Mundo Misterioso - PEDRAS DE ICA, AS - Peru

Em meados de 1960 o doutor Javier Cabrera Darquea (falecido em 2001), residia em Ica, sua cidade natal situada na região noroeste do Peru. Médico co-fundador da escola de medicina local, ele recebeu, na data de seu aniversário, algumas pedras que lhes foram dadas por Basílio Uschuya, um camponês local.

 

Curioso, Cabrera procurou informar-se sobre a origem das pedras, descobrindo que tinham sido encontradas em uma caverna próxima a Ocucaje, povoado não muito distante de Ica. Isso aguçou ainda mais o seu interesse, e para satisfazê-lo o médico visitou a gruta em questão. Abismado diante do que viu, ele passou a vasculhá-la com cuidado, recolhendo nos anos seguintes mais de onze mil pequenos blocos de rocha com entalhes de todo tipo, que hoje estão expostos no Museu das Pedras, em Ica.

 

Todas as pedras têm gravações estranhas, algumas com desenhos de caçadores capturando animais pré-históricos, ou de homens voando montados no dorso de gigantescos pássaros desconhecidos (ilustração acima), de mapas de continentes com conformação diferente das que conhecemos hoje, de eventos astronômicos, de dinossauros convivendo com humanóides e também mapas celestes, enquanto outras sugeriam em seus entalhes avançada tecnologia de medicina, como transplante de órgãos, operações cirúrgicas de toda espécie, descrições de uma cesárea, remoção de tumores, além do registro de um grande cometa que provocou perturbações catastróficas há milhões de anos.

 

A partir dessa descoberta Cabrera começou a estudar o farto material rochoso que tinha reunido, o que fez durante anos de cuidadosa análise e observação atenta, chegando a conclusões que infelizmente não mereceram maior atenção da comunidade científica.

 

Na primeira delas, divulgada no ano de 1974, ele sustentava que o hormônio contra a rejeição, de vital importância nos transplantes de órgãos, deveria ser procurado nos fluídos da mulher grávida. Pouco mais tarde, em 1980, os médicos Baruj Benacerraf, Jean Dausset, e George Davis Snell  Estad,  chegavam juntos a mesma conclusão em seu trabalho sobre reações imunológicas, recebendo por isso, no mesmo ano, o Prêmio Nobel de Medicina, (a ilustração acima mostra o que aparenta ser uma cirurgia cardíaca. O coração do paciente é operado fora do corpo e o bombeamento sangüíneo processado através de um método artificial)  

 

Outra proposição de Cabrera tinha relação com o mapa-mundi gravado em uma das pedras e semelhante ao que o almirante turco Piri Reis (1465--1554) desenhou em 1513. Segundo o autor otomano, seu trabalho foi baseado em coleção de mapas antigos que lhe forneceram, e complementado pelos feitos por Cristovão Colombo. Em 1532, quando Francisco Pizarro desembarcou no litoral peruano e iniciou a conquista do império inca, Piri Reis já havia configurado em seu mapa continentes que ele jamais conheceu, mas presentes na gravação cartográfica encontrada em uma das pedras de Ica, entalhadas por gente de um povo que habitava a região desde séculos e séculos atrás. Como explicar tal semelhança?

 

Com relação ao desaparecimento dos dinossauros, o doutor Javier informou ter encontrado nas pedras a explicação de que isso teria ocorrido em razão do choque de um meteoro com a Terra. Tal afirmativa foi confirmada em 1980 pelos físicos Luis Walter Alvarez (1911-1988) e seu filho Walter Alvarez, segundo os quais um asteróide de dezenas de quilômetros de diâmetro e treze milhões de toneladas, chocou-se com a Terra há 65,5 milhões de anos, provocando uma explosão equivalente a 100 milhões de megatons que teria formado uma cratera de cerca de 175 quilômetros de diâmetro. O impacto, segundo os Alvarez, foi de tal ordem que o asteróide se volatilizou e escavou milhões de toneladas de rochas na superfície do planeta, dispersando na atmosfera do planeta 1500 vezes mais poeira que a grande explosão vulcânica do Krakatoa, em 1883.

 

Em conseqüência, a nuvem de pó envolveu o globo terrestre e o mergulhou em trevas que perduraram por dezenas de anos, inibindo inteiramente o processo de fotossíntese. Com o conseqüente desaparecimento da vegetação, os grandes animais, e até mesmo alguns entre os de menor tamanho, desapareceram rapidamente. Somente os pequenos comedores de raízes, grãos e resíduos orgânicos garantiram para si alguma sobrevivência, até a dissipação da grande nuvem poeirenta.

 

Declarações de concordância com o doutor Javier Cabrera provocaram reação nos meios científicos. A primeira contestação classificava as pedras como falsas porque, para os acusadores, elas eram gravadas pelo presumido descobridor, Uschuya, denúncia inicialmente aceita pelo mesmo e depois negada sob a alegação de as aceitara passivamente porque o comércio de artefatos arqueológicos é proibido no Peru, e como ele realmente as negociava com turistas, não queria ser preso. Geólogos e arqueólogos também expuseram suas opiniões de que tudo aquilo era uma fraude, mas outros profissionais das mesmas áreas discordaram deles sustentando que elas eram verdadeiras porque as análises físicas e químicas das mesmas comprovavam que eram autênticas quanto à antiguidade.

 

Os não técnicos alegam, por sua vez, ser muito difícil aceitar a idéia de que um camponês possa entender de cirurgia, arte, história dos Incas, dinossauros, mapas da pré-história, e todas as áreas do conhecimento humano descritas em cada uma delas. Ainda por cima, são mais de 11..000 pedras, e mesmo que ele as tivesse gravado, precisaria ter feito isso em todos os dias de seus 41 anos de idade, uma pedra por dia, desde a adolescência, sem uma única falta a esse trabalho. E então perguntam: ele teria conseguido realizar essa façanha?


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Comentários:

  1.   Flauber diz:

    As pedras não são fraudes e retratam acontecimentos da época. \r\n\r\nAlgumas conclusões estão equivocadas.\r\n\r\nUma coisa é certa: é mais fantástico documentário que existe!\r\n\r\nNão precisamos mentir para apresentar coisas incríveis!