Aves - AVE-DO-PARAÍSO

As aves-do-paraíso, também conhecidas como aves-de-deus, vivem nas zonas de floresta tropical da Nova Guiné, norte da Austrália e algumas ilhas daquela região da Oceania, e foram assim chamadas pelos europeus por causa das suas penas e plumas coloridas. São aves de pequeno e médio porte, cujo tamanho, do bico à ponta da longa cauda, varia de 15 a 100cm, em média, e que se destacam, na maioria das suas 43 espécies, pela exuberância e colorido diversificado da plumagem dos machos, lembrando as cores do arco-íris. Ao contrário das fêmeas, que apresentam coloração cinzenta ou castanha, e sem brilho, embora em algumas espécies o macho não seja ornamentado e por isso tenha muita semelhança com a fêmea. A alimentação dessas aves, que não cantam, é baseada em frutos e folhas, insetos e répteis pequenos.

 

As plumas das aves-do-paraiso são de grande importância para os nativos da Nova Guiné, que as têm como símbolo de melhor condição social. O mesmo acontecia com os europeus da metade do século 16. Os registros da época registram que após a descoberta da ilha, as plumas tornaram-se um adorno habitual nos chapéus das senhoras das classes média e alta, enquanto museus de história natural e colecionadores particulares disputavam exemplares empalhados. Esse modismo e esnobismo exagerados quase provocaram a extinção de muitas espécies, que conseguiram sobreviver somente porque viviam em regiões praticamente inacessíveis. Essa caça desenfreada chegou a ponto de abater em torno de cinqüenta mil aves por ano, e só veio a se tornar proibida em 1920, quando uma lei concedeu proteção ambiental a todas as espécies. Paralelamente, muitos países não mais permitiram a importação ou comercialização de plumas das aves-do-paraíso em seus territórios.

 

A plumagem da cauda da ave-do-paraiso é tão incômoda que afeta sua capacidade de voar e escapar de predadores, limitando suas chances de sobrevivência. Mesmo assim, apesar dos problemas, a cauda aumenta suas chances de reprodução. Isso está vinculado à teoria da seleção natural de Darwin: quase todas as características físicas, especialmente entre os machos, evoluíram porque ofereciam vantagens.

 

Enquanto os machos das aves-do-paraíso vivem solitariamente, as fêmeas e seus filhotes agrupam-se em pequenos bandos, mas na época da reprodução eles procuram atrair a atenção delas realizando exibições que variam de espécie para espécie. Um exemplo é o da ave-do-paraíso azul, que quando quer encontrar uma fêmea para acasalar pendura-se de cabeça para baixo em um galho bem visível e faz uma demonstração maravilhosa: a plumagem azul de sua cauda espalha-se como uma massa cintilante sobre o veludo negro de sua cabeça e peito, e a longa cauda negra bifurcada eleva-se apontando para o céu. Assim posicionado ele começa a balançar-se para frente e para trás, emitindo chamados roucos e estranhos, até que finalmente consegue atrair os olhares de uma fêmea interessada em tê-lo como parceiro.

 

As aves-do-paraíso conde Raggi também são exímias praticantes desse comportamento pré-nupcial, podendo ser vistas em sua melhor forma durante as espetaculares danças de cortejo que executam. Os machos reúnem-se nas árvores, cada um defendendo o galho que lhe garanta maior visibilidade, e quando as fêmeas se aproximam eles iniciam uma demonstração frenética de danças que incluem saltos, bater de asas e sacudidelas de sua extremidade traseira, para depois ficarem parados, com a cabeça para baixo, realçando as penas da cauda à guisa de convite para que as fêmeas as examinem. Caso uma delas não encontre o macho que lhe agrade, procura imediatamente outra área de demonstração, mas se o candidato satisfizer as suas expectativas, logo se empoleira ao seu lado, sinal de aquiescência para que ele possa então realizar uma breve dança que precede a cópula, jogando as penas sobre a cabeça da interessada. Depois de acasalados a fêmea põe os ovos, cuida de chocá-los, e mais adiante, sozinha, cria os filhotes que nascerem. Porque o galante sedutor há muito se pôs à procura de uma nova fêmea com a qual repetirá o mesmo procedimento.

           

Uma das três espécies de aves-do-paraíso que ocorrem na Austrália é a do pássaro-rifle, que pode ser localizado através do som forte, quase um grito emitido pelo macho para atrair a fêmea, o que geralmente é feito do topo de um tronco quebrado usado como se fosse palco de apresentação. Aparentemente esse pássaro tem só a cor negra, mas quando a luz do sol o ilumina outras tonalidades vão aparecendo em sua plumagem, dando a impressão de que ele parece adquirir luz própria. A cada grito de chamado a ave eriça as penas pretendendo parecer maior, e se a fêmea não dá sinal de vida, é hora de cuidar da plumagem e se preparar melhor para o momento do encontro ansiosamente desejado. Porque, na verdade, o macho pode até ser bem mais bonito, mas é a fêmea quem decide a hora do acasalamento.

 

Esse ritual com final bem sucedido foi acompanhado de perto pela equipe de uma emissora de televisão, que ao descrevê-la diz que “De repente, uma fêmea passa rapidamente. O artista ameaça se apresentar. Uma, duas, várias vezes. Quando a fêmea pousa perto, começa o show. É um ritual de sedução. Toda beleza tem que ser exibida. E cada apresentação dura até dois minutos. Não foi dessa vez. Melhor tentar a sorte em outro palco”. O resultado dessa interessante reportagem pode ser devidamente apreciado em www.youtube.com/watch-pássaro rifle. 

 

Uma das lendas sobre as aves-do-paraíso sustenta que somente em 1522 os europeus viram, pela primeira vez, um exemplar vivo. Isso aconteceu quando Antônio Pigafetta, marinheiro, geógrafo e escritor italiano que acompanhou Fernão de Magalhães em sua viagem ao redor do mundo, retornou à Europa trazendo uma dessas aves. Pigatella foi um dos dezoito sobreviventes da expedição que partiu em 1519 com 260 homens a bordo, tendo completado a circunavegação sob o comando de Juan Sebastián Elcano, após a morte de Magalhães.

Deixe um comentário:

  

      

  

caracteres restantes.


Comentários:


Nenhum comentário.