Artrópodes - ÁCAROS - Companheiros de cama

Ácaros são artrópodes pertencentes ao grupo dos aracnídeos, que compreende as aranhas, os escorpiões e outros mais, e estão incluídos na ordem dos acarinos, onde também são classificados os carrapatos. Possuem corpo revestido de uma carapaça de resistência muito variável, com membros articulados, mas sem separação distinta entre o cefalotórax (resultante da união da cabeça e do tórax) e o abdômen. São ovíparos, possuem 8 pernas, 2 olhos e 2 tentáculos articulados, sendo que muitas de suas diversas espécies vivem nas plantas, na matéria pútrida, ou em água doce ou salgada. Mas as que parasitam os homens e animais podem provocar-lhes doenças, principalmente a sarna.

 

Alguns desses parasitas são tão pequenos que seus hospedeiros nem os percebem, embora eles estejam presentes em todos os lugares da casa, principalmente em colchões e lugares úmidos. Em camas de casal, por exemplo, podem ser encontradas colônias com cerca de até dois milhões de microscópicos e bem-sucedidos ácaros de poeira, sem que a maioria das pessoas sequer suspeite de que está dormindo sobre essa multidão de invisíveis inquilinos. Somente aquelas que têm alergia à poeira podem se dar mal com a presença desses hóspedes diminutos e indesejados, já que estes podem desencadear nelas um ataque de asma.

 

Acontece que a vida do ácaro de poeira se desenvolve toda ela debaixo de nossos lençóis, pois sua sobrevivência depende exclusivamente de um suprimento regular de células de pele, da eliminação do suor ou algo mais como pêlos de gato, por exemplo. Mas como eles se alimentam basicamente de partículas de pele morta que se soltam do corpo dos humanos quando estes se viram na cama durante o sono, os ácaros de poeira não necessitam de mais nada para completar o seu ciclo de vida em espaços tão reduzidos como o existente debaixo de um único botão do colchão, ou mesmo de uma pequena dobra no tecido que o reveste. Mas a grande quantidade de excrementos que eles produzem, além do depósito continuo de pele morta dos humanos e corpos de ácaros cuja população se renova constantemente, formam uma camada de resíduos que é remexida toda vez em que a cama é feita ou os lençóis são trocados, e é essa avalanche de ácaros de poeira que desencadeia os ataques de asma.

 

No Jornal da Unicamp (www.unicamp.br/unicamp) a bióloga Raquel Binotti e o médico Celso Henrique de Oliveira relatam que colheram amostras de poeira de 58 domicílios de Campinas para as suas teses de mestrado e doutorado, respectivamente. Ao analisarem o material, eles verificaram a presença de ácaros em todas as residências. O que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi o fato de o colchão ser o esconderijo predileto dos acarídeos. "A concentração de ácaros na parte de baixo do colchão, que fica em contato com o estrado, é três vezes maior do que na de cima", afirma Oliveira.

 

Em seguida, no ranking de preferência dos bichinhos, aparecem o sofá, o tapete, a despensa e a cortina. Em uma das residências pesquisadas, os autores das teses encontraram uma concentração de 40 mil ácaros por grama de poeira. De acordo com alguns estudos internacionais, a presença de 500 indivíduos por grama de poeira é suficiente para causar crise alérgica numa pessoa, com sintomas como a falta de ar. "A concentração de 100 ácaros por grama de poeira já é o bastante para provocar alergia, embora não gere crise", esclarece Oliveira.

 

O médico lembra que cerca de 80% das alergias respiratórias estão relacionadas com esses acarídeos. Ele explica que os ácaros adoram poeira, umidade e ambientes pouco iluminados. Eles se alimentam normalmente de fungos e das escamas da pele humana. Uma pessoa adulta libera algo como cinco gramas de escamas por semana, um banquete e tanto para os bichinhos. Nas amostras de poeira analisadas, os pesquisadores identificaram 18 tipos diferentes de ácaros. Os mais comuns, conforme Raquel, foram os da espécie Dermatophagoides pteronyssinus, presente em 55% das casas, e o Blomia tropicalis, encontrado em 14% dos domicílios.

 

A bióloga diz que são as fezes e as carcaças em decomposição desses animais que causam as alergias. Quando ficam em suspensão, são aspiradas pelas pessoas e acabam irritando as mucosas do nariz e da garganta. Em contato com o pulmão, provocam a asma brônquica, conhecida popularmente como bronquite.

 

De acordo com os autores das teses, que foram orientadas pelo professor Angelo Pires do Prado, do Instituto de Biologia (IB), é praticamente impossível eliminar os ácaros do ambiente doméstico. Como encontram condições favoráveis para estabelecer seus ninhos na área urbana, os acarídeos se multiplicam muito rapidamente. Cada animal vive, em média, 100 dias. Em 20 dias, já se tornam adultos. Durante a sua vida, uma fêmea põe até 200 ovos. "É ácaro que não acaba mais", constata Oliveira.

 

A saída, conforme os pesquisadores, é tentar controlar a população desses bichinhos, fazendo com que ela fique abaixo da concentração capaz de causar alergia ou mesmo crise. Algumas medidas trazem bons resultados. Virar o colchão a cada 15 dias e envolvê-lo com uma capa emborrachada internamente, fechada por zíper, são duas delas. Também é recomendável não usar tapetes e cortinas. No lugar das cortinas é preferível optar por persianas plásticas. Manter a casa sempre arejada e iluminada é indispensável para combater os ácaros. "Além disso, é preciso que as pessoas mantenham os alimentos bem fechados nas despensas e evitem fazer refeições na cama ou no sofá", aconselha o médico.

 

 

 

 

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