Aves - GROU
Desde há muitos séculos o grou, uma ave aquática que prefere viver agrupada em bandos, tem figurado na literatura e nas histórias lendárias, e até hoje os povos de muitas nações civilizadas devotam uma espécie de veneração a elas, acreditando que quando voam alto e em silêncio, estão dando sinal de bom tempo contínuo; mas ao contrário, quando voam baixo e fazendo barulho, indicam tempo tempestuoso ou úmido.
Ela tem pernas compridas, e quando ereta mantém a cabeça tão alta quanto a do homem, embora essa altura seja devida principalmente ao seu longo pescoço, que lhe serve para que possa viver nos pântanos e em lugares inundados, onde geralmente procura o seu alimento que consiste especialmente de matéria vegetal, como sementes de várias plantas ou grãos roubados de terrenos recém cultivados. Mas também devora insetos, vermes, rãs, lagartas, répteis, pequenos peixes e ovas de vários animais aquáticos.
Existem várias espécies de grou. Na América do Norte são mais comuns a Grus americana, de cor branca, penas das asas pretas e o alto da cabeça vermelho; a G. canadensis, de plumagem cinzenta; e a G. mexicana, de plumagem cinzento-azulada. A primeira delas está quase extinta, a segunda está se tornando cada vez mais rara, enquanto a terceira é ainda encontrada com facilidade no vale do Mississipi e em outras regiões norte-americanas. Na Austrália e na Nova Guiné é comum a espécie G. rubicunda, de plumagem branca, preta e cinzenta, existindo outras espécies que vivem na Argélia, no sudeste da Europa, na Ásia Central, África, etc.
Acredita-se que esses animais, que pesam em média cerca de cinco quilos e atingem a maturidade sexual aos cinco ou seis anos, se acasalem por toda a vida. Eles constroem seus ninhos entre moitas ou tufos nos pântanos, usando juncos, canas, etc., encimados por algum material mole. As fêmeas põem apenas dois ovos (cujo período de incubação é de 28 a 30 dias), de cor amarelada, acinzentada ou esverdeada, geralmente salpicados de manchas escuras.
Mas o raro grou siberiano tem hábitos diferentes, pois parece que os de sua espécie só nidificam em dois lugares, ambos na vegetação de tundra da Sibéria. Sua situação difícil não é atenuada pelos seus métodos de construção. A fêmea põe os ovos em touceiras toscas de musgo amassado, com 3 metros de comprimento, construídas sobre emaranhados flutuantes de raízes de carriço e matos encontrados nas margens dos imensos lagos rasos da tundra, mas essas ilhas flutuantes não evitam os predadores, pois as raposas e os lobos do Ártico conseguem saltar até essas touceiras. Mas, quando os filhotes conseguem sair da casca, a proximidade da água é uma vantagem, pois eles podem escapar nadando pelo lago gelado – uma façanha que realizam pouco tempo depois de nascerem – onde sequer o mais determinado dos predadores os seguiria.
Os grous geralmente migram e fazem viagens espantosamente longas e nas condições mais arriscadas, transportando-se das zonas de calor tropical até as águas geladas da Sibéria, e da América Ártica até aos trópicos. Ao levantarem vôo para iniciar viagem, executam numerosos círculos e evoluções no ar e, geralmente, se dispõem em duas linhas que formam um ângulo, o qual faz ouvir a sua voz estridente, como que dirigindo o avanço quando o bando se encontra muito acima das nuvens e completamente fora de vista. A esse grito o bando responde de forma estridente.
A visão de um bando de aves - como gansos e grous - voando na costumeira forma de “V”, agrada os observadores em terra firme, mas há mais motivos, além da beleza, para essa formação de vôo. Alguns pássaros migram através de longas distâncias. Os raros grous siberianos voam dos locais onde passam o inverno, na Índia e na China, até os locais de procriação na Sibéria, voltando de lá todos os anos. Voltando em forma de “V” os pássaros economizam energia, pois cada um ajuda o da frente.
O bater das asas gera pequenos redemoinhos de ar na ponta, e esses torvelinhos de turbulência atrapalham o pássaro que os produz, retardando o seu vôo. Porém, ajudam o pássaro que segue pouco atrás, pois o ar ascendente provê uma elevação extra e o pássaro não precisa se esforçar tanto para manter-se no ar. O melhor efeito é alcançado quando eles voam com a ponta das asas parcialmente sobrepostas, mas mesmo as formações em “V” mais imprecisas beneficiam o vôo.





