Doenças - DENGUE

A palavra dengue tem origem espanhola e quer dizer melindre, manha. O nome faz referência ao estado de moleza e prostração em que fica a pessoa contaminada pelo arbovírus (abreviatura da expressão inglesa arthropod-bornvirus, vírus oriundo dos artrópodos). A transmissão ocorre pela picada do mosquito Aedes aegypti, uma espécie hematófaga introduzida na América do Sul durante o período colonial, através de barcos (navios negreiros) que vinham da África trazendo escravos (na ilustração, esquema do arbovírus).

 

Ela é uma doença infecciosa que ocorre principalmente em áreas tropicais e subtropicais do mundo, inclusive no Brasil. As epidemias sobrevêm geralmente no verão, durante ou imediatamente após períodos chuvosos. O intervalo entre a picada e a manifestação da doença (chamado período de incubação) pode se prolongar por alguns dias, mas normalmente os seus sintomas aparecem a partir do terceiro dia após a picada do mosquito, incluindo febre elevada que surge subitamente, acompanhada de forte dor de cabeça e atrás dos olhos (piorando com o movimento dos mesmos). Além disso, o enfermo pode apresentar perda de paladar e do apetite, manchas e erupções na pele (semelhantes ao sarampo), principalmente no tórax e membros superiores, náuseas, vômitos, tonturas, extremo cansaço, moleza, dor no corpo, nos ossos e articulações. A febre dura cerca de cinco dias com melhora progressiva dos sintomas em dez dias. Raramente há complicações, mas em alguns poucos pacientes podem ocorrer hemorragias discretas na boca, na urina ou no nariz.

 

Por sua vez a dengue hemorrágica, que é uma forma mais grave da doença, tem no início os mesmos sintomas da dengue clássica, mas após o quinto dia alguns pacientes começam a apresentar sangramento em vários órgãos. Nesses casos o quadro clínico do paciente se agrava rapidamente, apresentando sinais de insuficiência circulatória e choque, o que pode levar a pessoa à morte em até 24 horas. De acordo com estatísticas do Ministério da Saúde, cerca de 5% das pessoas com dengue hemorrágica acabam falecendo.

 

O doente pode apresentar sintomas como febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, náuseas, ou até mesmo não apresentar qualquer sintoma. O aparecimento de manchas vermelhas na pele, mais sangramentos (nariz, gengivas), dor abdominal intensa e contínua, além de vômitos persistentes, podem indicar a evolução para dengue hemorrágica. Esse é um quadro grave que necessita de imediata atenção médica, pois pode ser fatal. É importante procurar orientação médica ao surgirem os primeiros sintomas, pois as manifestações iniciais podem ser confundidas com outras doenças, como febre amarela, malária ou leptospirose, e não servem para indicar o grau de gravidade da doença.

 

Não existe tratamento específico para dengue, mas apenas cuidados que aliviam os sintomas. Nesses casos deve-se ingerir muito líquido, como água, sucos, chás, soros caseiros, etc. Os sintomas podem ser tratados com dipirona ou paracetamol, não devendo ser usados medicamentos à base de ácido acetilsalicílico, como AAS e aspirina, pois eles podem aumentar o risco de hemorragias.

           

Os pesquisadores identificaram vários sorotipos da doença, que foram numerados de 1 a 4 dependendo do grau de letalidade do vírus. O sorotipo 1, o mais leve, apareceu pela primeira vez em 1977, mas somente a partir de 1980 foram notificadas epidemias em vários países. O sorotipo 2, encontrado em Cuba, provocou o primeiro surto de febre hemorrágica ocorrido fora do Sudeste Asiático e Pacífico Ocidental, sendo que o segundo foi registrado na Venezuela, em 1989.

 

No Brasil, existem registros de epidemia em 1916, em São Paulo, e no ano de 1923, em Niterói e Rio de Janeiro, mas sem comprovação laboratorial. A primeira epidemia documentada clínica e laboratorialmente, ocorreu entre os anos de 1981 e 1982, em Boa Vista, Roraima, causada pelos sorotipos 1 e 4, este último considerado o mais perigoso. A partir de 1986 ocorreram epidemias atingindo o Rio de Janeiro e algumas capitais da região Nordeste. Desde então a dengue vem ocorrendo no Brasil de forma continuada, intercalando-se com a ocorrência de epidemias, geralmente associadas a introdução de novos sorotipos em áreas anteriormente ilesas. Na epidemia de 1986 identificou-se a ocorrência da circulação do sorotipo 1, inicialmente no Rio de Janeiro, atingindo a seguir outros seis estados, até 1990. Nesse mesmo ano foi identificada a presença do sorotipo 2, também no estado do Rio de Janeiro.

 

Não há transmissão pelo contato de um doente, ou suas secreções, com uma pessoa sadia, nem fontes de água ou alimento.

 

A ação mais simples para se prevenir a dengue é evitar o nascimento do mosquito, já que não existem vacinas ou medicamentos que combatam a contaminação. Para isso, é preciso eliminar os lugares que eles escolhem para a reprodução. A regra básica é não deixar a água, mesmo quando limpa, parada em qualquer tipo de recipiente. Como a proliferação do mosquito é rápida, além das iniciativas governamentais é importantíssimo que a população também colabore para interromper o ciclo de transmissão e contaminação. Para se ter uma idéia, em 45 dias de vida, um único mosquito pode contaminar até 300 pessoas.

 

Então, a dica é manter devidamente fechados recipientes como caixas d’água, barris, tambores tanques e cisternas. E não deixar água parada em locais como: vidros, potes, pratos e vasos de plantas ou flores, garrafas, latas, pneus, panelas, calhas de telhados, bandejas, bacias, drenos de escoamento, canaletas, blocos de cimento, urnas de cemitério, folhas de plantas, tocos e bambus, buracos de árvores, além de outros locais em que a água da chuva é coletada ou armazenada. É bom lembrar que o ovo do mosquito pode sobreviver até 450 dias, mesmo se o local onde ele foi depositado estiver seco. Caso a área receba água novamente, o ovo ficará ativo e pode atingir a fase adulta em um espaço de tempo entre 2 e 3 dias. Por isso é importante eliminar água e lavar os recipientes com água e sabão.

 

Fontes: www.dengue.org.br

            www.combateadengue.com.br

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