Mamíferos - MACACO-PREGO-DO-PEITO-AMARELO
O macaco-prego-do-peito-amarelo é um primata que tem como habitat natural a Mata Atlântica, embora hoje não seja mais possível determinar com exatidão qual a sua correta distribuição geográfica. Sabe-se que em passado não muito distante eles eram encontrados em grande número na área formada pelo sudeste da Bahia e um pequeno trecho ao norte de Minas Gerais, mas atualmente, segundo estimativa feita por pesquisadores, não chegam a cem indivíduos, tendo desaparecido totalmente em diversas regiões onde sua presença era endêmica. As causas desse desaparecimento são atribuídas tanto à destruição das florestas que lhes servem de habitat, como ao comércio ilegal de exemplares vivos e à caça indiscriminada, fatores negativos que os colocam entre os primatas que mais correm riscos de extinção no mundo.
Abordando de forma global esse quadro triste e preocupante, um levantamento promovido pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), sobre a situação dos primatas do mundo nos últimos cinco anos, indica que quase metade das espécies desse tipo de animal corre atualmente sério risco de extinção. Segundo os dados divulgados pela entidade, que servem como base para elaborar a lista vermelha da instituição sobre as espécies ameaçadas, a situação é pior na Ásia, onde 71% dos primatas foram classificados como vulneráveis, ameaçados ou criticamente ameaçados. Com relação ao macaco-prego-do-peito-amarelo, ele é classificado no mesmo levantamento como criticamente ameaçado, o que significa dizer que está quase extinto. Já em 1994, ao considerar o declínio do número desses animais, a conclusão foi a de que estavam apenas em risco de extinção.
No Brasil, o macaco-prego-do-peito-amarelo vive habitualmente em bandos de vinte indivíduos, mais ou menos. Ele tem os pêlos da cabeça, do peito e de parte dos braços, na cor amarelo claro, e a do restante do corpo na tonalidade escura, quase negra. No rosto de alguns, uma espécie de cavanhaque também preto. Com altura média de 45 centímetros, peso variando entre dois e três quilos, e cauda preênsil, ou seja, que tem a capacidade de prender-se, de enrolar-se em alguma coisa, ele vive preferencialmente no topo das árvores altas da floresta, de onde desce apenas para beber água nos rios, ou buscar algo que pretenda comer. De hábitos diurnos, sua alimentação normal inclui frutos, brotos, flores, sementes, castanhas, ovos, néctar, insetos e pequenos vertebrados.
A fêmea da espécie atinge a maturidade sexual aos quatro anos, e o macho, aos oito. A atividade sexual entre ambos acontece durante todo o ano, e ela, quando fecundada, leva seis meses para produzir apenas um filhote, que nasce com peso médio de 260 gramas e é desmamado aos oito meses, aproximadamente. Se porventura um filhote se perder da mãe, ou se separar dela, os outros integrantes do grupo assumem a responsabilidade pelos cuidados que ao mesmo devem ser dispensados. Vivendo em áreas com altitude inferior a 1.500 metros, o macaco-prego-do-peito-amarelo é uma presa fácil para os caçadores porque, ao contrário dos demais primatas de seu porte, movimenta-se com certa lentidão, e por isso não consegue escapar com facilidade dos que pretendem alvejá-lo.
A World Conservation Union, por meio de seus representantes no Brasil, embrenhou-se pelo habitat do macaco-prego e conversou com fazendeiros e com a população local para convencê-los da importância de preservar os animais. O mesmo fez a ONG Instituto de Pesquisas Ecológicas, que funciona com fundos de instituições estrangeiras como o Zoológico de Parco, no norte da Itália.
Mas apesar dos projetos de estudo anunciados por algumas entidades, visando a conservação da espécie, a situação do macaco-prego-de-peito-amarelo se torna a cada dia mais delicada, se é que já não chegou ao ponto final. A intenção de “promover o levantamento da população remanescente dessa espécie, e de investigar sua atual distribuição biogeográfica, a fim de colaborar, com as informações levantadas para um programa de manejo da espécie que impeça sua extinção, e eventualmente leve até mesmo à sua recuperação”, permanece, por enquanto, embutida apenas nas palavras. E palavras, como qualquer um sabe, são levadas com facilidade pela brisa suave do esquecimento.





