Aves - SABIÁ-LARANJEIRA

No dia 5 de outubro, Dia da Ave, comemora-se também o dia de uma criaturinha de temperamento dócil, que canta e inspira – o sabiá laranjeira, pássaro brasileiro escolhido para ser a ave-símbolo do Brasil. Imortalizado na Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, o sabiá-laranjeira juntou-se oficialmente aos outros quatro símbolos nacionais – a bandeira, o hino, o brasão de armas e o selo, tendo a mesma importância deles na representação do Brasil em 3 de outubro de 2002, por decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso.

 

O sabiá-laranjeira mede cerca de 25 centímetros, tem plumagem parda, com exceção da região do ventre, destacada pela cor vermelho-ferrugem, levemente alaranjada, e bico amarelo-escuro. No reino de sua majestade, o sabiá, os machos e as fêmeas não apresentam diferenças aparentes e ambos têm a incumbência de construir o ninho. O sabiá, que pode viver entre 25 e 30 anos, migra para regiões mais quentes no inverno, voltando para o ponto de partida sempre que o calor o convida. Segundo o ornitólogo (estudioso de pássaros) Johan Dalgas Frisch, são 12 as espécies de sabiás existentes no Brasil, sendo que o pássaro assume outras denominações em regiões diferentes do país. Assim, ele tanto pode ser caraxué (AM), sabiá-coca (BA), sabiá-laranja (RS) e ainda sabiá-de-barriga-vermelha, sabiá-ponga e sabiá-piranga em lugares diferentes.

 

De hábitos simples, o pássaro não faz cerimônia para comer: “O sabiá-laranjeira tem alimentação mista – tanto consome vermes e insetos nos bosques e florestas, quanto pode ser encontrado nos quintais, nutrindo-se de pequenos frutos. Aprecia também minhocas – tem um tino incrível para localizá-las – e, como sobremesa, gosta de pitangas, frutos da aroeira, palmito doce, bananeira, figueira, amoreira, mamoeiro, goiabeira, cajueiro, ameixa-amarela, sementes de magnólia e laranja, cuja casca perfura para atingir a polpa açucarada”, revela o pesquisador.

 

O pássaro, que no Nordeste é tratado como a sabiá, foi escolhido entre quase duas mil espécies, causando divisão na preferência dos ornitólogos. Alguns achavam que a ararajuba deveria representar o país, pela coloração verde e amarelo identificada com as cores do Brasil; outros foram cabos eleitorais do tucano, devido à associação que a ave tem com os trópicos; outros ainda queriam um pássaro de canto mais raro. “Não é só beleza, ou só trinado mais harmonioso que conta para ser ave-símbolo de um país”, afirma Dalgas. “É preciso fazer parte da cultura, do folclore, ter presença na literatura, na poesia, na música e viver perto das pessoas. O coleira-da-serra-do-mar canta melhor que o sabiá-laranjeira. Todavia, o sabiá se aproxima das pessoas, é um companheiro do homem que vive no campo ou na cidade. Não adianta uma ave-nacional com a qual o povo não tem contato”, avalia o ornitólogo.

 

E prossegue na defesa do canto do seu pássaro preferido: "O sabiá tem a qualidade do som.  Não existem dois  sabiás que cantem a mesma música.  O som emitido por ele é melhor ouvido pelo homem porque está dentro de uma faixa auditiva mais agradável. Na primavera, é o primeiro canto que se ouve, antes mesmo de clarear o dia”.

 

Na natureza, onde vive em torno de 30 anos, ele ocorre em todas as regiões do Brasil, sendo encontrado em bordas de matas, parques, pomares, capoeiras, e até mesmo em centros de cidade, desde que neles exista alguma arborização, mas em regiões mais secas prefere a beira de rios e lagoas. São vistos pousados em galhos, descendo muitas vezes ao solo, especialmente em áreas úmidas, para caçar minhocas e insetos sob as folhagens. Também adoram frutinhas moles de época, como pitangas, aroeira e laranjas, frutos esses que após caírem no chão se decompõem criando larvas de moscas e de outros insetos, tornando-se, assim, pratos fartos para sua alimentação. Sendo um pássaro territorial, já que demarca uma área geográfica quando está em processo de reprodução, não aceita a presença de outras aves da espécie.

 

Não há diferença visível externamente entre o macho e a fêmea, que medem 25cm de comprimento. Ambos constroem o ninho utilizando gravetos, fibras vegetais e barro. A postura é de 3 a 4 ovos em média, de cor esverdeada com pintas cor de ferrugem, e o período de incubação gira em torno de 14 dias. Os filhotes deixam o ninho após 20 dias, porém continuam sendo alimentados pelos pais por mais uma semana.  As fêmeas emitem pequenos trechos melodiosos e os jovens são iguais aos adultos, apenas com a plumagem mais opaca. Existem cerca de quatorze espécies desses pássaros no Brasil, e entre as mais populares estão o sabiá da mata, sabiá ferreiro, sabiá branco, e o sabiá coleira. Sua nutrição se compõe basicamente de insetos, lavas, minhocas, e frutas maduras, incluindo frutas cultivadas como o mamão, a laranja e o abacate. É uma ave que convive bem com ambientes modificados pelo homem, seja no campo ou na cidade, desde que tenha oportunidades de encontrar abrigo e alimento. Pode inclusive fazer seu ninho - uma tigela profunda de argila e folhas secas - em beirais de telhados.

 

Nos criatórios comerciais, permitidos pela portaria 118 do Ibama, o Sabiá precisa de gaiola ou viveiro apropriados para que possam viver bem e com saúde. A gaiola deve ter no mínimo 100cm x 45cm x 50cm, e deve ser posta em um local que receba sol, porém com uma parte sombreada. Deve-se, também, evitar a movimentação da gaiola e a colocação de objetos estranhos dentro da mesma, pois estes pássaros assuntam-se facilmente, podendo vir a se machucar. Limpar sempre os recipientes de água e comida, bem como a gaiola. Evitar locais com calor excessivo e expostos a correntes de ar, garantem melhores condições de vida a esses pássaros.

 

Fonte: Revista do Mackenzie

 

 

 

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