Mamíferos - BICHO-PREGUIÇA
As preguiças são animais mamíferos pertencentes à ordem Xenarthra (do grego xenos, estranho, e arthros, articulação), anteriormente designada Edentata, que também inclui os tamanduás e os tatus, animais ditos desdentados porque, de modo geral, têm os dentes molares pouco desenvolvidos. No caso das preguiças, ou bichos-preguiça, elas possuem 5 dentes no maxilar superior, e 4 no inferior (todos desprovidos de esmalte e raiz), sem que haja mudança de dentição. O nome dado a esse grupo de animais decorre do fato de que a estrutura das vértebras que possuem é bastante distinta da dos demais mamíferos.
Nativas do continente americano, e aparentadas com as preguiças gigantes que existiram há milhares de anos, elas são encontradas nas florestas tropicais da América do Sul, da América Central e Mata Atlântica, divididas em cinco espécies, que podem ter dois ou três dedos nas patas anteriores, providas de grandes garras que mesmo parecendo assustadoras à primeira vista, não lhes servem para nada como meio de defesa porque a lentidão dos seus movimentos faz com que se tornem totalmente inofensivas. No Brasil são encontradas as seguintes espécies de três dedos: preguiça-comum, preguiça-de-bentinho, e a preguiça-de-coleira, que vive no trecho da Mata Atlântica que vai do Rio de Janeiro ao sul da Bahia, e é a espécie mais ameaçada de extinção. A preguiça-de-dois-dedos, ou preguiça real, é encontrada com mais facilidade nas matas fechadas da região norte do país.
De porte médio, pesando normalmente até 6 quilos quando na fase adulta, as preguiças se caracterizam pela cabeça arredondada e corpo recoberto de pêlos grosseiros com coloração geralmente cinzenta, mostrando, às vezes, traços brancos ou marrom ferrugem, além de manchas claras e negras. Mas podem também aparentar uma cor esverdeada devido às algas que nele se desenvolvem (em virtude das ranhuras existentes em cada fio), o que lhes serve de camuflagem e as deixam quase imperceptíveis em meio è densa vegetação (essas algas servem de alimento para as lagartas de determinadas espécies de mariposa). O pêlo, que abriga uma multidão de parasitos como carrapatos, traças e baratas, cresce em sentido contrário ao dos demais mamíferos, isto é, de baixo para cima, do ventre em direção ao dorso, o que se deve, certamente, ao fato da preguiça passar a maior parte do seu tempo de cabeça para baixo, o que ajuda a água da chuva a escorrer sobre o seu corpo.
O corpo curto das preguiças (65 a 70 centímetros) é dotado de membros compridos que lhes permitem viver nos galhos da copa de árvores altas, onde se penduram usando as garras que possuem. Exímias arborícolas, elas não perdem para nenhum outro animal que também tenha esse costume de subir em árvores, e embora o seu avançar seja extremamente vagaroso, se movimentam nas alturas com extrema segurança. Ao contrário do que acontece no chão, onde se locomovem com grande dificuldade, deitadas de ventre no solo e se arrastando por meio do movimento intercalado das patas dianteiras, que praticamente as vão puxando para diante. Por isso são presas fáceis dos predadores, razão pela qual raramente abandonam a segurança que encontram entre os galhos, ramos, folhas e cipós. Talvez seja esse o motivo pelo qual urinam e defecam a intervalos regulares de sete ou oito dias, descendo de onde estão e satisfazendo suas necessidades fisiológicas nas proximidades da árvore em que costumam se alimentar.
Essa alimentação é seletiva, baseada nas folhas novas de um número reduzido de árvores, especialmente a imbaúba, mais a ingazeira e a figueira. Além disso, nunca bebem água, absorvendo a quantidade que precisam do próprio alimento que ingerem, através das paredes intestinais, durante o processo digestivo. Por essa razão a sobrevivência desses animais só é possível em espaços relativamente grandes de matas e capoeiras desenvolvidas, onde conseguem encontrar o alimento de que precisam em quantidade suficiente, e com boa qualidade. Cada indivíduo, cujo período de vida pode chegar aos 11 anos, costuma viver em área territorial definida, podendo mudar-se para outra depois de algum tempo, mas sempre, ou quase sempre, cada um deles tem sua árvore preferida, que é aquela onde passa mais tempo.
Donas de grande força muscular e resistência física, as preguiças têm o estômago assemelhado ao dos ruminantes, ou seja, dividido em quatro compartimentos com rica flora bacteriana, o que lhes permite digerir perfeitamente o que ingerem. Elas possuem 8 a 9 vértebras cervicais, e isso lhes possibilita girar a cabeça 270°, sem mover o corpo, de tal jeito que sua cara pode dar a impressão de que fica nas costas.
Seus movimentos são sempre muito lentos, vagarosos (avançam de 2 a 4 metros por minuto), e as reações retardadas, embora na água, quando forçada, nade com agilidade. Outra particularidade interessante é que costumam dormir tranqüilamente cerca de 14 horas por dia, nos galhos altos das árvores, dando a impressão de que nada interrompe esse descanso. Sua temperatura corporal é sempre muito próxima à do ambiente, sendo por isso considerados animais homeotérmicos imperfeitos (denomina-se homeotérmico, ou homotermal, o animal cuja temperatura interna é constante, sendo chamados por isso de sangue-frio). O período de gestação das preguiças é de 5 meses, nascendo um filhote por ano, que é carregado pela mãe nas costas durante alguns meses, enquanto se prepara para sobreviver sozinho no ambiente da mata.
Embora os predadores naturais das preguiças sejam as onças, jibóias e harpias (a maior e mais bela espécie de gavião existente no país), são os homens que representam para elas o perigo maior, pois as capturam para vendê-las criminosamente nas feiras livres e às margens das rodovias. Nos últimos tempos a ação deletéria do ser humano sobre esses animais tem sido muito facilitada pelo acelerado desmatamento que vem ocorrendo no país, o que leva as preguiças a se locomoverem penosamente pelo solo em busca de uma outra ilha de mata onde possam sobreviver, quando então ficam totalmente expostas aos caçadores de toda ordem.





