Aves - BEIJA-FLOR
O beija-flor movimenta-se rapidamente por entre as flores para alimentar-se com o néctar que elas produzem, num vai-e-vem incessante que o faz consumir desse líquido açucarado, todos os dias, o equivalente à metade de seu peso vivo (em algumas espécies esse peso é menor do que o de uma mariposa grande). E é essa dieta rica em energia que permite ao pequeno pássaro cerca de 250 inspirações e mil pulsações a cada minuto, além de conseguir, no mesmo espaço de tempo, um batimento ininterrupto de asas que chega a um milhão de vezes (média de oitenta batidas por segundo), fazendo-o alcançar uma velocidade de vôo que pode atingir os setenta e cinco quilômetros por hora.
Mas apesar de devidamente fortalecido pelo açúcar que ingere durante suas quase sessenta refeições diárias, quando retira com a língua comprida a substância que procura nas flores, sugando-a à razão de treze vezes por segundo, o beija-flor precisa cuidar-se quanto ao reconhecimento das plantas que visitou, para só retornar a elas depois que seu suprimento de néctar estiver devidamente reposto: porque se voltar cedo demais, não conseguirá energia suficiente para compensar a viagem, mas se retardar a visita, correrá o risco de que um concorrente mais esperto tenha tirado proveito da distração e chegado lá antes dele.
Considerando-se o seu tamanho diminuto, o beija-flor consome mais combustível que um avião de caça a jato. E se por acaso um ser humano tivesse que gastar a mesma quantidade de energia queimada pela pequena ave, seu corpo se aqueceria a uma temperatura de 399° e pegaria fogo. Mas durante suas incursões aéreas esse passarinho vai cumprindo prazerosamente a tarefa de polinização que a natureza lhe confiou, pois a cada gole da solução açucarada ele também se impregna da poeira de pólen que será levada de flor em flor, possibilitando maiores chances para a reprodução das plantas. Para poupar energia durante a noite, o beija-flor reduz ao máximo seus batimentos cardíacos e sua temperatura corporal, entrando no chamado estado de torpor. É como se o beija-flor entrasse em uma curta hibernação. Ao amanhecer ele lentamente sai do estado de torpor, levando cerca de 20 minutos para despertar, e reinicia suas atividades normais.
Essa necessidade de alimentação constante agrupa os beija-flores em duas categorias distintas: os que percorrem diariamente longas distâncias na busca de suprimentos, e os que se mantém de forma permanente dentro um território com menor tamanho. Como os do primeiro grupo possuem asas grandes e por isso despendem menos energia durante o vôo, podem passar sem maiores problemas por flores esparsas e com pouco néctar; já os outros, de asas menores e maior consumo energético, precisam reabastecer-se com rapidez realizando um menor número de viagens. Por isso eles se dão ao luxo de gastar uma energia extra na defesa até mesmo ameaçadora das flores de sua área de alimentação, mantendo afastados, dessa forma, os vizinhos indesejáveis.
O site www.petbrazil.com.br publica material informativo a respeito dos beija-flores. Em um dos seus itens, diz o texto que “Uma característica menos perceptível é o sono do beija-flor. Ao escurecer, pousa num galho fino que possa ser agarrado por seus pés pequeninos a ponto de não lhe permitirem andar. Para descansar tranqüilo, começa um ritual que visa economizar muita energia. Diminui gradativamente a temperatura corporal, dos 40 graus a algo próximo à do ambiente. Se atingir 15,6 graus, por exemplo, gasta cerca de 50 a 60 vezes menos energia. Uma redução como essa, de mais de 50%, seria fatal para o homem. O coração desacelera a 36 batidas por minuto. O sono profundo o torna presa fácil de corujas, gambás e serpentes. Mesmo porque demora até uma hora fazendo reaquecimento até alcançar os 30 graus de que necessita para voar. A maneira como se reaquece ainda não está definitivamente explicada. Sabemos, a princípio, que usa o tremor muscular, ensina o professor titular de fisiologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, José Eduardo Bicudo. Mas estudamos em laboratórios a hipótese de atuação conjunta de reações bioquímicas".
"Assim como algumas outras espécies de aves, os beija-flores passam por períodos de hibernação em regiões muito frias, tais como as próximas às cordilheiras nevadas dos Andes. Até há pouco tempo, acreditava-se que o motivo era o esgotamento das reservas energéticas, diz José Eduardo Bicudo. Embora isso também seja verdade, o processo é mais complexo: mesmo bem alimentados podem entrar nesse torpor".
Apesar de ser possível manter beija-flores em cativeiro, não há necessidade. A facilidade de atraí-los, a precisão que eles têm de exercitar a musculatura e de voar em busca de néctar e insetos, recomendam que a observação se restrinja aos exemplares em liberdade. Em casos que requerem o cativeiro, como nos zoológicos, o correto é que a área permita o vôo e abrigue uma boa variedade de plantas floríferas. "As dimensões mínimas de um viveiro são de 2 metros de frente por 2 de profundidade e 2 de altura, fechado com tela de vãos pequenos", define Bicudo. "Nesse caso, deve-se manter vasos com flores, fazendo um rodízio para sempre estarem à disposição dos beija-flores", explica o ornitólogo, doutor em zoologia pela Universidade de São Paulo, Herculano Alvarenga. "Pode-se complementar com cascas de banana que atraem drosófilas (mosquitinhos) e oferecer mel. As garrafinhas podem também ser oferecidas. Como o beija-flor precisa de boa musculatura para o reaquecimento ao despertar, não deve ser submetido à vida sedentária de uma gaiola”.
Originário da América do Sul, o beija-flor é encontrado em todas as regiões do continente, desde as terras frias da Patagônia e do Alasca até as zonas quentes da Amazônia e Guianas, do nível do mar até quatro mil metros de altitude. Porém, das suas quinhentas espécies e subespécies conhecidas, as mais numerosas e de colorido mais belo estão nas regiões tropicais. No Brasil ocorrem 105 espécies e subespécies, das quais os estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro são os mais bem aquinhoados.





