Extintos - ÁGUIA DE HAAST
A Nova Zelândia, ou Aotearoa em maori, a língua dos indígenas locais, é um arquipélago formado por três ilhas principais: ilha do Norte, ilha do Sul e ilha Stewart, sendo as duas primeiras separadas pelo estreito de Cook. Situado na Oceania, a 1500 quilômetros marítimos da Austrália, o país tem 1.500 quilômetros de extensão, de norte a sul, com larguras inferiores a 200 quilômetros. Sua fauna, primitiva, caracteriza-se pela abundância de aves, algumas de aparência extravagante, das quais muitas perderam (no processo de adaptação ao ambiente), a capacidade de voar.
Com a introdução nas ilhas de diversos animais de outras terras, vindos em navios europeus, a fauna primitiva praticamente se extinguiu com o passar do tempo (exceção feita ao tuatara, pequeno lagarto de dorso espinhoso e considerado um fóssil vivo, já que pouco se modificou desde a era dos dinossauros), incluindo-se entre as espécies desaparecidas a águia de haast (que em meados do século 15 já não mais existia), uma das maiores aves de rapina já existentes, descrita em 1870 pelo naturalista e explorador alemão, Julius Von Haast (do qual recebeu o nome), e apontada como ocupante do topo da cadeia alimentar de seu ecossistema. Para o pesquisador, seu tamanho e peso provavelmente seriam devidos ao fato de terem como habitat uma região sem predadores que as incomodassem, e também rico em presas de grande porte que capturavam sem dificuldade.
Von Haast encontrou vários esqueletos dessa ave em uma fazenda na ilha do Sul, e ao examiná-los constatou que as fêmeas da espécie tinham grande envergadura, cerca de 3 metros de uma ponta de asa à outra, e peso estimado entre 10 e 14 quilos, enquanto os machos eram de tamanho menor. Elas se alimentavam de aves não voadoras existentes em grande quantidade nas ilhas maiores da Nova Zelândia, especialmente de duas também já extintas: as moas, que poderiam atingir até três metros de altura e 250 quilos de peso; e os patos-de-finsch, que viviam afastados de lagos e rios e deveriam ser bem numerosos, tendo em vista a quantidade dos seus restos (esqueletos) que foram encontrados. Além dos takahes e kiwis, que ainda podem ser vistos vivendo livremente no arquipélago.
Para capturar as presas que buscava essas águias usavam suas fortes patas cujos dedos terminavam em garras longas e curvas que certamente não as ajudavam a caminhar, mas formavam um conjunto perfeito para segurar e dominar com firmeza o animal caçado; além de um bico grande, também encurvado e terminado em ponta afiada, com o qual cortavam e dilaceravam a carne das vítimas a fim de lhes arrancar os órgãos internos. Até agora os naturalistas descobriram pouca coisa sobre a vida dessas aves, mas a crença normalmente aceita é a de que elas provavelmente formavam um casal permanente cujos métodos de reprodução permanecem envoltos em mistério. Mas pelo estudo de seu esqueleto se conseguiu depreender que deveriam voar com grande habilidade, usando a cauda, que media cinqüenta centímetros, para controlar a altitude. Podiam alcançar uma velocidade de ataque estimada em 80 quilômetros por hora, atingindo a vítima na região da bacia e matando-a em seguida com um golpe do bico no pescoço. Como não disputavam alimento com outros predadores, uma carcaça, dependendo do tamanho, alimentava uma águia por alguns dias (na ilustração, uma garra da águia de haast).
Como outros povos polinésios, os primitivos habitantes da Nova Zelândia acreditavam que os seus antepassados viviam num lugar denominado Hawaiki, e que por volta do século 14 teriam chegado ao arquipélago em grandes canoas e se tornaram os maoris. A colonização européia das ilhas foi mais recente. Os primeiros exploradores - incluindo Abel Tasman (que chegou em 1642) e o capitão James Cook (que a visitou pela primeira vez em 1769) - relataram encontros com maoris, nos quais descreviam os indígenas como uma raça de guerreiros ferozes que guerreavam freqüentemente entre si, com os vitoriosos escravizando ou até comendo os perdedores.
Com a chegada dos maoris a fauna local passou a ser caçada por eles a fim de ser transformada em comida. Somente a águia-de-haast não foi perseguida pelos nativos, que inclusive tinham grande admiração por ela, inclusive representando-a em inúmeras pinturas feitas em cavernas. Depois, foram os europeus que incrementaram ainda mais o abate indiscriminado dos seres animais capturados pelas águias, dessa forma diminuindo para elas, em escalada crescente, a disponibilidade de alimentos. Além dessa ação predatória dos homens, outro fator contribuiu decisivamente para a dizimação de diversos pássaros nas ilhas neozelandesas.
Quando chegaram, os polinésios trouxeram com eles espécies de animais invasores como o rato-do-pacífico, ou kiore, mamífero roedor responsável, pelo menos em parte, por inúmeras extinções de espécies nativas, em particular de aves não voadoras ou que nidificavam ao nível do solo. Por sua vez, os europeus introduziram na região algumas variedades de mamíferos que intensificaram esses ataques, desestruturando paulatinamente o ecossistema local e com isso não só afetando seriamente os kiwis, por exemplo, ou os kakapos, hoje correndo sério risco de extinção, mas também causando a destruição de outras variedades, como a codorniz-da-Nova-Zelândia, pássaro pequeno com penas marrons pequenas, e tons amarelos e vermelhos, que em meados do século 19 já era considerada oficialmente extinta.
Os parentes mais próximos da águia-de-haast são ás águias do gênero Hieraaetus, como a águia-de-bonelli, hoje em perigo de extinção, que tem 60cm de comprimento, 1,35m de envergadura das asas, e habita as regiões montanhosas, onde pode ser avistada a pairar, geralmente aos pares.





