A a D - ASTROLÁBIO - Para que serve?
Os gregos davam o nome de astrolábio a qualquer instrumento ou dispositivo circular dotado de um ou mais círculos graduados, com o qual os navegadores marítimos se orientavam em suas viagens observando com eles os astros visíveis no céu. Assegura-se que o astrolábio de uso astronômico foi inventado entre os séculos 3 e 2 antes de Cristo, talvez por Hiparco ou Apolônio, mas primitivamente ele era usado na agrimensura para se conhecer a altura de uma montanha, por exemplo, ou a profundidade de um poço.
O astrolábio usado pelos navegadores foi desenvolvido pelos árabes a partir desse instrumento primitivo, e posteriormente divulgado na Europa, sendo muito utilizado do século 15 ao século 18 principalmente pelos marinheiros portugueses e espanhóis durante o ciclo das grandes navegações, servindo-lhes para medir a altura do sol ou de uma estrela e assim poderem determinar a latitude em que se encontrava sua embarcação em determinado momento da viagem. O manejo do astrolábio exigia a participação de duas pessoas, porque consistia em grande círculo por cujo interior corria uma régua; um homem suspendia o astrolábio na altura dos olhos, alinhando a régua com o sol enquanto outro lia os graus marcados no círculo.
A primeira aplicação do instrumento para esse fim - o da navegação marítima - se deve aos irmãos Roderick, Joseph e Martim Behaim, de Nuremberg, Alemanha, aos quais o rei João II, de Portugal, solicitara a invenção de alguma coisa que permitisse aos seus navios conservarem o curso exato, em alto-mar. Mas durante o século 18 o astrolábio acabou saindo completamente da lista dos instrumentos astronômicos e náuticos, sendo substituído pelo telescópio, na Astronomia, e pelo sextante, na navegação.
Poucos desses aparelhos chegaram até nossos dias, mas com o desenvolvimento da pesquisa submarina foi possível recuperar mais exemplares. Atualmente existem cerca de 80, registrados no Museu Marítimo de Greenwich. Além de um número de registro, são conhecidos por nomes normalmente relacionados com o navio ou o local onde foram encontrados.
A Oficina de Astronomia (www.oficinadeastronomia.com.br), site criado em 2006 por Sérgio Cortizo, Bacharel e Mestre em Física e Doutor em Filosofia pela USP, tem como um de seus objetivos divulgar nas escolas o enorme potencial pedagógico do astrolábio, contribuindo assim para o ensino da Astronomia e para o aprimoramento da consciência histórica dos alunos. Nele, Cortizo esclarece que “Antes da invenção do relógio mecânico e da difusão da bússola magnética, o astrolábio era o melhor dispositivo conhecido para determinação da hora (do dia ou da noite) e para a navegação (tanto em terra como no mar). Para durar toda uma vida e resistir a viagens longas e difíceis, os astrolábios eram tradicionalmente construídos em metal maciço. Dessa forma, eram objetos preciosos, por vezes ricamente ornamentados, verdadeiras obras de arte”.
Saber utilizar o astrolábio era prerrogativa exclusiva das pessoas cultas. Por muitos séculos, construir seu próprio instrumento foi, entre os eruditos, uma prova de grandes conhecimentos matemáticos, astronômicos e técnicos. O nome 'astrolábio' vem do grego, e significa algo como 'pegador de estrelas'. Em caravanas árabes que cruzavam vastos desertos, era usual que apenas o chefe do grupo possuísse um astrolábio, que se tornava então um símbolo de poder político e religioso, pois apenas ele era capaz de determinar a direção precisa a seguir e o momento exato de certas orações islâmicas. Por tudo isso, o astrolábio sempre possuiu uma forte carga simbólica: era um meio de comunicação direta com os céus, com os poderes cósmicos que desde a antiguidade mais remota foram concebidos como deuses e associados ao Sol, à Lua, às estrelas e aos planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno (que são visíveis a olho nu). De fato, o astrolábio é um ótimo instrumento para o estudo de fenômenos que fascinam a humanidade desde os seus primórdios, como os eclipses, por exemplo”.
“A origem histórica do astrolábio permanece envolta em mistério: alguns pesquisadores afirmam que ele já era conhecido na Antiguidade Greco-romana, e uma antiga tradição islâmica atribui sua invenção a Ptolomeu (séc.II d.C.). O astrolábio mais antigo que chegou aos nossos dias é um instrumento árabe datado de 927 depois de Cristo, e o manuscrito mais antigo conhecido atualmente sobre o astrolábio é do século IV depois de Cristo (compilado por Theon Alexandrinus). A partir do século XVII, o astrolábio foi sendo gradualmente substituído pelo telescópio como instrumento de observação científica dos astros. Mas o telescópio concentra a atenção do observador em minúsculas porções do céu, exigindo ajustes minuciosos e precisão numérica, enquanto o astrolábio leva à apreensão do firmamento como um todo, de um modo divertido e lúdico. Assim, o astrolábio permanece insuperável no ensino da Astronomia fundamental".
Na ilustração acima, astrolábio assinado por Erasmus Habermel, datado de 1585 e atualmente no Museum of the History of Science, Oxford, Inglaterra. Este instrumento mede 19,5 cm de diâmetro e tem gravadas as insígnias de Paduanius de Forli, médico do imperador germânico Rodolfo II de Habsburgo. Além deste, o site do dr. Sérgio Cortizo também mostra diversos outros astrolábios de meados do século 19. Como o fabricado por Gualterus Arsenius, 1570, atualmente no Instituto e Museo di Storia della Scienza, Firenze, Itália. O instrumento tem 29,7 cm de diâmetro, e é feito de latão. As pontas representam posições de 54 estrelas no céu.





