Curiosidades - CHEIRO DO AMOR, O
Já foi observado que quando o leão ronda o território das fêmeas, ele ocasionalmente permanece parado por instantes, cheira o ar, ergue a cabeça com o lábio superior curvado para dentro, e depois fecha as narinas e respira fundo pela boca. Ele interceptou um cheiro distante de urina da fêmea e sua reação é fazer com que esse cheiro seja levado ao órgão de Jacobson, localizado no céu da boca, onde é decifrado conforme seu teor de hormônios sexuais. Esse comportamento é chamado reação flehmen, apresentado por um grande número de carnívoros e outros mamíferos. O órgão de Jacobson lhes dá um olfato muito mais aguçado que o do ser humano, e é uma ferramenta sensorial especialmente útil para farejar uma companheira.
A urina da fêmea leva mensagem cheirosa, os feromônios, que fornecem informações sobre sua fertilidade, e ao decifrar essas mensagens o macho pode orientar suas atenções sexuais para onde elas tiverem mais chances de serem correspondidas. As mensagens são também importantes para as fêmeas, que avaliam os hormônios liberados por suas irmãs do bando para sincronizar seus próprios períodos férteis, ou oestros. Em geral, quando uma fêmea está no cio, todas as outras também estão, e a vantagem disso aparece no comportamento sexual dos leões.
Os machos acasalam a cada 25 minutos, mais ou menos, durante vários dias, e com a mesma fêmea. Geralmente há dois ou três machos adultos no mesmo bando, e se só uma fêmea do grupo estivesse no período fértil, eles lutariam entre si pelo direito de acasalar com ela. Os ferimentos resultantes desse confronto prejudicariam todo o agrupamento, que necessita de machos fortes e saudáveis para protegê-los. Assim, através da sincronia de oestros as fêmeas garantem que os machos se mantenham ocupados demais para lutarem entre si, o que evita o desmembramento social do grupo.
Quanto às borboletas, por serem insetos voadores diurnos elas não necessitam da ajuda de trilha aromática, pois contam com a visão para encontrar sua companheira. Quando o macho vê uma fêmea apropriada, persegue-a com repetidos mergulhos em direção à sua cabeça. Embora eles não sigam uma trilha aromática para encontrar qualquer fêmea, alguns deles, como os da variedade monarca, por exemplo, utilizam um feromônio afrodisíaco que atrai as fêmeas para o acasalamento. Os machos de borboletas rainhas norte-americanas levam esse afrodisíaco em feixes com pentes bem finos, que elas puxam do abdômen quando estimuladas sexualmente. Esses feixes são distribuídos em diversos pentes que dispersam o odor do macho no ar, estimulando a fêmea a parar de voar e aquietar-se para poder se acasalar com seu pretendente.
Com relação às mariposas, é fantástica sua capacidade de localizar as companheiras através da trilha deixada pelo cheiro. Normalmente é a fêmea que atrai o macho emanando um odor específico que ele consegue captar através de suas antenas. As mariposas-tortrix-de-fruta-de-verão machos também exalam um odor, só que com outra finalidade: elas liberam um feromônio que inibe outros machos de seguirem a trilha deixada por uma fêmea, e assim sendo, o primeiro deles que captar a trilha feminina provavelmente irá se acasalar com ela.
Um dos sinais da tão esperada primavera de Manitoban, no Canadá, é o aparecimento de milhares de machos de cobras listradas de amarelo vindos de um período de hibernação de seis meses em suas tocas nas rochas. Apesar de não terem se alimentado durante esse período eles não fazem o menor esforço para procurar comida, permanecem aguardando a chegada das fêmeas. Como elas aparecem sozinhas ou em pequenos grupos, são superadas em número pelos machos ansiosos, na proporção de cinco mil para uma. Essas fêmeas chegam exalando um odor que anuncia sua disposição para o acasalamento, e os machos mais próximos captam essas moléculas com a língua, transferindo-as para seu órgão receptivo de Jacobson.
Isso aciona sua reação sexual, e pouco depois a fêmea solitária se vê no centro de uma pilha de uns cem machos entrelaçados como uma bola viva, tentando colocar-se em posição para o acasalamento. Apenas um dos pretendentes será bem sucedido, pois tão logo ele completa o ato, solta uma secreção dura que impede os outros machos de penetrarem na fêmea. Ao mesmo tempo, ela modifica o seu sinal aromático e os machos partem em busca de outros acasalamentos que possam ser bem sucedidos. O grande número de pretendentes permite que cada fêmea seja impregnada trinta minutos depois de ter deixado sua toca, o que garante o nascimento dos filhotes antes do inverno do norte e do próximo período de hibernação.
Com relação às cobras sucuri, elas se acasalam entre abril e maio, dentro d’água, depois que os machos detectam no ar o hormônio característico liberado pela fêmea. Muitos deles se enrolam, então, no corpo dela, disputando a possibilidade de sucesso no ato sexual (como mostra a ilustração acima) que vai resultar no nascimento de até setenta filhotes após oito meses de gestação, com comprimento variando entre 15 e 35 centímetros.
Fonte: Segredos do Mundo Animal





