Curiosidades - COMPREENDENDO A MORTE

Muitos animais podem ficar de luto pela morte de outros, e alguns, inclusive, parecem claramente demonstrar tristeza quando morre um parente próximo. Certa vez, gritos de desespero conduziram Douglas Hamilton, um zoólogo, a uma trágica cena no Parque Nacional Manyara, na Tanzânia. Ele encontrou três elefantes jovens de diferentes idades, ao lado do corpo da mãe que caíra de uma descida íngreme e morrera. Um filhote encostava-se nela, o mais novo tentava mamar, e o mais velho gemia e procurava mover a elefanta morta com as presas.

 

Pessoas que trabalham com elefantes podem contar episódios que sugerem essa situação: animais compreenderem a morte. Fêmeas de elefantes e jovens machos dessa espécie vivem em grupos familiares muito próximos, liderados por uma elefanta idosa. Na planície de Serengeti, na África, alguns estudiosos observaram membros de uma família cuja matriarca estava morrendo, que tentavam colocá-la de pé, enquanto outros inseriam grama em sua boca ou ficavam em volta guinchando e barrindo inutilmente sua tristeza. Mesmo depois dela morta, o grupo parecia não querer deixá-la, voltando ao local várias vezes, durante horas, quando então acariciavam a carcaça com as presas ou as colocavam na boca do animal morto.

 

Se um filhote de elefante está doente ou machucado, a família se junta para protegê-lo, da mesma forma como uma mãe pode ficar com sua cria morta por algum tempo, afugentando predadores e até mesmo carregando o corpo em suas presas. Um grupo de elefantes irá quase sempre parar para examinar e tocar a carcaça de outro elefante morto, retirando e transportando presas até os arbustos, ou apenas movendo-os com as suas. Eles dão muita importância aos ossos em volta da boca, talvez porque sejam a parte mais usada para fazer saudações durante a vida, e também às presas, que pouco mudam com a morte. Ninguém sabe por que os elefantes são tão curiosos em relação aos ossos de seus semelhantes, e talvez por isso haja tantas histórias sobre a existência de cemitérios antigos para onde eles se dirigem vagarosamente pouco antes de morrer.

 

Já no Atlântico Sul, nas proximidades do continente antártico, encontram-se as ilhas Geórgia do Sul, sede de uma base de pesquisa do programa antártico britânico. Cientistas que estudam pássaros na ilha observaram pingüins idosos se reunindo em torno de poços de água longe da costa, que foram formados pela neve derretida. O fundo desses poços está coberto por camadas de cadáveres desses animais. Essas observações provocaram especulações sobre pingüins moribundos que se dirigem para cemitérios tradicionais em terra firme, sendo mais provável, no entanto, que esses animais doentes, ou idosos, vão até esse lugar em busca de água fresca para beber, e acabam morrendo na tentativa.

 

Nos desertos tórridos, em outra parte do mundo, costumam aparecer vários esqueletos em torno de fontes de água. Acredita-se que animais moribundos precisam mais do líquido do que de comida, e por isso vão até esses lugares e acabam ficando lá para sempre, embora muitos prefiram defender a suposição de que aquilo que parece ser um cemitério, na verdade é somente resultado do instinto natural da criatura em sobreviver.

 

Bobby, um cão terrier Skie, pertencia a John “Jock” Gray, um pastor escocês. Quando Jock morreu em 1858, em uma das suas viagens semanais e Edimburgo, foi enterrado na igreja de Greyfriars, e seu pequeno cão foi mandado de volta para a fazenda de Jock, nos montes Pentland. Entretanto, o fiel cão voltou sozinho a Edimburgo e apareceu ao lado do túmulo do seu dono um dia após o funeral. Abastecido de comida e água diariamente por curiosos e habitantes locais, Bobby ficou ao lado do túmulo por quatorze anos, até morrer em 1872. Na ocasião, sua fama era tão grande que a Rainha Vitória sugeriu que ele fosse enterrado ao lado de Jock Gray. Hoje, uma estátua comemorativa de Bobby se encontra na esquina próxima à igreja.

 

Acredita-se que os cães fiquem de luto pela morte dos seus donos, mas não se sabe se a história de Bobby sugere uma verdadeira compreensão da morte, ou apenas a tristeza da separação de uma situação familiar.

 

Parece provável que alguns símios e macacos compreendam realmente a morte. Muitos desses animais em liberdade dão sinais de tristeza quando um parente próximo morre. Uma mãe babuína jovem que perde o bebê recém-nascido, quase sempre carrega o corpo por volta de uma semana, afastando cuidadosamente as moscas e arrumando-lhe o pêlo.

 

A morte de um animal que vive em grupo pode causar mudanças profundas na organização do mesmo. Alguns indivíduos sobem uma etapa na hierarquia das responsabilidades ao preencher a lacuna deixada pelo morto, enquanto outros perdem um valioso aliado.

 

 

Fonte: Segredos do Mundo Animal

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