R a U - TÚMULO DA FILOMENA - Araxá - MG
Araxá é um município mineiro situado na mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Com população de 93.071 habitantes, confirmada pelo censo de 2010, do IBGE, ele tem localização geográfica estratégica, já que dentro de um raio de 600km, partindo-se da cidade, está a região de maior concentração populacional do país, com 73% do PIB Nacional e um público potencial de 43 milhões de pessoas.
A cidade integra o Circuito das Águas de Minas Gerais, reconhecido pelas propriedades terapêuticas de suas águas medicinais e pelo clima agradável de que desfruta durante o ano todo. Araxá é propícia ao desenvolvimento da atividade turística devido a fatores históricos, geográficos, econômicos e folclóricos que enriquecem seu passado e definem o imenso potencial da região. Entre estes últimos inclui-se a lenda sobre o túmulo de Filomena, história que merece ser preservada porque ajuda a manter viva na memória de tantos e tantos a lembrança do que aconteceu no ontem em sua terra e com sua gente.
A Secretaria de Turismo de Minas Gerais revela em seu material de divulgação que a escrava Filomena é hoje uma figura lendária que teria vivido na cidade em meados do século 19. Segundo se conta, ela contraiu varíola, doença infecciosa, contagiosa e epidêmica, caracterizada pela erupção de pústulas na pele, e por isso foi isolada do restante da população, mas com o agravamento de seu estado de saúde teria sido enterrada viva. Logo depois algumas pessoas passaram a visitar o local do sepultamento, levando-lhe flores, alimentos e velas. O número desses visitantes foi aumentando paulatinamente com o correr do tempo, não demorando muito para que diversos milagres começassem a ser atribuídos a ela.
Em conseqüência, diante do túmulo de Filomena (ilustração ao lado e abaixo) foi construída uma capela pequena e simples, que recebe diariamente grande número de visitantes. Tem à sua frente um pequeno adro, em cujo centro ergue-se uma cruz de madeira. O interior da capela é despojado, com bancos de madeira e uma mesa de comunhão sobre a qual são colocadas imagens de santos, flores e presentes oferecidos a Filomena. Ao lado da mesa há outra cruz de madeira. Do lado esquerdo da capela, ergue-se um puxado onde fica o túmulo da milagreira, com velas acesas diariamente.
Outra versão revela que Filomena era uma mulher simples que vivia sozinha. Acometida de varíola, foi isolada pela população, que logo depois decidiu enterrá-la viva. Para que essa atitude dos araxaenses da época possa ser melhor compreendida, nada melhor que um trecho de matéria publicada na revista História, Ciências, Saúde-Manguinhos, volume 8, nº 1, Março/Junho 2001, onde se diz que:
“Em 1994, em decorrência de obras públicas de saneamento no bairro de Jacareacanga, em Fortaleza, Ceará, operários que ali trabalhavam encontraram centenas de ossadas humanas dispostas em vala comum e cova rasa. As imagens veiculadas em jornal faziam lembrar um típico campo de concentração nazista, e o fato permaneceu durante algum tempo como um enigma para a imprensa e a sociedade local. Depois de inúmeras conjecturas absurdas, chegou-se enfim à verdadeira explicação”.
”Tratava-se de uma espécie de 'cemitério clandestino'. Na verdade, foi a solução mais prática encontrada por coveiros em fins do século XIX, para dar conta de milhares de corpos, das dezenas de mortos, a cada dia naquela cidade. Fortaleza já vinha de um histórico de sucessivas epidemias de cólera e febre amarela, tendo ambas as doenças produzido efeitos devastadores na cidade. Em fins do século XIX, foi a doença mais tarde conhecida como varíola, e causada pelo agente transmissor Culex, a 'peste' que arrasaria boa parte da população cearense, pois, em vez de se restringir à capital, também se espalharia por municípios vizinhos, como Pacatuba”.
Voltando à versão relatada, algumas pessoas piedosas ainda se aproximavam da enferma enterrada para levar-lhe água e alimentos porque, apesar de todo o corpo de Filomena ter sido coberto com terra, a cabeça ficara de fora, e por isso a infeliz podia ser alimentada e dessedentada. Depois de morta ela se tornou conhecida como Santa Filomena, com muitos devotos acreditando que se tornara milagrosa por ter passado por tanto sofrimento quando em vida.
No local de sua sepultura foi construída uma pequena capela, em cujo interior há bancos de madeira e uma mesa de comunhão com imagens de santos, flores e presentes. Ao lado, numa saleta, fotos testemunham o agradecimento de quem assegura ter alcançado as graças pedidas, e noutra, velas são acesas diariamente. Completando o cenário, uma pequena varanda que pode ser utilizada como mirante, modestos sanitários e um anexo com um salão e ampla cozinha.
A capela encontra-se no alto de uma colina no bairro Bela Vista, a dois quilômetros do centro de Araxá. - Rua Honório de Paiva Abreu -, onde as visitas podem ser feitas diariamente no horário das 07 às 20 horas. No mesmo lugar também acontece, nas épocas apropriadas, o encontro das folias de reis da região.





