Insetos - CUPIM
Existe no reino animal uma sociedade onde cada indivíduo, antes de nascer, já está predestinado para determinadas funções. Sua conformação física aliada ao estabelecimento de castas e funções pré-determinadas, torna essa sociedade tão funcional que apesar das competições e evoluções ela se mantém relativamente inalterada ao longo dos séculos. Formada pelos cupins, insetos terrestres também chamados de térmitas, ou formigas brancas, esses animais são encontrados preferencialmente na África, América, Austrália e Ásia, sendo que no Brasil existem três das suas famílias: Kalotermitidae, Rhinotermitidae e Termitidae.
Os tipos de cupinzeiros variam de espécie para espécie, mas podem ser agrupados em dois tipos principais: os de madeira e os de solo, sendo os do segundo grupo divididos em subterrâneos, arborícolas e montículos (às vezes os montículos atingem metros de altura). Embora em sua grande maioria os cupins não ataquem madeira viva, algumas poucas espécies devoram raízes e galhos, matando as plantas. Todos os cupins são vegetarianos, podendo, em certos casos, alimentar-se de couro, lã e outros produtos animais.
As colônias de cupins são formadas sempre a partir de dois indivíduos: o rei e a rainha. Na primavera, logo após as chuvas (que provavelmente facilitam o trabalho de escavação), grande quantidade de machos e de fêmeas saem em revoada. Em seguida, um casal começa a escavar o solo, formando a câmara nupcial onde se acasalarão (os cupins só copulam após perderem as asas) e ficarão para o resto da vida. Como os dois não levaram comida e nem são preparados para conseguí-la, eles sobrevivem (até o surgimento das primeiras obreiras) à custa do tecido adiposo de seus corpos, e da absorção do músculo das asas. Assim que nascem, as primeiras obreiras passam a cuidar do ninho, aumentando-o, coletando alimento, etc. Em toda colônia de cupins são identificáveis dois tipos de indivíduos adultos, pertencentes às duas castas componentes da sociedade: os férteis (rei e rainha de primeira, segunda e terceira ordem) e os inférteis, que inclui as obreiras, os soldados e outros.
A forma e a estrutura do corpo ou dos órgãos dos cupins varia de espécie para espécie, e até mesmo dentro da mesma espécie, de uma casta para outra. Eles possuem um fototropismo negativo, ou seja, afastam-se da luz, só a procurando nas épocas de revoada, e têm, também, um tegumento (membrana que lhes recobre o corpo) fino e com pouca pigmentação, razão pela qual morreriam ressecados nas regiões quentes onde vivem, caso permanecessem sob a luz do sol por períodos demorados. Por isso as obreiras constroem longos túneis, fabricados com grãos de areia e cimentados com saliva. Nas espécies mais primitivas, as operárias não existem, e seu trabalho é feito por indivíduos sexuados e jovens. Os soldados de ambos os sexos, tal como as obreiras, não têm asas, são cegos e sexualmente imaturos, como se tivessem sofrido castração fisiológica. Suas cabeças são, em geral, enormes e armadas com poderosas mandíbulas, e como são preparados para a luta, possuem um tegumento mais espesso e de pigmentação mais acentuada. Suas enormes mandíbulas, muito úteis para a defesa do ninho, não permitem que se alimentem sozinhos, e por isso eles são ajudados pelas obreiras nesse sentido.
Os reis e as rainhas (geralmente apenas eles possuem olhos e ocelos) são os únicos indivíduos sexualmente desenvolvidos, e sua única função é a reprodução. Seus corpos, do mesmo modo que nas obreiras e nos soldados, são divididos em um tórax com três segmentos, cada um deles com um par de patas inserido. Os reis e as rainhas, as únicas formas aladas, possuem um par de asas em cada um dos dois últimos segmentos, o mesmo acontecendo com os reis e rainhas de segunda e terceira ordem, só que elas são mais atrofiadas e sem função.
Os cupins são ovíparos, e seus ovos são, em geral, tanto maiores quanto mais primitiva for a espécie. Não há metamorfose, isto é, os indivíduos saem dos ovos com aspecto de adulto, sendo que no primeiro estágio todas as formas são iguais. Somente a partir do segundo estágio elas começam a se diferenciar em indivíduos férteis e inférteis. Geralmente há apenas um casal real em cada cupinzeiro, mas aparecem casos em que há um rei e duas ou mais rainhas, ou vice-versa. Os reis de substituição – segunda e terceira ordem – podem, em casos excepcionais, em vez de substituir o par real original, começar a reproduzir antes disso (é o que acontece, por exemplo, quando o cupinzeiro está muito grande).
Os cupins que se alimentam apenas de madeira dispõem de uma fauna de protozoários que os auxiliam na digestão da celulose obtida em galerias escavadas na própria madeira. Outras espécies ingerem o húmus do solo, não apresentam protozoários auxiliares e constroem seus ninhos com o material que excretam. São esses dois tipos os que causam maiores prejuízos ao homem. Na América do Sul, o Brasil é a região mais rica em espécimes. Os Kalotermidae formam cupinzeiros no interior da madeira seca da qual se alimentam, e só atacam plantas vivas quando não encontram outro alimento. A família Rhinotermidae tem os cupins mais nocivos do mundo. As espécies da família Termidae não possuem os protozoários que digerem a celulose. Constroem enormes cupinzeiros em cúpulas às vezes abundantes nos pastos.
A vida social, a origem das castas e a arquitetura dos ninhos despertam a curiosidade dos estudiosos para esses insetos, mas sua atividade como praga da agricultura e de uma infinidade de produtos granjeou-lhes fama e lugar de destaque entre os inimigos do homem, que se vale de inseticidas para enfrentá-los. Os cupins têm também outros inimigos, que auxiliam a combatê-los ao se alimentarem deles: são os tamanduás, os tatus, sapos e répteis. Também os pássaros atacam os cupins por ocasião das revoadas.
Fonte: Enciclopédia Abril





