre os principais fatores responsáveis pela crescente limitação das populações dessas aves.





